Em cada esquina um banqueiro






O ideal seria que todos os estabelecimentos comerciais portugueses tivessem "banco" escrito no nome. Nenhum negócio iria à falência, porque o Estado acudiria a todos.

Ser dirigente de um banco bem sucedido é bom. Ser dirigente de um banco mal sucedido é ainda melhor. As mercearias falidas não são nacionalizadas e as casas de ferragens com problemas de tesouraria não se recapitalizam com dinheiro do Estado. O problema é das mercearias e das casas de ferragens. Toda a gente já percebeu a diferença entre recapitalizar-se, por um lado, e pedir emprestado porque se vive acima das suas possibilidades, por outro. O ideal seria que todos os estabelecimentos comerciais portugueses tivessem "banco" escrito no nome. Um talho chamado Banco Carnes de Ouro. Uma mercearia chamada Banco Frutas Idalina. Um restaurante chamado Banco Adega Regional O Botelho. Nenhum negócio iria à falência, porque o Estado acudiria a todos. Se falisse, pagava o País inteiro. Só por falta de visão comercial é que continua a haver empresários que ignoram esta estratégia simples mas vencedora.

O negócio da banca é duro e complexo. Trata-se de comprar dinheiro barato e vendê-lo mais caro. Pensando bem, talvez não seja assim tão complexo. Estamos a falar da comercialização de um produto que toda a gente aprecia. O risco não é muito grande. E, além disso, é um bem que não se estraga. Ninguém diz, ao levantar um cheque: "Olhe, desculpe, estas notas são da semana passada."

 Ainda assim, um número bastante elevado de banqueiros consegue reunir a mistura de talento e obstinação necessária para levar muitas destas instituições à completa ruína. Não deve ser fácil.

O jornalista Nicolau Santos fez, há dias, uma lista não exaustiva de banqueiros portugueses envolvidos em escândalos financeiros e consequentes processos judiciais. São cerca de dezena e meia. E acrescentou uma lista de bancos que o Estado português já ajudou, com avultadas injecções de capital. Contando com o BPP e o BPN, são cinco. Num país com a dimensão de Portugal, 15 banqueiros e cinco bancos parece muito. Não sei se é o suficiente para estabelecer uma regra, mas são números um tanto alarmantes. Qualquer dia, banqueiro detido passa a ser um pleonasmo. Talvez fosse bom remodelar os testes psicotécnicos na admissão de candidatos ao lugar de banqueiro. Aparentemente, saber de finanças não habilita ninguém a gerir instituições financeiras.

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

 
 
Hoje é o dia que o Parlamento Europeu, na sequência daresolução 60/7 de 1/11/2005 que instituiu o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, adoptou também para evocar essa efeméride em evocação do dia em que as tropas soviéticas libertaram os detidos que restavam no campo de concentração de Auschewitz.

 Saúda-se o facto de o Ministério dos Negácios Estrangeiros ter emitido uma nota al...usiva à data, destacando o papel que diplomatas portugueses, nomeadamente Aristides de Sousa Mendes, tiveram fazendo escapar à morte milhares de pessoas, afrontando a ditadura de Salazar e o seu colaboracionismo com os nazis e sujeitando-se às correspondentes retaliações e perseguições do ditador português.

 Neste dia importará, mais uma vez, chamar a atenção para a lamentável situação em que se encontra a casa que foi de Aristides Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato e ao não avanço das várias soluções que têm sido apresentadas para lembrar este português para quem o direito à vida independentemenete de raças, religiões e opções de vida, era um direito inalienável.

 É que mal vai o país que não destaca aqueles que tiveram papel relevante na defesa desse direito, defesa porque tantos morreram na 2ª Guerra Mundial. Mal porque isso evidencia que não valoriza suficientemente os valores que devem ser simbólicos para o rumo da nossa existência.

O PS e as perspectivas de uma crise política em Portugal em 2013


Este final de semana foi marcado por alguma agitação no PS, que vai levar a uma reunião da sua Comissão Política Nacional na próxima terça-feira, 29/1 e a uma Comissão Política Nacional destinada a marcar o futuro XIX Congresso Nacional, as eleições directas para Secretário-Geral e a aprovar o Regulamento do Congresso, que já terá lugar na vigência dos Estatutos actualizados no Congresso anterior.

Sou daqueles que sempre considerou que o actual Governo PSD/CDS dificilmente aguentaria mais de dois anos face à sua génese e contradições de sempre e às suas orientações políticas ultraliberais, mascaradas com promessas eleitorais absolutamente contraditórias com o que eram as opções político-ideológicas dos dois partidos no final de 2010 e início de 2011, e com os compromissos que tinham assinado no âmbito do memorando Portugal/Troika.

Sou também dos poucos militantes do PS que nos órgãos a que pertenço e em reuniões de debate político tem defendido não ter ainda o PS apresentado uma alternativa política global que seja convincente em termos de estabilidade política e governativa. E que vai ter muita dificuldade de o fazer devido aos compromissos que assinou enquanto Governo de José Sócrates com a Troika, aos descrédito generalizado dos portugueses nos actores políticos que as redes sociais vêm acentuando, muitas vezes de forma injusta, e à óbvia impossibilidade de realizar acordos à esquerda mantendo os compromissos assinados com os nossos parceiros europeus que são essenciais para garantir a solvência do País no curto prazo.

Esta perspectiva de crise governamental não é afastada pelo “sucesso” como agora é apresentada a emissão de dívida pública desta semana e a concessão de um prazo maior para pagamento dos empréstimos concedido pela EU e pelo BCE (sem prejuízo de serem notícias positivas para Portugal). Sucesso que tem sobretudo a ver com uma manobra de apoio ao Governo pelos responsáveis pela Troika para tentarem justificar que o processo de ajustamento português está correr bem quando a situação económica e social caminha rapidamente para catástrofe, mas que fica ainda aquém das condições que o PS vem reclamando para que seja possível uma política de consolidação orçamental e da dívida pública sustentável acompanhada de crescimento económico e do emprego que não degrade ainda mais as condições de vida dos portugueses.

Perante esta perspectiva de crise e realizações antecipadas que a chamada “reestruturação das Funções Sociais do Estado” e a dificuldade em no próximo ano encontrar mais privatizações como as da ANA para tapar o buraco do deficit (e ainda resta saber se o Eurostat vai aceitar a manobra contabilística deste ano com a concessão da ANA), o PS agita-se e António José Seguro irrita-se, o que não é uma boa reacção do Secretário-Geral.

Mas quem se agita no PS?. Por um lado os apoiantes de uma potencial candidatura de António Costa a Secretário-geral, que é perfeitamente natural que possa acontecer num partido democrático como o PS, e que que não deve motivar irritações ninguém, ainda que sendo amigo de Costa pense que deveria tê-la apresentado em 2011 e que não deveria ter passado este tempo a manter uma indefinição que não é favorável à necessidade de estabilidade e reorganização do PS.

Mas onde se sente mais esta agitação no PS? Claramente a nível de Grupo Parlamentar, hoje maioritariamente constituído por deputados escolhidos por José Sócrates e seus fiéis, muitos deles claramente responsáveis por erros políticos de palmatória cometidos na base do seguidismo acrítico do chefe.

É que com a possibilidade de eleições muitos desses deputados sabem que com a actual liderança do PS e com a introdução das eleições primárias internas não terão possibilidade de ser de novo incluídos nas listas em lugares elegíveis. Daí a sua impaciência e a necessidade de provocar alterações a curto prazo, de forma a baralhar e dar de novo, para ver se a nova “mão” é mais favorável.

É pois necessário que no PS se clarifiquem as águas, mas que serenidade prevaleça e que os militantes saibam distinguir o essencial do acessório e que nas próximas eleições façam escolhas com base em propostas de estratégias políticas fundamentadas e viáveis, que girarão à volta de duas alternativas:

-Pode o PS denunciar o acordo com a Troika de que foi principal negociador para procurar bases para uma coligação à esquerda que me parece extremamente difícil de estabelecer em bases seguras?

-O PS deve aguardar que o Governo caia por si, de “maduro”, mesmo com alguns empurrões, e tentar a partir daí obter uma maioria absoluta, como parecer acreditar a actual Direcção do PS?

- Ou a solução para os problemas nacionais, que exigem um consenso sério e não de fachada como aquele que actual Governo pretende fazer quere que defende, devem fazer com que o PS se empenhe em explorar a possibilidade de constituição de um governo de base alargada à sua esquerda e direita, o que não será fácil, dispondo-se a sacrificar alguns dos seus interesses partidários (que não os princípios e valores fundadores) durante algum tempo para mais facilmente ultrapassar a situação do País?

Em qualquer caso a importância do PS reforçar a sua acção de oposição construtiva e de projecto, no plano interno e com grande empenho, nomeadamente no Parlamento Europeu, Fóruns Comunitários e junto dos partidos irmãos do Partido Socialista Europeu, não pode ser descurada.

E, para isso, venha o Congresso da clarificação o mais cedo possível.

Preconceitos ideológicos sobre educação, no relatório do FMI


Subscrevi, conjuntamente, com outros deputados do PS, um pedido ao governo para disponibilização dos documentos que sustentam o relatório do FMI, encomendado pelo governo, em que se cortam, permanentemente, quatro mil milhões de euros nas funções sociais do estado, nomeadamente, na educação, saúde e segurança social.
Este pedido faz todo o sentido face aos resultados apresentados no relatório uma vez que os mesmos não correspondem às evidências que tínhamos e temos nos mais diversos indicadores, neste caso da educação.
Ora vamos a factos em dois dos muitos aspetos referenciados no relatório sobre educação.
1. O relatório considera que Portugal apresenta resultados mais negativos do que os restantes países da UE e diz que o ensino público português é ineficiente.
Sobre estes aspetos há duas questões que importa já clarificar: i) Não alocámos em 2010, à educação, 6,2% do PIB como se refere no relatório, mas sim 5%, quando a média da UE é de 5,5% e no corrente ano de 2013 só disponibilizaremos 3,8% do PIB, valor nem sequer referido no documento; ii) Este relatório, pasme-se, não se refere (porquê?) aos recentes resultados alcançados pelos alunos portugueses no TIMSS e no PIRLS, em que Portugal foi o país que mais progrediu na matemática e o segundo nas ciências e que até ficou à frente de países que alocam mais percentagem do PIB, do que Portugal, à educação.
Ou seja, estes senhores, com a conivência do Governo, só veem os números que querem para concluírem o que já tinham como previamente adquirido.
Intelectual e politicamente desonesto.
2. O relatório diz que o custo por aluno nas escolas privadas é inferior ao das públicas.
Também duas notas sobre o que precede: i) Uma para dizer que estamos perante uma declaração que não cita tudo quanto foi produzido sobre este assunto, pois o estudo de um grupo de trabalho encomendado pelo próprio ministério é ardilosamente escamoteado pois nele se diz que 80% das turmas contratualizadas pelo estado aos privados custam mais, cerca de, 15.000 euros do que as públicas; ii) acrescente-se ainda o facto de as turmas do privado terem, em média, maior número de alunos o que representa uma redução do custo por aluno.
Ou seja, estamos perante um relatório manipulado, feito com base em preconceitos ideológicos e que omite, propositadamente, dados da realidade.
Um último dado para fechar: a média das despesas sociais na zona euro é de 21% do PIB, quando em Portugal representam, apenas, 19%.
Em que ficamos?
Acácio Pinto
Notícias de Viseu

"Os economistas visitantes"


O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme de Oliveira Martins, chamou “economistas visitantes” aos agentes do FMI responsáveis pelo relatório que nos ocupou nos últimos dias e que nos querem impingir como a penitência para a nossa salvação eterna, pese embora a evidência de que os “remédios” utilizados até agora por este governo, nessa linha do “austeritarismo”, falharam redondamente.
Mas vamos a algumas considerações políticas sobre a substância das coisas.
Em primeiro lugar, este relatório é uma fraude. E é-o porque, por cobardia política deste Governo, a sua paternidade é imputada a outros quando na realidade o ADN é de Passos, Gaspar e Portas. Por outro lado tenta-se ainda imputar para o passado uma responsabilidade que resulta de uma incompetência orçamental que ocorreu durante o ano de 2012, todo ele, portanto, da responsabilidade do PSD e do CDS.
Em segundo lugar, este relatório é uma aldrabice. E é porque não podemos tolerar que as políticas para Portugal sejam definidas pelos técnicos do FMI, esses “economistas visitantes”. No nosso país há órgãos de soberania que, esses sim, têm a incumbência e o mandato para definirem as políticas a aplicar em Portugal.
Em terceiro lugar, este relatório é premonitório. E é-o porque evidencia a absoluta incompetência do Governo, transformando esta coligação num defunto político e, portanto, prenunciadora de que mais do que não ter mandato para executar os cortes aí previstos, este Governo deixou de ter condições para encetar qualquer reforma pois já ninguém lhe credita qualquer capacidade de envolvimento e mobilização da sociedade para quaisquer reformas.
Estamos, portanto, perante um Governo que dá aos portugueses, como único horizonte, a fatalidade e não a esperança, como recentemente disse Francisco Assis.
E quando assim é, só nos resta dizer que por aí não queremos ir e que por aí não vamos porque neste relatório, parafraseando Einstein, fala-se de muita coisa que conta, mas só para financeiros e ultraliberais, mas nada se fala nem nada se diz sobre aquilo que conta para todos os portugueses.
Se tudo, na vida e na política, tem um princípio, um meio e um fim, é fundamental aqui dizer que não queremos continuar no meio quando, verdadeiramente, o fim destas políticas deveria ter acabado logo a seguir ao princípio.
Acácio Pinto
Notícias de Viseu | Jornal do Douro

Se os portugueses tivessem um governo próprio ...



 Se tivéssemos um governo próprio, eis o que ele diria à troika da próxima vez que nos visitasse:

“Meus senhores, escutámos nas últimas semanas declarações altamente relevantes de, por um lado, Christine Lagarde (Presidente do FMI) e Olivier Blanchard (economista principal do FMI), por outro, Durão Barroso (Presidente da Comissão Europeia), Claude Juncker (Presidente do Ecofin) e Martin Schulz (Presidente do Parlamento Europeu).
Todas estas individualidades - de quem decerto já terão ouvido falar - convergem de modo inequívoco na conclusão de que as políticas de austeridade que têm vindo a ser aplicadas na Europa em geral e em Portugal em particular são erradas, destrutivas e contrárias aos propósitos declarados de controlar os défices públicos, conter o crescimento das dívidas soberanas, promover o crescimento e gerar emprego.
Dito isto, somos forçados a perguntar-vos: quem representam os senhores nesta reunião? A União Europeia e o FMI ou apenas e só as vossas peculiaríssimas opiniões pessoais? Como é possível que representem a União Europeia e o FMI, se é público e notório que as únicas pessoas idóneas para representarem essas instituições contrariam com a máxima clareza o que procuram impor-nos aqui?
Têm os senhores a certeza de estarem mandatados para fazerem o que fazem? Estão seguros de que a vossa actuação é apoiada pelas organizações a que pertencem? Não vos incomoda pessoal, profissional e institucionalmente a ambiguidade desta situação?
Não nos levem a mal. Porém, nessas circunstâncias, somos forçados a suspender todos os contactos convosco até que Christine Lagarde, Durão Barroso e Claude Juncker clarifiquem de uma vez por todas, de preferência por escrito, qual é de facto a orientação das instituições a que presidem. Até lá, desejamo-vos uma estadia agradável no nosso bonito país.”

Mas é claro que, sendo Vítor Gaspar funcionário da União Europeia, jamais fará ou dirá algo que possa embaraçar a sua futura carreira técnica.




No respeitar também está o ganhar


Ao rejeitar-mos, ou eliminarmos o legado que herdámos dos nossos antepassados, estamos a passar um certificado de incompetência e irresponsabilidade aos nossos pais, avós e a todos aqueles que nos antecederam.
Não foram eles que nos ensinaram os primeiros passos?
Não foram eles que cuidaram de nós, nos educaram e nos deram formação para sermos auto suficientes?
Este meu entendimento, vem a propósito das reformas estruturais do actual governo, no que diz respeito à extinção de freguesias e de forma autocrática.
Quando foram criadas as freguesias, houve o objectivo nobre de servir as populações, numa politica de proximidade e de conhecimento. Para o efeito, foram adquiridas estruturas e equipamentos, necessários à execução dos programas pelos eleitos abrangidos por esse poder local.
Tal como o poder do governo central, os eleitos para o desempenho de funções na Junta de Freguesia, deveriam ser respeitados pelos seus pares, mas aqui, funciona a lei do mais forte e as Câmaras, assim como os departamentos governamentais, dão-lhe um tratamento como se de subordinados seus se tratasse!
Serão estas as regras da democracia representativa?! Quando se elimina, ou rejeita, o que quer que seja, depreende-se que a decisão deriva de um critério de que nos estamos a livrar de uma coisa inútil, sem utilidade. Será o caso das juntas de freguesias eliminadas?
Será que os nossos pais e avós, não previram essa inutilidade, quando as criaram, ou foram irresponsáveis nos gastos dos dinheiros públicos?
Reformar, também é ajustar, desenvolver, evoluir, rentabilizar, crescer. Será que as nossas zonas rurais, onde se encontram muitas das freguesias extintas, não necessitam dessas reformas?!
Será que às Juntas de Freguesia não podem ser atribuídas outras competências e responsabilidades que melhor se ajustem ao desenvolvimento local, ao melhor aproveitamento dos recursos naturais, à defesa e protecção do ambiente, da floresta que tão degradados e abandonados estão por esse País fora?!
Não serão as Juntas de Freguesia os Organismos públicos mais credibilizados na sua área geográfica para desenvolverem parcerias, com associações, entidades colectivas e singulares para serem desenvolvidos e executados projectos de desenvolvimento?!
Nesse eventual desenvolvimento, não ganhará todo o País?
O governo actual tem falhado em toda a linha e a nível interno não se conhece nenhuma medida útil para os portugueses, portanto se há falhas e eliminações e fazer, deve começar por ele próprio, porque os portugueses nunca viveram tão mal e com tantos problemas em períodos anteriores a esta governação.

Viseu, 7 de Janeiro de 2013


Manuel dos Santos Almeida

Passadeira…Qual o teu propósito?


Depois de muitas e muitas queixas recebidas, resolvi escrever sobre outro insólito da Câmara Municipal de Sátão. O título, só por si, já diz quase tudo, mas eu explico.
Após uma pesquisa sobre o assunto, reparei que existem, infelizmente, ainda muitos acidentes nas passadeiras, mas reparei ainda que acontecem muitos mais nas passadeiras pouco visíveis ou em mau estado de conservação.
O Sátão tem de tudo um pouco, desde passadeiras que estão em estado muito desgastado, passadeiras novas que são “invisíveis” e até duplas passadeiras.
É extraordinário que todo o concelho se encontra neste estado… Em quase todas as freguesias existem uma ou mais passadeiras que estão em avançado estado de degradação. Mas de todas as passadeiras as mais incríveis, e que devem ser únicas no mundo, são as passadeiras “invisíveis”. A avenida principal da vila de Sátão sofreu uma recente remodelação que entre muitas outras coisas pelas quais que peca, (mas para agora não interessa), tem umas passadeiras que são praticamente invisíveis, muitas vezes se não é a sinalização vertical ninguém dá por elas.
Eu não acredito que a Autarquia seja insensível a tal facto, muito provavelmente é mais um dos muitos casos de distração a que esta equipa autárquica nos tem habituado!
Eu acredito que a autarquia, após ter conhecimento desta sua distração, irá resolver o assunto. Sei que não estamos em tempos de gastos de dinheiros não planeados… Mas eu deixo uma simples pergunta? Quanto vale a integridade física e a vida de uma pessoa?
Posto tudo isto e como não tenho a certeza que a Câmara vai ter em atenção o que dizemos, (o que acontece a grande parte das vezes), a Juventude Socialista de Sátão irá entregar na Câmara Municipal de Sátão um projeto denominado “Passadeiras Visíveis = Peões Protegidos”.
Um projeto simples e objetivo. O projeto passa pela “recolha” de todas as passadeiras do concelho para, em seguida, serem avaliadas e reestruturadas.
Algo tão simples pode salvar uma vida.

CONTRA O ESQUECIMENTO, A MEMÓRIA ESCRITA DO PASSADO!


1. Em 28 de fevereiro de 2011 os deputados do PSD eleitos por Viseu escreveram numa pergunta que deu entrada na AR: “Exige-se que a auto-estrada de ligação de Viseu à A1 (Coimbra) seja avaliada autonomamente, numa lógica de auto sustentabilidade, dentro do princípio de uma construção que poderá ser efetuada num regime de conceção, construção, exploração.”
Dois anos após, apesar de um dos subscritores integrar o ministério responsável por esta obra e o ministro ser de Viseu e o secretário de estado responsável ser de Mangualde, o que é que os viseenses sabem desta via estruturante? Nada.
2. Em 31 de Março de 2010 os deputados de Viseu, do PSD e do CDS, apresentaram na AR um projeto de resolução, que foi aprovado, que recomendava ao governo “a manutenção em atividade do serviço de finanças Viseu 2”. E dizia mais esse projeto, que era assinado por um membro do atual governo e presidente da assembleia municipal de Viseu: “Com o encerramento deste serviço, que serve metade das 34 Freguesias do Concelho de Viseu, ir-se-á verificar uma excessiva concentração nos serviços existentes com manifesta diminuição da qualidade dos serviços aos utentes (…). O facto de o Serviço de Finanças Viseu 2 ficar no Centro da cidade não ajuda em nada, pois a concentração num só ponto vai provocar constrangimentos no atendimento e no acesso.”
E ainda sobre este tema escreveram em 16 de agosto de 2010: “vai ou não o governo cumprir a resolução da AR reabrindo o serviço de finanças Viseu 2? (..) Prepara-se o senhor ministro Teixeira dos Santos para defraudar os interesses dos viseenses e ignorar uma recomendação da AR?”
Afinal dois anos depois de estar em funções onde foi reaberta a repartição de finanças Viseu 2? E mais, a solução agora é o encerramento generalizado de repartições em todo o distrito e em todo o país?
3. Em 28 de outubro de 2010 os deputados do PSD escreveram: “A ligação à cota alta, alternativa à EN 222, S.J.Pesqueira, Tabuaço e Armamar à A24 no nó de Valdigem, incluindo a ligação do nó de Barcos, em Tabuaço, ao IC 26 em Moimenta da Beira, seria fundamental e decisiva no sentido de prosseguir a política de coesão territorial e social e, sendo de proximidade, se transformaria em fator de crescimento da economia e do emprego.” E queriam, portanto, saber qual a prioridade do anterior governo para esta via.
Porém, volvido este tempo de governação o que é que os durienses conhecem sobre as prioridades do atual governo para esta via, quando dois dos subscritores são hoje governantes?
Não acho empolgante esta luta entre a memória e o esquecimento. Porém, se não fizesse este exercício de memória, estava a eximir-me à responsabilidade de escrutínio do governo e dos governantes que é, porventura, a tarefa primeira de um deputado.
BOM ANO DE 2013, COM SAÚDE, PARA TODOS.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

O Governo escolheu outro caminho - o de alienar aliados e parceiros




Quando entrou em funções o Governo tinha toda a boa vontade dos portugueses e o PS colaborante, amarrado como estava pelo Memorando assinado com a troika. Não seria necessário ser demasiado intuitivo e inteligente para entender que essa era a altura de efetuar reformas de fundo no Estado. E de que, para isso, o Governo necessitava do PS, da UGT, de todos os que pudesse congregar. Muita gente - eu incluído - o escreveu e o disse inúmeras vezes.
O Governo escolheu outro caminho - o de alienar aliados e parceiros. O primeiro a ser afastado de toda e qualquer decisão foi o PS. Seguiu-se a única central sindical com que podia contar - a UGT. No caso da TSU foram as associações patronais. Depois, foi a vez de boa parte do PSD. E Paulo Portas e o CDS. E também o Presidente da República.
De acordo com o que é possível ler na última edição do Expresso, boa parte dos ministros também já não participam nem comungam das teses de Passos, Relvas e Gaspar. Ou seja, da troika que afastou todos os aliados até se refugiar num pequeno reduto onde, agora, acossada, depois do discurso de Cavaco Silva, espera uma sentença do Tribunal Constitucional.
Não é bonito de se ver, sobretudo não é bom para o país. Como já escrevi há meses, pouco mais resta do que Passos sair pelo seu pé e permitir que outra solução emanada deste Parlamento possa, de forma dialogante, continuar o programa de ajustamento e reforma de que o país necessita.

MARQUES JÚNIOR: MORREU UM AMANTE DA LIBERDADE, MORREU UM AMIGO


Tive o privilégio de conhecer e de privar durante a anterior legislatura, na assembleia da república, com o capitão de abril e deputado do PS, António Marques Júnior.
Habituei-me a ouvi-lo com particular atenção nas reuniões do grupo parlamentar onde intervinha com regularidade e sempre que a sua consciência lho ditava. Foi um deputado sempre empenhado. Era frontal, íntegro, amante da liberdade, generoso, de um relacionamento afável com todos e de uma dedicação inquebrantável naquilo em que acreditava.
Lembro-me bem que, com ele, recebi na assembleia da república antigos militares, camaradas de armas,  do distrito de Viseu que nos apresentaram os seus justos pontos de vista sobre matérias que não tinham tido a adequada resposta por parte dos poderes instituídos. A sua atenção e o seu empenhamento nessa matéria foi inexcedível. Aliás, como em todas.
Tendo deixado de ser deputado nesta legislatura, Marques Júnior desempenhava, atualmente, as funções de  presidente do conselho de fiscalização do sistema de informações da república portuguesa.
Morreu no dia 31 de dezembro de 2012, aos 66 anos de idade.
Partiste antes do tempo, Marques Júnior. Merecíamos ter-te apreendido na totalidade.
Abraço.
Acácio Pinto