Uma Burla…



A venda de gato por lebre é prática comum no nosso país. Na comunicação social andam vários burlões a vender tais produtos.
O povo português habituou-se a consumir sem saber a origem. Tal situação trouxe até nós, nos últimos anos, vários governantes que sem terem certificado de qualidade e região demarcada, governaram sem cumprir uma única palavra do que prometeram.
Os sacrifícios só têm razão de ser, se tiverem um objetivo definido.
Famílias inteiras passaram dificuldades, deram tudo que de melhor tinham para conseguir dar aos seus membros mais novos melhores condições de vida, com a promessa de que no futuro iriam ter um uma vida melhor. Hoje não é assim.
O retorno de todos os sacrifícios em geral é o engrossar das filas dos desempregados.
O interior é o rosto mais visível do que está a acontecer no país. Sempre fomos fustigados por mais dificuldades do que os outros, mas sempre tínhamos a esperança de algo melhor.
Acontece que fomos burlados… Promessas levou-as o vento, apenas deixando a dura realidade.
Depois de governações irresponsáveis e que apenas visavam o sagrado gesto do voto, chegou a dura realidade.
Os jovens foram burlados, os pais, os avós.
Os compromissos não foram honrados, existe neste momento um acumular de descrença e sofrimento.
Tanta austeridade para quê? Tanto sacrifício? Tantas palavras fáceis?
E agora como saímos daqui?
Segundo alguns dos Burlões a emigração é a solução. Entregamos a geração mais bem preparada de sempre em troca de uns cobres.
Milhões de euros em formação, em desenvolvimento social e cultural de um povo por migalhas.
Sacrifícios para quê? Faço novamente a pergunta…
A nossa região sempre teve muito marcada pela emigração, não é vergonha nenhuma tal facto… Devemos ter orgulho do passado, devemos ter orgulho de ser reconhecidos pelos outros, como trabalhadores de excelência.
Mas temos de ter vergonha de permitir tantos e tantos burlões de nos venderem gato por lebre, de permitirem a desertificação do interior, de não criarem condições que permitam a fixação dos jovens nas suas aldeias, nas suas vilas e cidades.
O nosso concelho está a sofrer uma emigração quase em massa, as gerações dos 70 e 80 praticamente desapareceu. Aqueles que estão preparados para desenvolver a sua comunidade não conseguem estabelecer-se, não têm as condições necessárias.
Atenção às burlas, muito cuidado! Não podemos comer, novamente, gato por lebre!

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