O Surrealismo chegou ao Governo


Compromisso anteriormente assumido para a mesma hora fez com que não estivesse disponível para ver entrevista de ontem de Passos Coelho à TVI. Provavelmente, mesmo que estivesse completamente disponível, talvez não visse na mesma, pois não seria de esperar algo de novo ou inovador que pudesse dar alguma esperança aos portugueses.

Mas talvez a curiosidade que ver se havia algo que me conseguisse fazer entender como os falhanços em todas as metas de consolidação orçamental que o Governo tem vindo a estabelecer, os falhanços abismais nas previsões de arrecadação das receitas fiscais, o falhanço na previsão da evolução do desemprego (esse sim a subir, infelizmente, muito mais que as previsões do Governo para mal do País), etc, etc, podem ser considerados um enorme sucesso do nosso programa de ajustamento como tinha sido dito na discussão do Orçamento de Estado.

Os canais de notícias deram a possibilidade de ver e ouvir alguns extractos da entrevista e num deles o que me pareceu ouvir deixou-me incrédulo e a pensar que teria ouvido bem. As notícias on-line da manhã de hoje vieram, afinal, confirmar que tinha mesmo ouvido bem.

Passos Coelho, Primeiro Ministro, primeiro responsável pela política do Governo e pela sua coesão, alma gémea do Ministro das Finanças disse mesmo esperar que "todo o Governo acredite no orçamento", avisando: "Se assim não for, o país está mal."
Com as minhas desculpas aos artistas surrealistas esta é mesmo uma posição do inconsciente com basse na figuação do irreal.

Pasme-se. Como é possível haver um Governo em que o próprio Primeiro- Ministro, que tem o poder de escolher e demitir os ministros, não tem a certeza de que todos os mesmos ministros ( e decerto também os Secretários de Estado) acreditem no Orçamento que foi aprovado por eles. Ou será que não foi e orçamento é apenas aquilo que o Ministro das Finanças, que no dizer de um Humorista da nossa praça fala assim devagarinho porque está a fazer tradução simultânea daquilo que a Sra. Merkel lhe diz, e o Primeiro Ministro querem? Como é possível esta versão verdadeiramente surrealista de coesão do Governo e de articulação dos ministérios e das suas políticas? Que ideia se transmite ao País, aos agentes económicos e aos nossos credores, com quem Passos Coelho se mostra tão preocupado.

Como é possível tanta impreparação política e arrogância ignorante associada?

Será que alguém nos pode tirar deste filme?

Fica o link para o diário económico para os interessados

http://economico.sapo.pt/noticias/espero-que-todo-o-governo-acredite-neste-orcamento_157347.html

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