Refunde-se a europa

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No seguimento das jornadas parlamentares do PSD/CDS que à partida anunciariam uma remodelação governamental (que irremediavelmente afastasse Miguel Relvas dos palcos  de decisão) não só percebemos que a “montanha pariu um rato” como ao mesmo tempo é lançado para a esfera do debate político, a redefinição do estado sob o estandarte da austeridade e da refundação do programa de ajustamento.
Nada contra o tema. Aliás, em muitos casos o papel do estado tem que ser repensado. Pela ausência de regulação, pela manifesta incapacidade de negociar parcerias com os privados,  pela impossibilidade deste se conseguir gerir a si próprio dada a ausência de quadros qualificados e competentes para debelarem e pressionarem quem não obedece à lei ou não cumpre os requisitos. Este é aliás um problema do estado e do país que é transversal a todos os espectros sociais. O excesso de corrupção matou o país e com isso ganhámos espaço para a “legalidade imoral”.
Ora, não deixa de ser curioso, que numa altura de enorme incerteza, de medo e atavidez política da oposição, o Ministro Vitor Gaspar venha lançar a discussão com base na premissa de que o estado é caro. É perverso colocar o ónus deste lado da despesa pública.
Para que conste, a crise Europeia que vivemos não é uma consequência das reformas sociais nem dos serviços que o estado presta aos seus cidadãos. A crise que vivemos é o resultado da desregulação do sistema financeiro, duma pressão da mercados sobre as economias mais fracas da zona Euro e duma aplicação de “soluções” que apenas visam criar mais problemas a uma EUROPA desnorteada e sem resposta.
Um dos grandes aspectos que fazem do continente uma referência para o mundo é exactamente o papel do estado nas ajudas sociais e nos serviços que presta aos cidadãos.
Hoje, por força da conjuntura, obrigam países como o nosso a aceitar condições com o objectivo de financiar o estado para este poder financiar a banca, depois de transformar a divida privada em divida publica através de programas de nacionalizações pouco transparentes.
Agora, traçado o modelo que dizem nos levará à competitividade, através de salários baixos, leis laborais mais “flexíveis” associadas a uma carga fiscal inconstitucional para pagar aos credores, o governo lembra-se de questionar o papel do estado, quando em 2013 tem que diminuir a despesa em 4.000M€.
Não é difícil tentar prever o que o governo pretende com esta discussão. Impostos mais altos já não são para pagar um estado endividado, mas para financiar um estado pesado.
Lamento que das jornadas parlamentares, não tenha saído uma ideia de como urge a necessidade de refundar a Europa.
A linha de orientação Merkeliana falhou. A Europa é hoje um sitio fragmentado em que se indigitam PM’s em Italia sem legitimidade democrática, se lançam países como Portugal e a Grécia e a Espanha em crises sociais sempre com o semblante do quão muito rapidamente todas estes fenómenos se tornam contagiosos em que as agendas nacionais não são compagináveis com a alemã.
Vivemos numa Europa sem caminho, sem visão, sem rasgo em que a moeda única pode muito rapidamente transformar-se numa moeda “para alguns”.
A nós cabe-nos refundar o espírito Europeu, questionar as verdades absolutas da oratória do Dr. Vitor Gaspar que falham sistematicamente nas projecções; questionar as políticas de financiamento do BCE que empresta à banca a 2-3% para estes emprestarem a 8-9%...
Damos tempo à banca enquanto matamos os países.
Utilizando a analogia maratonista do ultimo discurso de Vitor Gaspar é preciso saber quem neste momento corre por gosto. Já não se trata dum problema de fadiga mas sim de direcção. Fica-se com a impressão que estamos a correr de costas e que quando chegarmos ao fim, vamos perceber que estamos na casa de partida...

1 comentário:

  1. Mudei o link do blogue, se quiseres continuar a seguir-me, este é o novo link: http://withloveblogue.blogspot.pt/

    Beijinho :)

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