Data de validade

José Simões de Almeida

Desculpem a falta de introdução e o salto brusco para o assunto, mas sejamos honestos os jovens hoje não querem saber da política! E quem os pode julgar?
A vida hoje em dia passa de segundo a segundo, mas o pensamento político, a forma de o exercer ficou parada nos relógios de bolso!
Nos tempos do meu pai em que passar uma tarde a ler Karl Marx era um máximo, saber as novas teorias - pelo menos em Portugal, isto nos idos anos 70/80 - era aproveitar o tempo da melhor forma possível, mas esses tempos já passaram. Verdade seja dita, hoje em dia não há tempo, um segundo sem o telemóvel é uma catástrofe, alguém fez alguma coisa e eu não soube o que era porque não tinha o telemóvel, quanto mais passar uma tarde a ler Karl Marx…
Se acho que é uma boa evolução? Não! Se é má… Bem isso depende da forma como a dinamizamos.
Admitir que os jovens - e não falo dos 14 aos 20, falo muito por aí além - não estão para aturar esta velha guarda de política demorada e sem pressa para se fazer ouvir, é uma necessidade. Até porque o problema não está neles. E a razão para isso é simples, porque a política é que se deve adaptar às pessoas e não as pessoas à política.
Há uma necessidade para lá do que se possa pensar de mudar a forma de fazer e pensar a política, uma necessidade de aproximação as pessoas, de uma maior abertura - exemplo disso é este mesmo clube - se não vejamos: o professor Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. É mau com o protocolo e muito virado para o povo, é carinhoso e a aceitação pelos mais novos é esmagadora. Afinal não admira roupe com os cânones de uma política velha e expirada e criou uma forma pessoal de a fazer virada para os novos tempos.
Mas não nos vamos ficar só por aqui, vejamos os Estados Unidos, se procuramos um pouco no Twitter por “Barack Obama” sabem quem é que aparece? Isso mesmo, o próprio, o Presidente dos Estados Unidos da América com uma conta. Quer dizer, o Papa Francisco tem uma conta…
Segundo uma notícia da tvi24 os jovens portugueses passam 3 horas por dia na internet, talvez falte um pouco de interação entre os políticos e os jovens neste meio.
Já ninguém quer perder horas a ouvir discursos. Já ninguém tem tempo! Continuamos a acreditar que as pessoas adoram ouvir os discursos nas épocas festivas, - a meu ver parece-me uma coisa de Estado Novo - ninguém com menos de quarenta anos ouve, os próprios noticiários começaram a ser substituídos por páginas online onde as pessoas escolhem as notícias que querem ouvir ou ler. Tudo avança, inova, cresce e segue os novos tempos, tudo menos a política! Esta velha guarda de política, que me desculpem, mas está a morrer!
É crucial mudar a forma de a exercer e pensar na política. Temos de a renovar e inovar aprender a chamar os jovens preencher as Jotas e criar um sentimento de presença que lhes possa ser retribuído. É necessário escrever menos, falar menos, pensar menos e agir mais e mais rápido, e com menos burocracia.
Acreditem, é necessário uma política mais jovem, leve e fresca. O prazo de validade desta está quase a expirar!

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