Novas Políticas Municipais e o Empreendedorismo no Feminino



A capacidade de inovação e a competitividade do nosso concelho depende significativamente da forma como vamos conseguir empreender novos projectos para o futuro. Nesse contexto deveremos perceber a importância que as mulheres podem e devem ter na criação e gestão das empresas.
São conhecidas as dificuldades que, tradicionalmente, as mulheres têm nesta área particular do empreendedorismo empresarial. Seja por questões de cultura, educação ou de dificuldade de conciliação entre a vida familiar e a vida profissional, a verdade é que todos estes factores têm moldado e condicionado a entrada das mulheres na conquista do universo empresarial, construído sobre modelos e padrões de sucesso, profundamente masculinizados, e do qual excluíram as mulheres como sujeitos de ambições e de desafios.
O que me leva a crer que vivemos hoje numa sociedade ainda envolta num profundo equívoco, que não tem permitido às mulheres viver o seu verdadeiro papel, que é tão só o de se sentir realizada e valorizada, enquanto pessoa humana, independentemente de todos os credos e, naturalmente, de sexos.
Mas nem tudo na crise é mau ou negativo. Com efeito, o aumento do desemprego, principalmente nas mulheres, levou a que cada vez mais apostassem na criação do seu próprio emprego, mas, ainda mais importante do que isso, com sucesso, visto que a taxa de sobrevivência destas empresas, no final de 2 anos, é de 80%.
Não querendo aprofundar o debate necessário sobre as questões de igualdade de género, é fundamental que o próximo executivo do Município de Viseu desenvolva políticas nesta área. Ao longo destes anos uma profunda passividade tem dominado a sua actuação também neste domínio.
É pois chegado o momento de mudança, procurando recuperar todo esse tempo perdido.
Há que implementar e potenciar uma política municipal de empreendedorismo, em particular o empreendedorismo no feminino, inovando e qualificando o nosso concelho. É de desenvolvimento que estamos a falar! Uma política que estimule as mulheres para a criação de empresas, apoiando as novas promotoras de negócios, designadamente através do microcrédito, defendendo a sua sustentabilidade, desenvolvendo qualificações e competências para potenciais jovens empreendedoras, disseminando a informação numa rede de parcerias municipais geradoras de sinergias locais. Enfim, um sem número de medidas que podem ser tomadas de forma a potenciar todas as qualidades que as mulheres, cada vez mais qualificadas, mais determinadas, mais assertivas, mais ambiciosas, e porque não, mais corajosas e com mais “garra”, têm vindo a revelar nos últimos anos.
É toda uma nova cultura empresarial que se exige para este concelho.
Uma Nova Gestão Municipal, actuante e pró-activa. Só assim se podem mitigar atrasos de décadas, inconcebíveis face às mudanças verificadas em muitos outros concelhos do País e no resto da Europa mais desenvolvida.


Andreia Parente Coelho

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