Cursos Superiores em 2 anos e o Simplex no Centro de Emprego

   
        Numa altura em que o desemprego jovem ronda os 40%, eis que o Governo encontrou a solução milagrosa para combater este flagelo: a criação de cursos superiores com 2 anos de duração. Trata-se de uma espécie de novo bacharelato, algo que fica a meio caminho entre o 12º ano e a licenciatura.
  
       Hoje em dia temos diversas “licenciaturas à bolonhesa” com a duração de 3 anos que por si só enviam para o “parque de estacionamento do desemprego” milhares de jovens. E aqueles que, com essa licenciatura, conseguem ser canalizados para o mercado de trabalho encontram-se numa situação precária. Afinal, o que podemos esperar desta nova modalidade “à Relvas”? Será que vai resolver o problema do desemprego jovem em Portugal ou apenas criar a ilusão de um acesso fácil e rápido tanto a um diploma como ao mercado de trabalho?
   
      O ensino superior precisa de uma reforma séria e objectiva assente numa rede estruturada de universidades e politécnicos onde a oferta de cursos superiores, em quantidade e qualidade, esteja ajustada às reais necessidades do país. Sem isso, será cada vez mais difícil concentrar o investimento efectuado na educação com vista à criação de empresas/serviços e empregos.
      
       E não é só o ensino superior que deve ser reestruturado. Os próprios serviços públicos precisam de se adaptar ao simplex dos tempos modernos. Tanto os recursos humanos como os informáticos que encontramos no Centro de Emprego, por exemplo, podiam começar por não dificultar a resposta a quem procura emprego! Aqui ficam dois depoimentos encontrados nas redes sociais que evidenciam as lacunas existentes:

“A funcionária pública que me recebeu no seu gabinete informou-me que a inscrição teria que ser presencial e no Centro de Emprego da área da minha residência. Posteriormente soube que a mesma podia ser efectuada comodamente via online.”

“Hoje fui ao Centro de Emprego de Almada inscrever-me e, quando finalmente chega a minha vez, começo a responder às perguntas que a funcionária me colocava, desde dados pessoais até à formação académica. Eis que surge a questão: Qual é a sua profissão? Ao que eu respondo "Psicomotricista". Parece que no sistema essa profissão não existe, pelo que tive de escolher de entre um leque de outros nomes que me foram ditos, o que se parecesse mais adequado. Um sistema nacional que não tem um nome da profissão para um curso que existe em 5 Universidades, para a qual existem professores a lecionar, pessoas a receberem intervenção na sociedade e, mais importante que tudo, estudantes a dedicarem-se e a tentarem construir um projeto de vida. Sou um desempregado motivado na procura de emprego, mas triste por não conseguir sequer ter profissão oficial.”

1 comentário:

  1. Obrigado pela partilha do meu depoimento! É importante que esta info chegue o mais longe possível.

    Cumprimento,

    Renato Morais

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