Gosto de ti, liberdade.





Ser livre para dizer não.

Ser livre para dizer sim.

Ser livre para decidir.

Ser livre para sonhar.

Ser livre para ser feliz.

Vitor Hugo, em “Os Miseráveis”, dizia que a “soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade.” Liberdade, essa palavra mágica.

No mês da liberdade, interrogo-me: onde está a nossa liberdade? Seremos soberanos de nós próprios? Seremos soberanos do nosso destino?

Coletivamente, não. Não somos livres. Mas temos que ser. E vamos ser.

Podem dilacerar-nos o presente. Estragar empregos, vidas, famílias.

Seguramente, não nos destruirão o futuro. Não nos destruirão o futuro porque o nosso destino é vencer. Vencer em liberdade.

Sei que não vivi os horrores do período salazarento, felizmente. Mas vivo, infelizmente, um tempo em que muitos não podem escolher entre dizer não e dizer sim. Um tempo em que a muitos é negado o direito a sonhar e ser feliz. Em conclusão, um tempo em que muitos não são plenamente livres.

Aprendi em Direito Penal que as penas são intransmissíveis.

Hoje, porém, a realidade desmente o que aprendi nos bancos da Escola: há milhões de Portugueses a cumprir duras penas por atos (e alguns crimes) que outros cometeram. São milhões de Portugueses encarcerados nesta prisão sem grades (aparentes), em que se tornou a nossa vida coletiva.

Em Abril, quando chega Abril? Quando chega o "dia inicial, inteiro e limpo"? Não sei, mas estou certo que chegará.

Liberdade. Ontem, hoje, sempre.

Gosto de ti, liberdade.

Artigo publicado no Diário de Viseu

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