A Europa, a necessidade de refundação e as eleições Europeias.


         
Vitor Simão.
Numa altura em que estamos perante uma campanha para as eleições Europeias e através da qual somos diariamente invadidos com a temática da Europa, urge esclarecer e debater a Europa de forma clara e transparente para que no dia “D” sejam mais os esclarecidos do que aqueles que não o estão. Estamos perante um modelo de governação nacional falido, mas se hoje falamos na falência dos sucessivos governos nacionais é também preciso assumir que de forma sucessiva e quanto a mim premeditada a Europa FALHOU. Falhou porque interessa a países como a Alemanha ter um superavit quando países como Portugal está em deficit sucessivo alimentando o superavit Alemão a uma escala nunca vista. Quem diz Portugal diz a Grécia, Irlanda, Espanha entre tantos outros, daí a minha crença na premeditação do falhanço Europeu. O Modelo Europeu tinha tudo para ser um modelo integrador, um modelo promotor da igualdade e da solidariedade entre Estados, porém esta Europa conseguiu exactamente o contrário, conseguiu que o fosso entre Estados aumentasse a uma escala que nos devia fazer parar e pensar se é mesmo esta a Europa que queremos para o hoje e para o  amanhã. Esta falta de igualdade e solidariedade entre alguns estados Europeus faz me acreditar que o modelo Europeu tal como o conhecemos FALHOU. Mas desenganemo-nos se pensamos que o modelo falhou por causa desta crise económica. A crise económica não foi mais do que o  culminar de uma crise muito maior e que levou ao estado em que estamos hoje, uma crise de valores. Mais do que uma remodelação económica, a Europa precisa de rever os valores como a igualdade e solidariedade entre os Estados pois só assim podemos refundar a Europa.

         Chegados a este ponto interessa olhar para as próximas eleições Europeias como o catalisador para essa alteração de paradigma. Perguntam-me e bem, como? Pois eu respondo inequivocamente: Com uma viragem à esquerda na governação Europeia. Mas com uma viragem para uma esquerda verdadeira e não aquela que por vezes aparece camuflada pelas rosas e pelos punhos esquerdos  por essa Europa fora. Só uma Europa com um “PES”  verdadeiramente de esquerda, com politicas de esquerda e com a máxima responsabilidade, só essa Europa pode renascer e fazer com que os Europeus voltem a acreditar no modelo Europeu. Esta é a Europa em que eu acredito, esta é a Europa que ainda não vislumbro, nem sequer ao longe, mas esta é a Europa pela qual todos devíamos lutar até que a mesma se tornasse realidade.

         No tocante às próximas eleições Europeias e apresentados que estão os dois candidatos dos dois maiores partidos em Portugal, por um lado, pela coligação PSD/CDS, Paulo Rangel, e pelo PS Francisco Assis, interessa agora analisar as próximas eleições. Comecemos por Paulo Rangel, que já foi candidato nas ultimas eleições, e por sinal vencedor com cerca de 32% contra 27% do PS encabeçado na altura por Vital Moreira. A favor de Paulo Rangel está o  ser um candidato que já venceu umas eleições e a acrescentar a esse factor está o facto de este estar no terreno com um conjunto de ideias/propostas para a Europa. O PS apresentou, quanto a mim tardiamente, Francisco Assis como candidato e digo tardiamente porque um partido como o PS que diz ter um ideário sustentado para a Europa não pode de forma alguma ter receio de se apresentar a “jogo” primeiro que o seu adversário. O PS não pode reagir o PS tem a obrigação de agir, e como não o fez, sai quanto a mim atrasado na “corrida” para estas eleições.  A acrescentar a este erro estratégico está o facto de o PS ter apresentado um candidato sem primeiro ter traçado um conjunto de ideias relativas à Europa. Um partido antes mesmo de apresentar uma cara tem de apresentar ideias, não se pedia que se apresentasse um programa eleitoral para a europa, mas pedia-se que se apresentassem algumas ideias bases, isso sim era obrigatório. Construiu-se a casa ao contrario, primeiro o candidato, depois o ideário. Ainda vai a tempo o PS de contrariar estes erros iniciais? Assim espero, pois como disse só uma Europa de esquerda pode ultrapassar os problemas de hoje, e o PS é mais do que capaz, e já o mostrou no passado, de ultrapassar as dificuldades e na humildade da sua matriz ideológica encontrar o caminho para os problemas que hoje se nos apresentam.

       Acabo como comecei, dizendo que a Europa tal como a conhecemos FALHOU. E passa por admitir este falhanço a possibilidade de refundar a Europa. Temos de ser superiores aos erros do passado e olhar para o futuro com a humildade necessária de alguém que sabe que errou e que só assim pode alterar o futuro. A Europa precisa perceber que errou, precisa ser humilde e aceitar que o fim da linha chegou, e que é agora que a Europa se começa a reconstruir, e desta vez, espero eu com uma verdadeira noção de igualdade e solidariedade entre todos os Estados.



1 comentário:

  1. Não terão sido precisamente essas políticas de esquerda, excessivamente despesistas, que fizeram a Europa declinar? E não será responsabilidade dos governos nacionais o excessivo endividamento dos países referidos ao invés da Alemanha? Que políticas de esquerda julgas serem capazes de desenvolver o que seja? Eu não quero construir um país que pede aos outros que sejam “solidários”!

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