Para onde vamos?


Da actual realidade é difícil fazer uma cronologia que estabeleça um paralelismo entre uma orientação política e os objectivos a que se propõe.
Sem querer entrar na questão da "narrativa", o que percebemos ao fim deste longo período é que andamos a perder tempo. Do chumbo do PEC IV, às pressões dos mercados e à "agenda" que afirmou que a pílula dourada para a resolução dos problemas do país seria o resgate financeiro, sabemos hoje que os argumentos basearam-se em pressupostos falsos.Objectivamente falando, sabemos que os problemas do país resultam dum período de investimento e endividamento de políticas europeias que promoveram o crescimento económico dum país visivelmente atrasado relativamente aos seus congéneres estados europeus.  O modelo de desenvolvimento económico para o país foi desenhado pelo actual PR e alinhou a partir daí a caminhada para as politicas de betão que os governos posteriores continuaram, permitindo aos sectores da construção e da banca um crescimento sem paralelo.  Não obstante, a verdade é que as directivas e visão europeia promoviam sob a bandeira da convergência um alicerçar das economias europeias no crédito como forma de impulso para o crescimento económico.
Com o alargamento da visão Europeia para uma moeda única, os pressupostos e indicadores financeiros para a adesão ao ECU foram maquilhados e são eles que hoje estão na origem do problema. O Euro foi uma moeda que "nasceu torta".


Hoje, e a julgar pela opinião publicada que reconhece a saída do Euro como a única forma para resolver os problemas do país, também me parece mais uma daquelas "verdades" que esconde o principio básico pelo qual devemos lutar:


O EURO É UMA FERRAMENTA FUNDAMENTAL PARA RECLAMAR A DEMOCRACIA NA UE.
Os mesmos que hoje escrevem que Portugal deve sair do Euro, são os mesmos que sustentavam a entrada da TROIKA como a plataforma para a salvação do país. Vejamos ao que nos trouxe a TROIKA e as suas medidas: Desemprego, Recessão e Instabilidade. Nestas três vertentes, não consigo observar vantagens no resgate. A verdade é que hoje o país está mais pobre, produz menos e aumentou a dívida duma forma sem precedentes - percebemos que foi mau negócio!
Ao mesmo tempo, do espalhanço que decorre das políticas Europeias que estão alinhadas com o calendário eleitoral alemão, a Europa tem uma crise de liderança que não promove o diálogo e uma visão comum, mas antes uma ditadura financeira e económica comandada pelo BCE e o seu "Chefe-máximo" Mário Draghi.  Hoje a politica economizou-se, a visão de longo prazo foi substituída pela miopia temporal das tomadas de decisão e não há um rasgo de inteligência que nos coloque no caminho certo. O problema do país não é o Euro, o problema do país é interno e decorre da corrupção dos agentes que hoje promovem estas agendas para se salvarem da falência: A Banca! Não andamos a fazer outra coisa há mais de cinco anos, que não seja promover o resgate financeiro das mesmas instituições que hoje continuam a financiar-se e a anunciar lucros astronómicos enquanto ao mesmo tempo fecham a torneira de crédito às empresas e ao consumo.
Do chumbo do TC esperava o rasgo de PPC para usar essa ferramenta como forma de pressionar as instâncias europeias em renegociar os prazos e as medidas a tomar para recuperar a situação do país. Ao invés, estamos a dar ar para que se faça o oposto. A oposição sem alternativas porque também não tem um liderança capaz de aparecer com um discurso que seja acima de tudo EUROPEU! A SOLUÇÃO ESTÁ NA EUROPA e na forma como a conseguirmos trabalhar. Desde a equidade fiscal, à união bancária, aos agentes reguladores e de notação financeira, o trabalho é longo mas os resultados são sempre melhores que a visão derrotista dum EURO e duma EUROPA em decadência com um fim à vista.
Qualquer retrocesso do projecto europeu que faça um país como o nosso sair ou abdicar duma parte dele, estará incomensuravelmente afectado para os próximo 40-50 anos.  É uma geração perdida que deixa de pensar na Europa para passar a pensar sozinha... deixa de acreditar.
A EUROPA É O MELHOR CAMINHO! Com melhores lideranças, maior representatividade e mais democracia é que podemos encontrar as soluções para os problemas do país e da União. Tudo o resto, faz parte das crenças conservadoras que partilham a versão britânica da UE: Uma espécie de Commonwealth que dá jeito mas que não se quer forte.
Não acredito no fim do Euro, não acredito em profecias da desgraça como base para tomar decisões e acredito na força e na vontade política para encontrar soluções. Se permitirmos que as lideranças se renovem escutando simultaneamente a voz dos cidadãos europeus, encontraremos um propósito comum que nos tire deste filme.

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