'Por favor, troika, não!...', gritou Vítor. Nesse momento, acordou




"Dê aí uma moedinha, 'sôr' Vítor!" Desde que o Governo dispensara os motoristas, medida enquadrada no vasto programa de rescisões na Administração Pública, a frase repetia-se, noite após noite. O arrumador, ex-motorista adstrito à Presidência do Conselho de Ministros, tinha escolhido precisamente aquela esquina, nas Olaias, para mostrar a sua capacidade de "empreendedorismo". Os motoristas constituíam o último grupo dos 100 mil funcionários públicos dispensados nesse ano. As viaturas oficiais eram, agora, uma frota de Smarts, conduzidas pelos próprios titulares. Para além de disponibilidade para trabalhar ao fim de semana, dinamismo e espírito de iniciativa (com admissão imediata), ter carta de condução passara a ser uma exigência para alguém se tornar membro do Governo. Desde então, Vítor sempre execrou o novo-riquismo do grupo parlamentar do PS, que se pavoneava no seu reluzente Clio cinzento, extravagantemente adquirido no mercado de usados. Carlos Zorrinho chegava a ir acelerar, de propósito, para a Gomes Teixeira, só para criticar o "miserabilismo do Governo". E, fazendo guinchar os pneus, era ouvi-lo bradar para um atarantado Álvaro Santos Pereira, encolhido dentro do seu Smart amarelo, da cor do pastel de nata: "Sai da frente, ó palhaço!"
O Natal de 2012 foi duro. Subitamente, deixara de se ouvir o ressonar vindo do Palácio de Belém. O mau presságio foi confirmado pelo veto presidencial do Orçamento. Passos desistiu de se demitir, depois de perceber que não tinha emprego cá fora. Ângelo Correia andava esquivo e não lhe atendia os telefonemas. Miguel Relvas ainda se ofereceu para lhe arranjar qualquer coisinha em Angola, mas o PM recusava tornar-se retornado naquele país. Paulo Portas (que, para evitar ser remodelado, andava, agora, a tirar a carta...) prometeu que o deputado João Almeida apresentaria ao ministro das Finanças, em poucos dias, um segundo Orçamento "de chave na mão". Os acontecimentos precipitaram-se: Passos Coelho prestou contas ao Conselho Nacional do seu partido, queixando-se de que "a voz do PSD não tinha sido ouvida" e afiançando que a situação "não se repetiria da próxima". 
A Consoada de 2013 ameaçava ser ainda pior. Era difícil chegar ao bacalhau, com o modesto ordenado de ministro: 495 euros e 35 cêntimos, mais senhas de refeição. Valia aos governantes o facto de poderem receber na moeda antiga - as folhas de ordenado tinham passado a ser processadas em Berlim - e não em escudos, como as da generalidade dos portugueses. (A entrega do OE ao CDS tivera as suas consequências...) Em finais de janeiro, um tabloide insinuou que o ministro Relvas fora apanhado a vender euros no mercado negro, depois de gorado o negócio em que o sr. Efromovich prometera fornecer a despensa do ministro com as sobras do catering da TAP.
Vítor abriu o porta-moedas de carneira, comprado na loja do chinês instalada nas arcadas do piso térreo do Ministério, e tirou uma moeda de cinco cêntimos. Afinal, era Natal. Pelo câmbio atual, aquilo valia para cima de 100 mil réis e dava para um pacote de cartão de vinho, dos pequenos, para a ceia do pobre homem. Na mesa da Consoada de Vítor havia uma cebola crua, às rodelas, e um copo de água, para amenizar o sal da sarda cozida com batatas. Mas, de um canto, saltaram três figuras, vestidas de Pai Natal. Uma delas levou-lhe a cebola. A outra a água. E a outra o peixe. "Por favor, troika, não!...", gritou Vítor. Nesse momento, acordou.
Olhou em redor, a transpirar. O telemóvel marcava: Ter 25-12-2012  4:22. Não voltou a adormecer. Pesadelo por pesadelo, o melhor era entreter-se a fazer umas contas.



A leitura de Passos



No carro onde se deslocou, na sexta-feira, ao Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra, o primeiro-ministro tinha um livro sobre Salazar. 
Público | Manuel Carvalho | 29 dezembro 2012



Num instantâneo captado pelo fotojornalista Luís Carregã, surge uma revelação: o primeiro-      ministro anda às voltas com a História e preocupa-se em particular com os anos de afirmação e consolidação do Estado Novo.

Não se sabe se foi prenda do Pai Natal, uma recomendação dos assessores ou um impulso pessoal, certo é que o estudo dessa época em que se instituiu a “ditadura das Finanças” não casa particularmente bem com os tempos actuais. Ou casa? 
O livro A Diplomacia de Salazar, de Bernando Futscher Pereira, compreende o período entre 1932, quando Salazar assume a presidência do Conselho, e 1949, quando, contra muitas expectativas da oposição democrática, o regime consegue a legitimação internacional ao ser aceite na NATO. Nesse período que começa quando as ditaduras se impuseram sobre os escombros da crise financeira de 1929, Portugal teve de se confrontar com a Guerra Civil da Espanha e com a II Guerra Mundial. Em ambos os casos foi capaz de se manter longe dos conflitos, ou, ao menos, de não se tornar actor de primeiro ou segundo plano.
Que um primeiro-ministro goste de ler é boa notícia. Que se interesse em particular pela leitura de obras da História contemporânea de Portugal é ainda melhor notícia. Na análise das estratégias diplomáticas de Salazar nos terríveis anos de 1930 e 1940 talvez Passos Coelho aprenda alguma coisa com a hábil gestão dos assuntos externos que conseguiram manter Portugal numa situação de equilíbrio precário quando a Espanha e a Europa se exauriam em conflitos. Talvez aprenda que o remédio aplicado internamente, o da pobreza honrada (tenham orgulho da austeridade, disse Passos no Facebook), só poderá gerar uma sociedade abúlica e dependente como a que saiu do salazarismo.
Quanto aos brutais métodos repressivos dos primeiros anos do ditador, estejamos descansados: se outros méritos Passos não tiver, reconheça-se ao menos que é um político tolerante, um governante que sabe conviver com a crítica e as liberdades democráticas.

Para memória futura: PSD e CDS extinguiram 1147 freguesias!


A maioria, PSD e CDS, e o governo cumpriram no dia 21 de dezembro mais um capítulo da sua saga de ataque às freguesias, ao poder local e ao interior. Não aconteceu a prevista extinção do mundo, programada para esse dia, mas aconteceu a extinção de muitos dos nossos mundos.
Em todo o país foram extintas 1147 freguesias, 1147 mundos de tantos de nós. Não estou a ser nostálgico, a ser passadista, a ser conservador. Estou tão só a deixar brotar as palavras, a deixá-las encaixar-se num texto que quero que seja para memória futura e de memória para mim. Um texto que amanhã me permita perceber o que se passou neste funesto hoje, neste ontem. Um texto que me faça ter e sentir a memória perante o esquecimento que muitas vezes assola os poderes.
E o mais grave é que esta foi uma extinção porque sim. Não houve critérios que sustentassem esta deriva de encerramento do interior para além de um critério matemático, percentual.
No caso concreto do distrito de Viseu teremos, no futuro, menos 95 freguesias. Tínhamos 372, passaremos para 277. E, quer queiramos quer não, vamos ficar muito mais pobres nas relações de proximidade que sempre têm que existir entre o estado e as populações. É que entre o estado, sempre com tendências centralistas e macrocéfalas, e as populações, sempre indefesas, há um enorme desequilíbrio. E esse desequilíbrio fica muito mais evidenciado quando os detentores do mandato que o povo lhes conferiu exorbitam dele, por matriz filosófica e ideológica ou por mera gestão de conjunturas.
Quem perde é sempre o elo mais fraco, é sempre o povo. E, porventura, pior que uma derrota é o corrompimento da necessária confiança que tem que circular pelas veias do sistema da democracia representativa.
O PS votou contra esta extinção de 1147 freguesias. Não porque não entenda que os novos tempos não trazem novos desafios para as organizações de base territorial, mas porque estas reduções sem critérios legitimados na radicalidade da essência democrática, são péssimos exemplos de exercício do poder.
Verdadeiramente o que está em jogo, nesta como noutras medidas políticas destes últimos meses, é a sobrevivência do interior, desta nossa terra, rica e farta sempre, porque por mais ataques que lhe façam em qualquer dia de solstício de inverno há uma coisa que nunca lhe farão, na linha de Aquilino, nunca lhe corromperão a dignidade e a alma.
Acácio Pinto
Diário de Viseu | Jornal do Douro

Lembram-se de Obama no discurso que fez por ocasião do recente ataque à escola em Newtown que provocou a morte de 26 pessoas, das quais 20 eram crianças? Não me refiro ao discurso emocionado, ao repetido "you're not alone", mas ao abraço que deu a quem se cruzou a caminho do púlpito. Este gesto, num momento triste, como o abraço, mais um, que deu à mulher, registado na fotografia divulgada logo após a vitória nas eleições, num momento de alegria, pretendem mostrar, com êxito, a imagem de um homem sensível, enfim, de uma pessoa como qualquer um de nós.

Pois é disto que Passos Coelho precisa, de um pouco de Obama. Neste Natal, o primeiro-ministro português ensaiou, depois de ano e meio de absoluta austeridade, o seu lado sensível. Primeiro, na mensagem oficial, transmitida na RTP no dia de Natal, falou de otimismo, de não esquecer os mais pobres, de reformados, emigrantes e desempregados. Depois, no dia seguinte, pretendeu mais ainda, ser só o Pedro, o marido de Laura, mostrar compreensão e que pensa todos os dias nos que estão a sofrer. 

Mas, mais uma vez, Passos não conseguiu tocar no coração dos portugueses - são cada vez menos os que o querem ver ou ouvir, conforme mostram as audiências. Agora já é tarde, o primeiro-ministro já não conseguirá reaproximar-se do país, dos mesmos que se inspiram com as imagens de Obama. E este pode não parecer, mas é um grande problema para Passos Coelho, para qualquer um que queira ser líder. Os portugueses há muito que deixaram de seguir o primeiro-ministro e, por isso, não há palavras, por mais genuínas, que atenuem, por pouco que seja, a austeridade de Passos e Gaspar.



Pedimos um Portugal melhor ...


Carta de Natal dirigida ao primeiro ministro em nome de todos os jovens portugueses. O que pedimos neste

 Natal é um Portugal melhor! 




Haja humildade no ministério da educação!


Foram recentemente divulgados os resultados de estudos internacionais que revelam as tendências no ensino da Matemática e das Ciências (TIMSS) e os progressos de Leitura e Literacia (PIRLS) e neles se refletem os resultados e a evolução em cerca de 50 países, entre os quais Portugal, a nível do 4º ano de escolaridade.
Portugal tinha participado no TIMSS em 1995 e década e meia depois, em 2011, fica bem patente a evolução do seu desempenho.
Quer no domínio da matemática, quer no domínio das ciências, Portugal fica em posições muito positivas (15º e 19º, respetivamente), entre os 50 países participantes, sendo mesmo o país em que a progressão positiva dos resultados, relativamente a 1995, mais se acentuou.
E se nos centrarmos só no universo de países da União Europeia, então Portugal fica em 7º e 12. Lugar.
A nível do PIRLS, que incide na competência de leitura, foi a primeira vez que Portugal participou e ficou em 19.º lugar entre 45 países participantes, e em 8.º se tomarmos em conta os países da União Europeia.
Ou seja, há duas coisas, pelo menos, que estes resultados mostram: i) que Portugal fez um trajeto verdadeiramente notável ao longo destes 15 anos, subindo da cauda das comparações internacionais para o pelotão dos países que partilham a mesma modernidade política, cultural e económica e que olham para a educação como instrumento de cidadania e prosperidade; ii) que a introdução do exame no 4º ano, levada a cabo por este governo, estava longe de ser uma necessidade pedagógica como se vê pelos resultados.
Se a estes dois estudos internacionais adicionarmos o estudo PISA verificamos que Portugal estava a fazer um caminho seguro e com políticas corretas na educação. E podemos mesmo acrescentar que países, apontados pelo atual governo como inspiradores das suas políticas, como a Alemanha e a Suécia, ficam atrás de Portugal o que não deixa de ser um indicador curioso.
O que se esperava era que no ministério da educação se soubessem ler estes resultados com orgulho para Portugal e não com uma ponta de “inveja”, como aconteceu com a nota emitida pelo gabinete de Nuno Crato, onde se desvalorizavam os resultados.
Não fica bem esta sobranceria política por parte de um ministério que, ainda por cima, tem um cientista investido nas funções de ministro.
NOTA: Aproveito esta oportunidade para desejar a todos um FELIZ NATAL.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

A EDUCAÇÃO ESTÁ NA MIRA DA PRIVATIZAÇÃO!


A escolaridade pública gratuita está ameaçada. E se os indícios eram todos de grande preocupação face às medidas que Nuno Crato tem vindo a tomar, de elitização e de seletividade, para a escola pública, agora não restam dúvidas sobre as verdadeiras intenções do atual governo.
Foi pela voz de Passos Coelho, numa sua recente entrevista a uma televisão, que ficámos a saber que temos que repensar o financiamento da educação. Disse mesmo que “temos uma Constituição que trata o esforço do lado da educação de modo diferente do da saúde. Isso dá-nos alguma margem de liberdade na área da educação para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre o que pagam os cidadãos e a parte fiscal, que é paga pelo Estado”.
Ou seja, o governo está a preparar o fim da gratuitidade da escolaridade obrigatória. Os copagamentos na educação estão a caminho.
Porém, face às onde de choque desta declaração, Nuno Crato, primeiro e Passos Coelho, depois, vieram a terreiro dizer que não havia sido dito aquilo que todos tinham percebido que foi realmente dito.
E se dúvidas existissem, bastar-nos-ia ler textos de Passos Coelho de 2010, para perceber qual o seu pensamento nesta matéria. Senão vejamos as suas ideias de há dois anos atrás: “É indispensável organizar um ambicioso programa de combate aos desperdícios nas políticas públicas mais pesadas, como são a Saúde e a Educação, fundadas na melhoria da nova gestão pública, no incentivo à livre escolha e na introdução de copagamentos pelos serviços prestados, com salvaguarda dos mais desfavorecidos”.
Portanto, a linha está traçada. O rumo está definido e o ataque à escola pública está aí, para prosseguir.
Aliás, não foi por acaso que a primeira medida deste governo nesta matéria (portaria 277/2011 com efeitos a 1 de setembro de 2011) foi a de aumentar o financiamento das turmas dos colégios com contrato de associação que passou de 80.080 euros para 85.288 euros por turma. E o mais grave de tudo isto é que nos estamos a confrontar com situações de sobreposições na rede escolar, ou seja, são as próprias comunidades a dizer que há capacidade na escola pública para receber os alunos, mas mantêm-se as mesmas turmas no privado.
Ou seja, os dados começam todos a bater certo e o puzzle começa a encaixar. E encaixa ainda mais se falarmos em cheque-ensino, em liberdade de escolha e em rankings. Tudo conceitos que têm sido trazidos para o debate político nos últimos tempos com um único objetivo: o de criar um corpus sustentador para as decisões de “privatização” da educação que está na matriz neoliberal deste governo.
Com base na carta dos direitos fundamentais, na constituição da república portuguesa e sabendo do contributo da educação para a equidade entre os cidadãos o PS opor-se-á a esta deriva irracional de copagamento da escolaridade obrigatória.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

Natal: A Troca do Bacalhau pela “Salsicha Alemã”



Como sempre, e apesar da crise instalada no país, o Natal chega a Portugal quase 2 meses antes do previsto.
            Grande alarido, grandes publicidades, como se nada estivesse a acontecer, o incentivo ao consumismo é uma arte milenar que parece ser imune à crise.
            Mas na verdade este nem é o maior mal que assola o país neste momento. O grande mal é o quebrar da tradição do Bacalhau, que parece definitivamente esquecido para ser trocado pela poderosa “Salsicha Alemã”.
            Portugal, apesar de ser um país cenário, com tradições enraizadas na sua alma, parece não conseguir resistir à poderosa máquina de marketing alemã. Se não vejamos:
            Em pouco mais de 3 anos e devido a “gestores” pouco patriotas, “gestores” que trocaram o bom bacalhau por uma ementa de origem duvidosa e que prejudica gravemente a saúde de todos os portugueses.
            A ementa é servida em pequenas doses, para manter o apetite aberto para mais mudanças no sabor.
            Neste caso e contrariamente ao que diz ditado, “o cliente tem sempre razão”, a ementa não é escolhida por nós e ainda temos de comer tudo direitinho porque, caso contrário, não comemos o restante.
            Visivelmente a máquina de propaganda está a destruir a velha tradição, felizmente ou infelizmente os portugueses parecem assistir a tudo isto serenos e pacíficos.
            Porém, existem outros países que estão na mesma situação, ou talvez pior, como é o caso da Grécia que apesar de comer a “Salsicha Alemã”, consegue não comer tudo, brincar, e deixar no canto. O engraçado é que mesmo assim recebem mais e mais variedades de ementa.
            Não sei se é uma questão de discriminação ou simplesmente a inutilidade dos seus “gestores ” ser menor que a dos nossos, mas uma coisa a certa: - ser bom “aluno” não é mais-valia.
            A indústria alimentar alemã parece ter aprendido que com a estratégia violenta de marketing 1914-1918 e 1939-1945, nada conseguem. Para quê ser violentos?… Quando se pode vencer pela gula.
            Mas como bons portugueses que somos, vamos continuar a ver o lado positivo. Pelo menos ainda temos ementa… Vamos ver até quando.
Um feliz natal para todos.

ESTE ORÇAMENTO É UM TORMENTO


1. Assim como o crescimento eterno não existe, também a austeridade perpétua está condenada ao fracasso. E se isto parece elementar para qualquer pessoa dotada de um mínimo de bom senso, tal não se passa, porém, na mente desses políticos iluminados que nos governam, nomeadamente, Passos, Portas e Gaspar, para quem o erro nunca é seu nem das suas políticas mas da realidade.
São muitos, quase todos, e vindos de todos os quadrantes, da política à economia, das empresas às universidades, aqueles que hoje se insurgem contra as medidas que têm vindo a ser seguidas por este governo e que são amplificadas e muito no orçamento para 2013, aprovado na Assembleia da República pelo PSD e pelo CDS.
O PS votou contra e podemos dizer que fez o que devia, porém, os seus votos conjuntamente com todos os outros que votaram contra não chegaram para rejeitar este documento nocivo para Portugal e para os portugueses.
Resta-nos continuar. Continuar a lutar todos os dias e a propor medidas alternativas a esta austeridade cega destes eurocratas "merkelizados". Continuar a lutar em favor de todos quantos em 2013 verão a sua vida com menos rendimentos, com menos empregos, com menos qualidade.
António José Seguro disse a este propósito durante a discussão do OE 2013: «Não existe uma segunda oportunidade para votar este orçamento, nem há margens para enganos, muito menos para voltar ao início. Não há lugar a desculpas nem álibis. Este é um dia sem regresso, onde cada um de nós parte acompanhado com a responsabilidade do nosso voto.»
2. Participei, esta semana, numa sessão do parlamento dos jovens na escola básica general Serpa Pinto, de Cinfães, em que o tema era “ultrapassar a crise”.
E não resisto em partilhar aqui muitas das ideias que surgiram dos alunos do 3º ciclo participantes neste programa que visa motivar a participação cívica e democrática dos alunos.
Do cultivo de terrenos agrícolas abandonados à limpeza das florestas, do incremento do setor turístico ao aumento das exportações de produtos com forte componente de matéria-prima portuguesa, do combate à corrupção ao apoio às pequenas e médias empresas através da redução de impostos, da criação de empregos para os jovens formados em Portugal à forte taxação dos rendimentos mais elevados, foram, entre muitas outras, medidas que os alunos apresentaram para ajudar a ultrapassar a crise.
Concordo com os alunos e direi que esta é a linha justa em termos estratégicos, restando ao governo criar as medidas que lhe possam dar corpo. Só um governo isolado e entrincheirado numa austeridade ilimitada poderá não escutar mais estas vozes, jovens mas assertivas.
Estas propostas irão estar em debate na comunidade escolar nas próximas semanas, esperemos que o governo as venha também a colocar em debate no país.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

O nº2


“Paulo Portas, como principal dirigente de um dos dois partidos da coligação, devia manifestamente ser primeiro-ministro, um cargo que não deixaria dúvidas sobre a sua importância e participação nas decisões fundamentais do Governo. A desenvoltura com que Passos Coelho e Vítor Gaspar o tratam  e tratam o CDS levará tarde ou cedo a um rompimento acrimonioso.”
Vasco Pulido Valente | Público |