Passos e Portas: um duelo na praça pública!

No início desta segunda sessão legislativa os deputados do PS eleitos por Viseu quiseram deixar bem claro o seu posicionamento face à atual conjuntura política e às suas implicações para as pessoas, através de uma conferência de imprensa.
Há um ano atrás estávamos melhor e hoje estamos pior e, ainda por cima, temos uma coligação que não se entende entre si e se desafia para duelos na praça pública. Ou seja temos uma “descoligação” formada por dois partidos que reúnem os seus estados-maiores não para sufragarem e reforçarem o governo e as suas medidas mas para ver qual dos dois parceiros de coligação, se o CDS se o PSD, é mais rápido a desembainhar a espada e a acertar no coração do adversário.
Passos e Portas já não conseguem esconder aquilo que é uma evidência: a coligação já era, está ferida de morte. E portanto do que se trata agora é de ver qual consegue encontrar a melhor estratégia para culpar o (ex) parceiro de coligação relativamente às medidas anunciadas recentemente aos portugueses, nomeadamente a da transferência direta de rendimentos do trabalho para as contas bancárias das empresas. Isto é, transferir dinheiro do vencimento de uma das empregadas da caixa de um supermercado para o NIB do seu patrão (qualquer deles bem conhecido).
Portanto quem não se entende entre si como é que se pode entender com os portugueses?
Aliás a manifestação cívica, apartidária, do dia 15 de setembro deu bem a ideia da indignação que atravessa os portugueses. Foi um inequívoco grito de revolta como não se via há décadas em Portugal.
O PSD desvalorizou esta manifestação, mas o povo falou. Falou e falou de uma forma clara sobre a necessidade, a urgência em mudar de políticas, em mudar de rumo.
Cabe, pois, agora a Portas e a Passos, aos “cavaleiros” deste duelo, lerem os sinais, lerem a cidadania, lerem a rua e agirem em conformidade. O país tem que estar acima destes seus arrufos e dos seus orgulhos.
O PS tem acompanhado, com preocupação, todo este evoluir da situação e António José Seguro já disse com toda a clareza qual a posição do seu partido: votará contra o orçamento e apresentará uma moção de censura caso o governo avance com a implementação destas medidas imorais de transferência direta de dinheiro dos trabalhadores para os empresários.
É tempo de dizer basta a estas medidas e a estas políticas que só têm esmagado a economia e os portugueses. Há outro caminho, como o PS tem vindo a propor com medidas concretas.
E é também preciso que os viseenses conheçam o pensamento concreto dos deputados da maioria (PSD E CDS) que elegeram. Têm estado em silêncio e quando falam é para debaterem lugares na administração e não para dizerem o que pensam das medidas da sua descoligação.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

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