Economia e Emprego: Uma nova prioridade politica



A criação de riqueza é um factor absolutamente determinante para o futuro do nosso país. Só por via do crescimento económico, sustentado, será possível retomarmos uma trajectória de criação de emprego e, por conseguinte, de riqueza. Ao invés, este Governo tem preferido uma política cega de consolidação orçamental, geradora de pobreza e miséria social. Esta política catastrófica tem conduzido o país para taxas de desemprego nunca antes vistas e, até hoje, impensáveis de poderem ser atingidas. Os últimos dados do INE apontam para valores próximos dos 17% de taxa nominal de desemprego, sendo que o desemprego real deve andar hoje muito próximo dos 21%, dado o número muito elevado de cidadãos que desistiram de procurar trabalho e que nem sequer estão inscritos nos Centros de Emprego. A vergonha destes números esconde uma outra realidade ainda mais sombria, o número oficial de jovens desempregados, segundo o INE, é na ordem dos 40%, ou seja, quase metade dos jovens deste país estão sem emprego.
Na verdade, há muito que este Governo adoptou a máxima “Este País Não é para Jovens”, e os exemplos são mais do que muitos. E se até há algum tempo eu não me importava, afinal de contas era só com o amigo do amigo do amigo, agora a realidade é bem mais próxima. É a amiga licenciada que trabalha numa caixa do “Continente”, é a colega de faculdade que até já acabou o mestrado mas nunca teve um único emprego, é outra colega que, não obstante ter sido das melhores alunas do curso, trabalha num “call center” da “PT”, é o primo que foi trabalhar para Londres, já para não falar daqueles que, até têm um emprego, mas à custa de contratos a termo, renovados “ad eternum”, com base num salário mínimo, ou verdadeiros trabalhadores, mascarados de prestadores de serviços para assim serem pagos a recibos verdes.
E o nosso concelho não foge a esta tragédia social, bem pelo contrário, os números são ainda mais alarmantes e preocupantes. Senão vejamos, Janeiro atingiu o maior número de desempregados de sempre, quanto aos jovens desempregados subiu relativamente ao período homólogo 20%, mas desde o início de funções deste Governo o número subiu mais 58%.
Urge portanto encontrar soluções e inverter as opções politicas tomadas, nas duas últimas décadas no concelho. É necessário criar incentivos para que as empresas se comecem finalmente a instalar em Viseu.
A cedência de lotes para a implantação de actividades industriais, a um preço simbólico ou mesmo a custo zero, de forma a fomentar a criação de emprego, isenções e benefícios fiscais, nomeadamente, em matéria de Imposto Municipal sobre Imóveis, Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis, e Derrama, que levem a uma autentica reforma fiscal local, a comparticipação em despesas correntes, como electricidade, e serviços de consultadoria externa, tudo mediante a obrigatoriedade de manutenção dos postos de trabalho criados, são algumas medidas que, com certeza, permitirão criar um ambiente estimulante de eficiência empresarial, que proporcione uma acrescida dinamização da iniciativa privada na vida económica local, através do fortalecimento da respectiva estrutura empresarial e da promoção do reforço da base produtiva local.
Os problemas dos munícipes, são os problemas do município, que não pode mais continuar alheado, remetendo-se ao mais olímpico silêncio. Há portanto que mudar de atitude, criando uma “Via Verde” para a nossa economia local e colocando finalmente Viseu na rede das cidades desenvolvidas, modernas e sustentadas.  
Andreia Parente Coelho

Terceira edição do "CAFÉ COM.."


CAFÉ COM... José Junqueiro, Miguel Ginestal e Joaquim A. Rodrigues

O FUTURO DE VISEU 

Estamos a pouco mais de meio ano das Eleições Autárquicas. O PSD (des)governa Portugal. O PSD-Viseu perderá o seu líder após 24 anos. As pessoas estão desiludidas: com as condições de vida, com a ausência de perspectivas de futuro, mas também com os políticos.

O PS tem de compreender isso. Mas a JS também. Temos de “ouvir mais a rua” e conseguir explicar as nossas alternativas. Não só a nível nacional, mas também em Viseu. Ouvir e estar à altura dos compromissos que assumimos. Para além disso, é essencial conhecer o passado, respeitar posições assumidas e olhar em frente com mais convicção.

A Concelhia de Viseu da Juventude Socialista lançou em 2012 a iniciativa "CAFÉ COM...", que pretendia ser um ciclo de tertúlias aberto a todos os cidadãos interessados, com a presença de personalidades que partilhariam os seus pontos de vista sobre o tema da sessão, lançando o debate para a plateia.

A primeira edição decorreu em Abril de 2012, com a presença de Elísio Estanque (Sociólogo, Investigador do Centro de Estudos Sociais e Docente Universitário), convidado para nos falar sobre “Os Jovens, a Política e o Associativismo”.

Em Julho de 2012, organizou-se a segunda edição. Desta vez, o tema foi “Ser Socialista no séc. XXI”, tendo como convidado Pedro Nuno Santos (Economista e Deputado do PS na Assembleia da República).

O pressuposto do próximo “CAFÉ COM…” será outro: discutir Viseu, conhecendo o passado, analisando o presente e prevendo o futuro.

Assim, temos como propósito lançar como tema “O Futuro de Viseu”. Para isso, iremos contar com a presença de 3 personalidades: José Junqueiro, Miguel Ginestal e Joaquim Alexandre Rodrigues. São personalidades bem conhecidas que lideraram projectos pelo PS para o concelho de Viseu. Deram a cara num concelho difícil para dar ao PS a oportunidade de fazer de Viseu um concelho diferente.

Tenho a certeza que o conseguiriam fazer. Teriam outras apostas, outras políticas, no sentido do desenvolvimento de Viseu, e não só do seu crescimento.

Numa fase em que José Junqueiro ouve os viseenses por todo o concelho no âmbito da candidatura do PS à Câmara Municipal de Viseu, temos como objectivos entender as diferenças nas propostas do PS ao longo dos últimos anos, e discutir como será Viseu daqui a 20 anos.

Será uma honra ter estas 3 personalidades juntas para debater connosco e será também um gosto contar com a presença de todos os viseenses que queiram partilhar os seus anseios e desejos para o futuro do nosso concelho.

Estamos certos que 2013 será o ano de viragem no concelho de Viseu. Mas não basta lutar pela liderança da Câmara Municipal. Temos de saber o que vamos para lá fazer, cumprindo uma governação municipal à altura dos novos desafios.

Estão todos convidados para este debate – dia 2 de Março (Sábado), pelas 21h30, no Hotel Príncipe Perfeito.

Recordar o rosto da Utopia

Eu sei o que não quero


Portugal é um país com classe. Por muito menos do que isto Atenas foi pilhada; incendiada e roubada. Não vamos aqui discorrer sobre o Grândola Vila Morena porque sobre isso já sobra tinta. Vamos discorrer sobre a oportunidade do PS de assumir os comandos do país.
Há uns dias alguém escrevia  que o PM tinha o plano perfeito: em 2013 aguenta-se; em 2014 tira de cá a troika e em 2015 está pronto para apresentar um orçamento mais folgado, ano, também ele, de eleições. Errado. Isto é tudo menos um plano perfeito se o PS se assumir.
Almeida Henriques na sua página do Facebook não publica outros factos que não sejam evoluções na economia – “Portugal registou mais de 500M de euros em exportações para a Venezuela”, pode ler-se na página do Secretário de Estado. Paulo Macedo diz que na saúde diminuíram custos e que o sistema está mais eficiente. E os números? Os números dizem que o desemprego deve ultrapassar a escala dos 17% em 2013. Mas afinal em que ficamos?
Já aqui dissemos que a subida dos degraus do descontentamento levaria à subida dos degraus da AR. Não foram os da AR. Foram os do ISCTE. E assim vai o país – num limbo.
A sétima avaliação da  Troika arranca hoje e esta pode ser decisiva. Dependo do que aí venha, a contestação social pode aumentar para proporções nunca antes vistas e o Governo pode mesmo ver-se obrigado a ir a eleições. Mas já alguém se perguntou se isto é realmente bom para o país?
Ir a eleições não significa só retirar o poder a quem neste momento o assume, significa dá-lo a alguém. Mas a quem? Ao PS sem uma maioria? Uma coligação PS/PSD?
O PS pode disparar no sentido de voto se se assumir. Se disser o que pensa para o país. Esta coisa de não se assumir e deixar que o PSD se afunde sozinho está rompida de tão gasta. E tudo se resume às autárquicas. Vai  o PS começar a assumir posições vinculantes com as autárquicas à porta? A resposta está boa de ver e melhor de ouvir.
Manifestantes que não sabem o que querem ,porque só sabem o que não querem este Governo não ajudam o país. A CGTP, por exemplo, tem sido ao longo destes anos um dos maiores cancros para qualquer Governo. Por falar nisso, alguém se lembra de uma proposta que a CGTP tenha apresentado?
Manifestantes sem norte e PS sem rumo dividem, pois ,a culpa do estado do país. Esperemos que estes manifestantes, que são cidadãos e eleitores, juntamente com o PS, saibam o que querem para o país. Que pode ser muito diferente do melhor para eles e para o partido.
É que o povo é quem mais ordena, mas este povo e governantes que hoje entoam cânticos se se lembram da segunda senha do 25 Abril, também deveria lembrar-se da primeira. E a primeira termina como eu espero que não termine o país: “E depois do amor; E depois de nós; O adeus; O ficarmos sós.”


André Matias Almeida
Trainee Lawyer at
Jardim,Sampaio, Magalhães e Silva & Associados

O novo hospital de Lamego e o centro hospitalar Tondela-Viseu

José Sócrates de visita às obras do novo hospital (30.04.2011)

1. Uma das aspirações mais antigas dos lamecenses e das populações do Douro-sul foi finalmente coroada de êxito. Refiro-me ao novo hospital de Lamego que entrou em funcionamento no dia 11 de fevereiro, data que passará a ser marcante para a qualificação e amplificação da acessibilidade à saúde de todos os utentes desta vasta região duriense.
Foi pela mão de um governo do Partido Socialista, liderado por José Sócrates, que foi dado este impulso, aprovando-se o programa funcional, lançando-se o projeto e iniciando-se a construção de um hospital de proximidade, agora entrado em funcionamento, e assim colocando-se um ponto final nos prestimosos serviços prestados pelo anterior hospital, estrutura com mais de cem anos.
Hoje, portanto, volvidos alguns anos de trabalhos concretos, mas também de controvérsias, e volvidos 42 milhões de euros de investimento, regista-se com agrado a grande convergência de todos com a mais-valia desta infraestrutura, sejam autarcas, profissionais de saúde ou populações. Estamos, de facto, perante uma excelente infraestrutura de saúde dotada das mais modernas e avançadas tecnologias a nível médico e cirúrgico e que importa agora acarinhar por parte dos governantes, dotando-a das especialidades que lhe são devidas e que estavam previstas.
Há também uma justa palavra de apreço para com o conselho de administração, presidido por Carlos Vaz, que se impõe, pelo trabalho dedicado e pela sua capacidade de nunca desistir face às muitas contrariedades e críticas, quantas vezes simplistas, de que foi alvo.
Em suma estão de parabéns todos os lamecenses e toda a população do Douro-sul.
2. Estive no dia 18 de fevereiro nas comemorações do dia do centro hospitalar Tondela-Viseu e do seu padroeiro, S. Teotónio. Foi uma cerimónia em que foram distinguidos, e bem, muitos profissionais que ali prestam serviço, bem como o presidente do município de Viseu pelo trabalho de cooperação efetuado em favor desta unidade de saúde, nomeadamente, à época da sua construção, pela disponibilidade demonstrada na resolução de problemas diversas.
Do presidente do conselho de administração do centro hospitalar registo a palavra para os deputados do PS e do PSD, presentes, dizendo da sua disponibilidade para reunir com eles. Como para reunir há necessidade de duas vontades aqui deixo a do PS e já agora a informação de que os deputados do PS sempre que haja problemas que o justifiquem continuarão a questionar o seu interlocutor, o ministro da saúde, sobre as matérias que estiverem em causa, nomeadamente sobre o Centro Oncológico de Viseu que tarda em ver a luz do dia, quando todo o processo para o seu lançamento ficou concluído do governo anterior, portanto há dois anos.
Acácio Pinto
Notícias de Viseu

Cursos Superiores em 2 anos e o Simplex no Centro de Emprego

   
        Numa altura em que o desemprego jovem ronda os 40%, eis que o Governo encontrou a solução milagrosa para combater este flagelo: a criação de cursos superiores com 2 anos de duração. Trata-se de uma espécie de novo bacharelato, algo que fica a meio caminho entre o 12º ano e a licenciatura.
  
       Hoje em dia temos diversas “licenciaturas à bolonhesa” com a duração de 3 anos que por si só enviam para o “parque de estacionamento do desemprego” milhares de jovens. E aqueles que, com essa licenciatura, conseguem ser canalizados para o mercado de trabalho encontram-se numa situação precária. Afinal, o que podemos esperar desta nova modalidade “à Relvas”? Será que vai resolver o problema do desemprego jovem em Portugal ou apenas criar a ilusão de um acesso fácil e rápido tanto a um diploma como ao mercado de trabalho?
   
      O ensino superior precisa de uma reforma séria e objectiva assente numa rede estruturada de universidades e politécnicos onde a oferta de cursos superiores, em quantidade e qualidade, esteja ajustada às reais necessidades do país. Sem isso, será cada vez mais difícil concentrar o investimento efectuado na educação com vista à criação de empresas/serviços e empregos.
      
       E não é só o ensino superior que deve ser reestruturado. Os próprios serviços públicos precisam de se adaptar ao simplex dos tempos modernos. Tanto os recursos humanos como os informáticos que encontramos no Centro de Emprego, por exemplo, podiam começar por não dificultar a resposta a quem procura emprego! Aqui ficam dois depoimentos encontrados nas redes sociais que evidenciam as lacunas existentes:

“A funcionária pública que me recebeu no seu gabinete informou-me que a inscrição teria que ser presencial e no Centro de Emprego da área da minha residência. Posteriormente soube que a mesma podia ser efectuada comodamente via online.”

“Hoje fui ao Centro de Emprego de Almada inscrever-me e, quando finalmente chega a minha vez, começo a responder às perguntas que a funcionária me colocava, desde dados pessoais até à formação académica. Eis que surge a questão: Qual é a sua profissão? Ao que eu respondo "Psicomotricista". Parece que no sistema essa profissão não existe, pelo que tive de escolher de entre um leque de outros nomes que me foram ditos, o que se parecesse mais adequado. Um sistema nacional que não tem um nome da profissão para um curso que existe em 5 Universidades, para a qual existem professores a lecionar, pessoas a receberem intervenção na sociedade e, mais importante que tudo, estudantes a dedicarem-se e a tentarem construir um projeto de vida. Sou um desempregado motivado na procura de emprego, mas triste por não conseguir sequer ter profissão oficial.”

Valores da Democracia

Vislumbrar um oásis no meio da crise não é tarefa para qualquer um.

A medir pela ameaça de manifestações, pelos números do desemprego, pela opinião publicada e pelas cedências que se começam a verificar nas directrizes que nos governam(ainda que pequem pelo tempo); o governo está claramente em contagem decrescente. Na verdade está desde que tomou posse. 



O que resta saber é se terá capacidades para aguentar o mandato de que não dispõem para cumprir o programa vigente.
Não obstante, contrariar a situação será difícil e um processo lento. A retoma do crescimento económico vai fazer-se à custa do confisco do estado em troco de menos serviços. Destas políticas decorrem os números actuais. Recessão e mais recessão. A escassez de projectos alternativos coloca-nos num profundo estado de ansiedade que demove os sonhos e as esperanças das gerações futuras. E com isto matamos o futuro por abraçar o curto prazo em nome da recapitalização da banca. É um assalto!

Pois sejam bem-vindos ao Presente. É este o cenário que nos colocam. Hipotecando o futuro desta geração, corropendo os processos democráticos, comprometendo os valores democráticos da sociedade.
 
Cabe-nos responder, lutar, enfrentar as consequências da má gestão dos últimos 30 anos e re-afirmar que a politica se faz de valores. De princípios!

Para já o melhor que temos é uma democracia em que os problemas não decorrem do processo democrático em si mas da corrupção partidária. A ilusão de maior representatividade das populações aliada à falta de renovação politica nos vários órgãos de soberania que elegemos, as pedras na engrenagem surgem... Talvez por por incapacidade ou por falta de interesse. Mas não deixa de ser curioso que nas actuais circunstâncias, as figuras sejam sempre as mesmas. Finalmente na altura do adeus, enchem o peito de ar e tentam reclamar o que é seu... por direito,por estatuto?! A escolha dos candidatos para estas eleições autárquicas a nível nacional tem mostrado casos inacreditáveis. Os substitutos dos actuais presidentes não são fáceis de escolher. Não por não estarem a altura, porque não faltam escadotes que os coloquem lá, mas porque a intenção é regressar. Como se a escolha à partida já estivesse feita.É esta forma de pensar no país, colocando as ambições pessoais à frente do sentido de estado que nos deixaram nesta posição. Devemos aproveitar alturas como estas para repensar as nossas escolhas e invocar princípios que sejam aqueles que deverão reger as sociedades futuras no caminho do progresso, do equilíbrio social e duma economia sustentável e em paz com o Mundo.

Pensar na postura de alguns presidentes cessantes e na forma como pretendem contornar a limitação de mandatos como uma espécie de Presidentes não-executivos, ou substitutos de "colegas", deve ser uma prioridade moral que deve ter peso na reflexão eleitoral. Associado a isto, repensar seriamente quem é que os candidatos apoiam na conjuntura actual. Se fazem parte da linha doutrinária daqueles que nos governam, ou se são dos que se assumem como uma força de oposição contra uma linha governativa que estrangula o país!

A importância de dizer basta transmite-se no voto! A desilusão é grande, mas desacreditar e ser displicente é um luxo, ao qual já não temos direito.
A julgar pela postura dos partidos na escolha dos seus candidatos às autarquias, a decisão de voto não me parece difícil... Difícil só mesmo acreditar que o caminho é isto: A devassidão dos valores da democracia em detrimento de tudo o resto.

O financiamento… Filhos e enteados



Temos muitos tipos de financiamento, todos eles favorecem algo ou alguém. Mas será que são justos? São representativos das necessidades? Representam os verdadeiros interesses das populações? São distribuídos equitativamente? São entregues por todos os que precisam e têm direito?
Tantas perguntas e infelizmente existem tão poucas respostas.
Ao que parece, em Portugal ainda existem locais onde o feudalismo impera, sítios onde os tributos do povo ainda são entregues, não pela justiça, pelo mérito, pelo reconhecimento, mas sim por um sistema de forais e de títulos nobres.
Infelizmente, e como vem sendo hábito, a Autarquia de Sátão cópia normalmente todos os maus exemplos em seu redor.
Vivemos num feudo onde os “servos de gleba”, além de não saberem bem onde a sua talha é investida, também não percebem bem a justiça da distribuição do seu Tributo.
Peço desculpa pelo que vou fazer, mas ao contrário do que manda a regra os nomes serão esquecidos.
Um dos vozeiros do concelho veio anunciar a aplicação da talha, anuncio esse que muito me alegra, pois demostra transparência. Talvez pensando melhor um gato escondido com o rabo de fora.
Por outro lado, parece-me um atentado à moral, estando o país como está, o que tal vozeiro anunciou. Serão justos ou injustos? Deixo ao cuidado da moral de cada um dos leitores.
Num Feudo pobre, onde existem tantos forais, (é certo que uns com mais dimensão que outros, uns com mais unto que outros, mas isso agora não interessa nada), sejam apenas publicados alguns. A lei não obriga a mais, mas a bem da clareza pede-se mais.
As perguntas atrás referidas pedem para ser pensadas… Reflitam sobre elas… Questionem o seguinte: Será justo que quem arrisca a vida por nós não tenha o mesmo tributo de quem não o faz? O reconhecimento, o direito e a necessidade são sempre discutíveis, mas será que a entrega da vida também o é?
Infelizmente tal acontecimento acontece por todo o Reino de Portugal. Tributos que são injustamente distribuídos, direitos adquiridos de forma estranha e, o pior de tudo, é que todos acham tal facto normal.
Mas o que é inaceitável noutros ofícios, em política é bom senso. Como se diz na gíria: uns são filhos e, infelizmente, outros são enteados.

O bola de ouro das PPP e a obra de ouro para os viseenses


1. Vem este título a propósito de uma audição do secretário de estado das obras públicas, dos transportes e das comunicações, Sérgio Monteiro, na Comissão Parlamentar de Inquérito à Contratualização, Renegociação e Gestão de todas as Parcerias Público-Privadas do Sector Rodoviário e Ferroviário.
Com efeito, nessa audição o deputado socialista Manuel Seabra inquiriu o secretário de estado sobre o seu envolvimento nas parcerias público-privadas e a conclusão foi inequívoca: Sérgio Monteiro, afinal, tem a sua assinatura em doze (uma dúzia!) das parcerias que vêm do governo anterior e que tanto este governante tem vindo a denegrir e a considerar ruinosas, agora, mas que à época disse que o modelo em concreto salvaguardava os interesses do estado. E foi isto mesmo que levou o deputado socialista Manuel Seabra a dizer que o campeão europeu e “o bola de ouro das PPP” está em Portugal, é governante da coligação PSD/CDS, natural do distrito de Viseu e chama-se Sérgio Monteiro.
Ou seja, afinal para este governante as tais parcerias eram um bom modelo para a execução de obras públicas e não o contrário, como andou a apregoar!
2. Neste contexto, uma segunda nota para trazer à colação a nova autoestrada Viseu-Coimbra, pois nos tempos que correm aquilo que os viseenses gostariam de saber era o que pensa o governo, nomeadamente os governantes das obras públicas, de Viseu, quer o ministro, Álvaro Santos Pereira, quer o secretário de estado, Sérgio Monteiro, sobre esta ligação que dará sequência à A24.
E o que se exige ao PSD, aos seus governantes e deputados, é que falem claro sobre esta matéria, eles que tanto combateram na comunicação social e na Assembleia da República a solução apresentada pelo anterior governo do PS. E falar claro é dizer de uma forma inequívoca qual o cronograma para a execução desta via estrutural para o país e crucial para a região centro, ainda por cima se não existem na sociedade divergências de monta quanto à questão das portagens, caso se mantenha o atual IP 3, requalificado.
Ou seja, os viseenses deixaram de estar disponíveis para querelas políticas estéreis e aquilo que exigem é uma palavra, que merecem, sobre uma obra em concreto que une autarcas, agentes económicos e sociais e populações independentemente das suas opções políticas e partidárias.
Direi mesmo que se há uma “obra de ouro” para as populações da região de Viseu ela é sem dúvida a nova AE Viseu-Coimbra.
Acácio Pinto
Notícias de Viseu

Democracia Participativa e as Eleições Autárquicas em Viseu

As Eleições Autárquicas, no final deste ano, serão um momento de viragem para Viseu. O novo ciclo político terá pela frente uma realidade muito diferente daquela que dominou o Concelho nas duas últimas décadas, governadas pela maioria PSD e lideradas por Fernando Ruas - período muito marcado por um quadro de orçamentos e fundos comunitárias abundantes, políticas municipais muito no registo do obreirismo infra-estrutural e assentes numa lógica de financiamento de dinheiro fácil e barato. Esta lógica, que se esgotou, culminou num quadro de fortíssimo endividamento dos municípios e numa excessiva carga fiscal sobre os Munícipes, onde Viseu não é naturalmente excepção, condicionando fortemente a sustentabilidade das políticas municipais no futuro.
A grave crise que os Portugueses e o País atravessam obrigará, durante pelo menos uma década, a um novo quadro de fortíssimas restrições financeiras, na gestão dos dinheiros públicos, a uma maior exigência na administração e a uma maior transparência da aplicação dos recursos públicos. Os cidadãos deverão, por isso, exercer uma monitorização atenta e permanente das políticas municipais participando activamente na sua gestão. Uma gestão mais exigente e partilhada por todos, se quisermos uma Gestão Municipal co-responsável.
Sou adepto de um modelo de Democracia Participativa. Nele, os cidadãos, devem intervir de uma forma activa e permanente na vida política da sua cidade, da sua freguesia e do seu concelho. Acredito que a Democracia não se esgota nos simples momentos eleitorais e que vai muito para lá deles. Contudo, para que tal aconteça os cidadãos e a Sociedade Civil, em geral, têm que empenhar-se em processos de participação para lá dos momentos eleitorais. Mecanismos como o Orçamento Participativo são um bom instrumento de partilha dessas decisões aproximando os cidadãos das responsabilidades e das decisões públicas. A maior transparência nos processos de tomada de decisão das Escolhas Colectivas do Município e a auscultação permanente dos cidadãos são também mecanismos fortes de mobilização e participação política.
A exigência que se colocará a Viseu nos próximos anos será por isso difícil de ultrapassar sem uma nova prática política municipal. Este executivo municipal, liderado pelo PSD, já se mostrou incapaz de o fazer porque ainda assenta a sua prática política num exercício de autoridade municipal do “quero, posso e mando” desajustado aos novos tempos da política.
A candidatura do Partido Socialista ao Município de Viseu, que naturalmente apoio, tem por isso uma responsabilidade acrescida: apresentar uma alternativa que seja capaz de mobilizar os cidadãos e a Sociedade Civil para, em conjunto, apresentarem uma alternativa ao cinzentismo de uma maioria PSD esgotada e em final de ciclo, incapaz de estar à altura das novas exigências de um Governo Municipal. É por isso chegado o momento de unir esforços e mobilizar-nos para fazer triunfar essa alternativa. Parece claro que chegou o momento de uma verdadeira mudança no Município de Viseu.
Alexandre Azevedo Pinto, Economista

A Grécia aqui tão perto?






Se esta crise podia ter algum mérito, era o mérito de nos fazer pensar. Pensar nas causas e nos erros cometidos. Identificar os protagonistas que nos fizeram mergulhar neste caos. Refletir sobre as práticas e condutas indignas que provocaram um número indeterminável de vítimas e de vidas dilaceradas.

Parar para pensar. Refletir. Há anos que escrevo sobre essa necessidade mas, infelizmente, a verdade é que tudo aparenta estar bem, quando os bolsos de quem decide estão bem.

Na semana passada, as imagens de cidadãos gregos a suplicar por sacos de fruta e legumes, junto de uma manifestação de agricultores correram mundo. Os olhares angustiados, as mãos levantadas, os empurrões e a tristeza desses rostos são devastadores.

Quem são estes cidadãos gregos, que aparecem nestas imagens? O site grego Newsit escreveu que “… estas pessoas não são pedintes. São vítimas de uma crise económica que como um furacão passou e deixou por terra famílias inteiras. São vizinhos que até ontem tinham empregos e uma vida normal. Hoje estas pessoas, engolindo o seu orgulho e dignidade, vão onde quer que seja preciso para encontrar um pouco de comida gratuita, como fizeram aqui”.

Ou seja, as pessoas que nessas imagens suplicam, angustiadas, por legumes e fruta são pessoas que até há bem pouco tempo tinham uma vida estável, emprego, casa, comida e família. Hoje sobrevivem com dificuldades até há bem pouco tempo inimagináveis.

Estará a Grécia aqui tão perto? Será que junto de nós não existem pessoas com esta angústia? Será que não há em Portugal uma pobreza envergonhada, que sofre no silêncio? Claro que há. E custa! Custa saber que essas dificuldades existem à nossa volta e que hoje afetam uns e amanhã irão afetar outros. Um dia, se já não hoje, um de nós poderá estar nesta situação.

Por tudo isto, revolta-me que em Portugal ainda haja um sentimento de que tudo está bem quando as dificuldades estão na porta ao lado. Revolta-me que estejamos preocupados com sondagens, jogos de poder e bastidores, sem que nos preocupemos primeiramente com o que interessa: as Pessoas.

Não sou um cético da política, nem dos políticos. Mas não consigo perceber que a política não se foque no diagnóstico dos problemas e na busca de soluções. Não consigo perceber que a política continue num patamar distante dos problemas das populações, reinando sobre a vida de todos e de cada um, com base em estatísticas e em números. 

É urgente ter os melhores a abraçar a causa pública. É urgente ter nas lideranças públicas pessoas que conheçam os problemas, as dificuldades e que deem respostas e um horizonte de esperança aos cidadãos. Amanhã é tarde.

A Grécia aqui tão perto?

Artigo publicado no Diário de Viseu

Viseu – Autárquicas 2013



Em Outubro deste ano os Viseenses serão chamados a pronunciarem-se sobre o futuro do seu concelho. As eleições autárquicas serão um momento particularmente singular para a história política de Viseu, uma vez que marcam o culminar de seis mandatos consecutivos do PSD na Câmara      , liderados pelo Dr. Fernando Ruas, dada a limitação da Lei 46/2005 de 29 de Agosto, que impede os autarcas de se recandidatarem a mais de três mandatos consecutivos.
Ao longo de mais de duas décadas, é inegável a marca deixada pela governação do Dr. Ruas, aliás outra coisa não seria de esperar, dado, desde logo, a longevidade deste ciclo de governação. Muitas coisas positivas foram feitas na cidade. Viseu é hoje muito elogiada por todos aqueles que nos visitam, sendo considerada em diversos estudos de opinião e em vários parâmetros “A melhor cidade para viver”.
Obviamente que uma parte desse mérito é devido à autarquia, todavia, não nos podemos esquecer do tecido económico e empresarial e das pessoas, de todos os Viseenses que diariamente trabalham e habitam na cidade, bem como não nos podemos esquecer que muitas das obras que contribuíram para esse mérito foram financiadas, algumas na sua totalidade, pelos sucessivos governos, nomeadamente do Partido Socialista, e não pela própria autarquia, conforme esta, muitas vezes, tentou fazer passar a ideia.
É claro que o modelo de desenvolvimento que norteou a orientação da gestão municipal se encontra esgotado. Diversas análises mostram isso. Os sinais de crise no concelho começam a ser muito preocupantes – como o aumento do desemprego em 28%, atingindo o dobro nos casais e nos jovens, o aumento das insolvências das empresas em 42,9%, a deslocalização de outras ou dos seus investimentos, inclusive, para concelhos vizinhos, o definhar do comércio de proximidade, a emigração jovem, designadamente, qualificada…
A herança deixada pelo Dr. Fernando Ruas não deixa por isso de ser pesada e muito preocupante. O PSD Viseu, em guerra aberta para definir a “linha de sucessão”, será incapaz de resolver os problemas que se colocam ao concelho.
Assim, com a eleição de Outubro, estou convicta, fechar-se-á um ciclo e outro se irá iniciar.
Com efeito, a candidatura do partido socialista, liderada pelo Dr. José Junqueiro, está já a trabalhar, ouvindo os Viseenses e os diversos actores sociais do concelho no sentido de construir e apresentar uma proposta política alternativa, de futuro para Viseu.
E, parafraseando o próprio, “Viseu precisa desta oportunidade e, por isso, nas próximas eleições autárquicas, em 2013, precisa também de uma voz que não desista”, por isso, força camarada, a vitória é já ali!

Andreia Parente Coelho (advogada, vice presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários e Empreendedores Católicos)