Uma estratégia de desenvolvimento para Viseu

Alexandre Azevedo Pinto

No final de 2011 escrevi que o modelo de desenvolvimento de Viseu se encontrava esgotado. Na época Fernando Ruas estava quase de saída da Autarquia de Viseu, vivia-se um ambiente de final de ciclo e o artigo que publiquei no Diário de Notícias e no Jornal do Centro “caiu mal” no Rossio. O argumento que lhe estava subjacente era o de que o modelo de desenvolvimento dessas duas últimas décadas,  assente na triangulação mágica: cimento, betão, alcatrão, se tinha esgotado. Esse “filão” desaparecera e sinal disso eram as centenas e até milhares de apartamentos e estruturas ocas e vazias que a cidade tinha. Na altura, desafiei a necessidade de serem pensadas alternativas de forma a poderem manter-se os índices de crescimento e desenvolvimento do Concelho até ai registados. Esse seria o maior desafio do Concelho.

Passaram praticamente 5 anos.  O que mudou desde então? Ao contrário do que o Executivo Municipal de Viseu procura fazer crer aos Viseenses, os últimos anos foram marcados por uma boa mão cheia de quase nada. Continua a faltar uma estratégia, mais do que uma “marca”, para Viseu. O estilo - Comissão de Festas - que marcadamente o Executivo Municipal do PSD imprimiu nestes três últimos anos foi um erro e uma enorme perda de tempo e de recursos financeiros. A marca Viseu, que procura uma identidade, tem deambulado entre os registos pimba, uma arte de rua controlada, o vinho e agricultura e sobretudo muitas Festas e Foguetórios. Por isso, tal como há 5 anos, continua tudo por fazer: pouco ou quase nada foi feito na mobilidade urbana; nada foi feito na requalificação dos espaços edificados; continua a  faltar uma solução séria de ocupação funcional para o Centro histórico de Viseu; Continuam a não serem criados investimentos alternativos, nomeadamente no sector industrial, aos do comércio e dos serviços; Continua a não se inovar no Turismo e na Gastronomia; Continuam a faltar apoios à inovação, ao empreendedorismo e à fixação de jovens em Viseu.

Hoje tal como há 5 anos Viseu vive num impasse, continua à procura de uma estratégia para o médio e longo prazo, continua a não existir uma visão empenhada de futuro para o desenvolvimento do Concelho.


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