Valores da Democracia

Vislumbrar um oásis no meio da crise não é tarefa para qualquer um.

A medir pela ameaça de manifestações, pelos números do desemprego, pela opinião publicada e pelas cedências que se começam a verificar nas directrizes que nos governam(ainda que pequem pelo tempo); o governo está claramente em contagem decrescente. Na verdade está desde que tomou posse. 



O que resta saber é se terá capacidades para aguentar o mandato de que não dispõem para cumprir o programa vigente.
Não obstante, contrariar a situação será difícil e um processo lento. A retoma do crescimento económico vai fazer-se à custa do confisco do estado em troco de menos serviços. Destas políticas decorrem os números actuais. Recessão e mais recessão. A escassez de projectos alternativos coloca-nos num profundo estado de ansiedade que demove os sonhos e as esperanças das gerações futuras. E com isto matamos o futuro por abraçar o curto prazo em nome da recapitalização da banca. É um assalto!

Pois sejam bem-vindos ao Presente. É este o cenário que nos colocam. Hipotecando o futuro desta geração, corropendo os processos democráticos, comprometendo os valores democráticos da sociedade.
 
Cabe-nos responder, lutar, enfrentar as consequências da má gestão dos últimos 30 anos e re-afirmar que a politica se faz de valores. De princípios!

Para já o melhor que temos é uma democracia em que os problemas não decorrem do processo democrático em si mas da corrupção partidária. A ilusão de maior representatividade das populações aliada à falta de renovação politica nos vários órgãos de soberania que elegemos, as pedras na engrenagem surgem... Talvez por por incapacidade ou por falta de interesse. Mas não deixa de ser curioso que nas actuais circunstâncias, as figuras sejam sempre as mesmas. Finalmente na altura do adeus, enchem o peito de ar e tentam reclamar o que é seu... por direito,por estatuto?! A escolha dos candidatos para estas eleições autárquicas a nível nacional tem mostrado casos inacreditáveis. Os substitutos dos actuais presidentes não são fáceis de escolher. Não por não estarem a altura, porque não faltam escadotes que os coloquem lá, mas porque a intenção é regressar. Como se a escolha à partida já estivesse feita.É esta forma de pensar no país, colocando as ambições pessoais à frente do sentido de estado que nos deixaram nesta posição. Devemos aproveitar alturas como estas para repensar as nossas escolhas e invocar princípios que sejam aqueles que deverão reger as sociedades futuras no caminho do progresso, do equilíbrio social e duma economia sustentável e em paz com o Mundo.

Pensar na postura de alguns presidentes cessantes e na forma como pretendem contornar a limitação de mandatos como uma espécie de Presidentes não-executivos, ou substitutos de "colegas", deve ser uma prioridade moral que deve ter peso na reflexão eleitoral. Associado a isto, repensar seriamente quem é que os candidatos apoiam na conjuntura actual. Se fazem parte da linha doutrinária daqueles que nos governam, ou se são dos que se assumem como uma força de oposição contra uma linha governativa que estrangula o país!

A importância de dizer basta transmite-se no voto! A desilusão é grande, mas desacreditar e ser displicente é um luxo, ao qual já não temos direito.
A julgar pela postura dos partidos na escolha dos seus candidatos às autarquias, a decisão de voto não me parece difícil... Difícil só mesmo acreditar que o caminho é isto: A devassidão dos valores da democracia em detrimento de tudo o resto.

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