"Refundação” do memorando da troika ...



Passos Coelho defendeu hoje a refundação” do memorando da troika,  sem explicar 

exactamente o que quer dizer com isso, numa tentativa de resposta àqueles, e são muitos, 

que têm defendido uma renegociação do dito memorando….




Passos não mediu talvez o significado da palavra. Bem sei que disse “uma espécie  de refundação”, prevenindo-se para o caso de alguém lhe dizer que “refundar” é  criar de novo, e que a ideia de  fundação está ligada a “criação”,  ”começo”, “princípio”. Se Passos pretende “refundar” o memorando que Portugal assinou com a troika está a dizer que quer “re-criar” o memorando, isto é, criar um memorando novo.
Se for assim, seria bom reconhecer que se enganou e dar razão aos que defendem que o memorando não é exequível. Mas o primeiro-ministro e o ministro das Finanças perderam a noção da realidade e negam hoje o que afirmaram ontem. Foi assim com o regresso aos mercados, “marcado” por Gaspar para 23 de Setembro de 2013, agora considerado “um processo” e não “um momento”. Foi assim com a “retoma”  anunciada por Passos para 2013…Foi assim com o prolongamento do prazo de ajustamento para mais um ano, sempre negado mas afinal  pedido pelo governo e negociado às escondidas do Parlamento e dos cidadãos. Foi assim com o recente “regresso ao mercado de obrigações “, com o ministro Gaspar a recusar dizer aos deputados quem foram os compradores.
Os discursos de Gaspar e Passos nas  jornadas parlamentares dos partidos da coligação, ao que se viu na televisão, mais pareciam  discursos para pessoas com dificuldades mentais. Desde a metáfora do “maratonista”, de Vítor Gaspar, ao “carro em segunda mão”, de Passos Coelho, passando pelas “rações de combate” de Aguiar Branco, dir-se-ia que os oradores têm em pouca consideração o nível intelectual dos deputados dos dois partidos, que, aliás, surgiam em alguns planos de corte com ar entediado. Não era para menos!
Receio pois que o que Passos quer “refundar” não seja o memorando mas sim o País, “recriando-o” segundo a sua cartilha pseudo-liberal, um país onde a Europa rica venha buscar os escravos da era moderna.



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