O governo levantou a lebre por interposto comentador




A política portuguesa está transformada numa anedota, só que é uma anedota sem graça, que só por ser tão inesperadamente ridícula dá vontade de rir…
Depois de na discussão do Orçamento de Estado para 2013, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros (sobretudo este) terem feitos apelos dramáticos ao líder do PS para que se juntasse ao governo para fazer a “refundação” do Estado, eis que o governo levantou a “lebre” na pessoa do ex-líder do PSD e comentador, Marques Mendes,  dando-lhe o privilégio de divulgar em primeira mão, na TVI, que não só o FMI já está em Portugal a preparar a reforma do Estado, como já reuniu com ministérios e já sabe até onde e quanto vai ser cortado. 
É confrangedor para os deputados da maioria e para os deputados em geral assistirem a esta farsa, ainda por cima sem poderem protestar porque o argumento que usaram para aprovarem o orçamento serve para aceitarem o papel de marionetes que o Governo faz deles.
PS já reagiu, como não podia deixar de ser. Mas para além do que isto significa de falta de transparência não apenas para com o Parlamento e para com o País, é a falta de senso que o governo revela que mais choca, ao mandar as suas “lebres” prepararem o terreno para  antecipar reacções e preparar a defesa.
É também um sinal de subserviência em relação ao FMI e à troika, que só pode ter a explicação de que o governo tem a consciência de que o orçamento aprovado é pura ficção e é preciso contentar “os credores” com qualquer coisa que mostre que o governo está disposto a tudo, mas mesmo a tudo, para os contentar.
É também uma falta de respeito para com os jornalistas, transformados em pés de microfone dos comentadores a quem o governo dá as “cachas”.
Na minha terra há uma frase que exemplifica bem este comportamento do governo face à troika mas o decoro impede-me de a citar. Direi apenas que está de cócoras.

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