A propósito de cigarras!

Esta semana Miguel Macedo também quis deixar a sua marca a nível de frases virais. Vai daí começou a falar em “cigarras” durante a inauguração do quartel de bombeiros de Campia, construção com que nos congratulamos pela melhoria concreta na resposta de proteção e socorro.
A juntar ao “piegas”, ao desemprego como “oportunidade”, ao “emigrem”, ao “custe o que custar”, ao “disparate” dos cortes nos subsídios, chega agora com requinte a expressão “cigarras” para qualificar os portugueses.
É mais uma expressão infeliz, muito infeliz, de um governante que não se coibiu de vestir a pele de dirigente partidário durante uma sessão institucional. Aliás, esta foi a demonstração de que o ministro Miguel Macedo já não existe, tal como a coligação. O que existe são os dirigentes partidários do PSD e do CDS em duelos permanentes entre si, e em duelos com o povo português.
E ainda por cima Miguel Macedo contou mal a história. Que só há algumas “formigas”. Engana-se. Há muitas e não andam de braço dado com Catroga ou Borges, com Dias Loureiro ou com Oliveira Costa, com essa elite laranja da diáspora financeira, dos paraísos incógnitos. Muitas dessas “formigas”, mais de um milhão, ele conheceria se passasse pelos centros de emprego, se falasse com as pequenas e médias empresas que aumentaram em 74%, em Agosto, o número de despedimentos coletivos, ou se falasse com os milhares de restaurantes que encerraram por causa do IVA a 23%.
Ou será que quer insinuar que estes são cigarras?
E, já agora, todos teríamos agradecido que Miguel Macedo tivesse aproveitado esta sua passagem pelo distrito de Viseu para: i) explicar o que se passa no seu e nosso país onde a criminalidade sobe todos os dias, onde há assaltos diários a multibancos, a gasolineiras, ourivesarias, carrinhas de transporte de valores ou idosos indefesos; ii) dizer por que motivo as unidades locais de formação de bombeiros (por exemplo Mangualde e Castro Daire) não fazem nenhuma formação desde o início do ano e se não acha que tal pode afetar o desempenho operacional dos soldados da paz; iii) apresentar uma alteração aos valores de referência do programa permanente de cooperação, instrumento de financiamento dos bombeiros, por exemplo a nível de gasóleo e de taxas de rádio; iv) explicar a desautorização que fez aos serviços nacionais de proteção civil ao pedir um segundo relatório a uma entidade independente sobre a descoordenação nos grandes incêndios no Algarve.
Enfim, afinal quem esteve na inauguração do quartel dos bombeiros de Campia foi o “dirigente partidário” Miguel Macedo. O ministro já não existe, tal como a coligação.
Acácio Pinto
in: Jornal do Douro

Quando vai recuar a Troika?




“Nos 15 minutos que Passos Coelho demorou para anunciar o seu esquema na televisão, no início do mês, conseguiu a notável proeza de unir não só os partidos da oposição contra o seu plano ‘intolerável’, mas também os sindicatos, os patrões e os economistas”

“Pedro Passos Coelho está a descobrir que a austeridade não pode ser levada além do limite determinado pelos eleitores, quer estejam em motins violentos em Atenas ou em marchas pacíficas em Lisboa”.

Excertos do artigo “O ponto de viragem: Quanta austeridade é demasiada austeridade?”,
The Economist.

Durante meses a fio ouvimos dizer que Portugal era o bom aluno da Europa. A troika impunha medidas e metas na Grécia e a Grécia falhava. A troika impunha medidas e metas em Portugal e Portugal cumpria e crescia. Perante estas constatações, a troika retirava duas conclusões: (i) tinha descoberto a poção mágica, no plano financeiro e económico, para os Países intervencionados; (ii) se os planos vingavam em Portugal e não na Grécia, era evidente que o problema era da Grécia e não da troika.

Sucede que estas conclusões “troikistas” em nada melhoravam o dia-a-dia dos Portugueses e eis senão quando o Primeiro-Ministro, regressado de férias, decide anunciar mais medidas de austeridade. “Se este Povo já aguentou tantas medidas, não será por mais um pacote de austeridade que as coisas se vão alterar”, terá seguramente pensado Pedro Passos Coelho.

Pensou mal, como se vê. Desde logo, Pedro Passos Coelho errou na altivez com que quis impor mais austeridade. Depois, errou ao esquecer que a frágil coligação que lidera não é uma coligação de ideais, mas de meras conveniências político-partidárias. Finalmente, errou porque se esqueceu que há milhões de Portugueses que sofrem na pele as agruras do desemprego e da pobreza e que não estão dispostos a suportar mais sacrifícios.

Pedro Passos Coelho apenas se pode queixar de si próprio e do seu manifesto desconhecimento sobre o quotidiano do Povo Português. Sejamos claros: perante a rentrée política deste ano, parece evidente que Passos Coelho não sabe, nem sente que as estatísticas e algoritmos que fazem vibrar de júbilo os tecnocratas, em nada têm melhorado a vida dos Portugueses. Passos Coelho não sabe, nem muito menos sente que há Portugueses desesperados porque não têm emprego, nem casa, nem dinheiro para comer. Aliás, se Pedro Passos Coelho tem conhecimento desta realidade, então mais grave se torna a forma como quer impor mais e mais austeridade aos Portugueses.

É sabido que "a democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo" e, por isso, é imperioso perguntar: será que o Povo Português se revê no actual “governo”? Parece-me evidente que não.

O Povo Português está farto de ser a cobaia de um tubo de ensaio que teima em dilacerar pessoas e não produzir resultados. O Povo Português percebe que o acumular de dívidas, sem o aumento de receitas, apenas contribui para agigantar as dívidas. Tudo isto é manifesto para todos, menos para a troika e para os seus seguidores acríticos.

Depois de duas semanas em que (quase) todos criticaram as medidas do Governo, o Governo recuou. Há pelo menos dois anos que (quase) todos criticam a “receita” da Troika e esta teima em não recuar. Se o Governo recuou, tenho esperança que a Troika um dia faça o mesmo. A pergunta é só uma: quando vai recuar a Troika?

Artigo publicado no Diário de Viseu

Passos e Portas: um duelo na praça pública!

No início desta segunda sessão legislativa os deputados do PS eleitos por Viseu quiseram deixar bem claro o seu posicionamento face à atual conjuntura política e às suas implicações para as pessoas, através de uma conferência de imprensa.
Há um ano atrás estávamos melhor e hoje estamos pior e, ainda por cima, temos uma coligação que não se entende entre si e se desafia para duelos na praça pública. Ou seja temos uma “descoligação” formada por dois partidos que reúnem os seus estados-maiores não para sufragarem e reforçarem o governo e as suas medidas mas para ver qual dos dois parceiros de coligação, se o CDS se o PSD, é mais rápido a desembainhar a espada e a acertar no coração do adversário.
Passos e Portas já não conseguem esconder aquilo que é uma evidência: a coligação já era, está ferida de morte. E portanto do que se trata agora é de ver qual consegue encontrar a melhor estratégia para culpar o (ex) parceiro de coligação relativamente às medidas anunciadas recentemente aos portugueses, nomeadamente a da transferência direta de rendimentos do trabalho para as contas bancárias das empresas. Isto é, transferir dinheiro do vencimento de uma das empregadas da caixa de um supermercado para o NIB do seu patrão (qualquer deles bem conhecido).
Portanto quem não se entende entre si como é que se pode entender com os portugueses?
Aliás a manifestação cívica, apartidária, do dia 15 de setembro deu bem a ideia da indignação que atravessa os portugueses. Foi um inequívoco grito de revolta como não se via há décadas em Portugal.
O PSD desvalorizou esta manifestação, mas o povo falou. Falou e falou de uma forma clara sobre a necessidade, a urgência em mudar de políticas, em mudar de rumo.
Cabe, pois, agora a Portas e a Passos, aos “cavaleiros” deste duelo, lerem os sinais, lerem a cidadania, lerem a rua e agirem em conformidade. O país tem que estar acima destes seus arrufos e dos seus orgulhos.
O PS tem acompanhado, com preocupação, todo este evoluir da situação e António José Seguro já disse com toda a clareza qual a posição do seu partido: votará contra o orçamento e apresentará uma moção de censura caso o governo avance com a implementação destas medidas imorais de transferência direta de dinheiro dos trabalhadores para os empresários.
É tempo de dizer basta a estas medidas e a estas políticas que só têm esmagado a economia e os portugueses. Há outro caminho, como o PS tem vindo a propor com medidas concretas.
E é também preciso que os viseenses conheçam o pensamento concreto dos deputados da maioria (PSD E CDS) que elegeram. Têm estado em silêncio e quando falam é para debaterem lugares na administração e não para dizerem o que pensam das medidas da sua descoligação.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

UM GOVERNO SEM FUTURO





Se já não existiam grandes dúvidas sobre o fracasso das políticas globais deste Governo, no que diz respeito ao equilíbrio do défice das contas públicas o desastre é total. Num relatório sobre a execução orçamental no primeiro semestre o valor do défice terá atingido os 6,9% muito acima dos 4,5% previstos para o final deste ano. Até ao final de 2012 é muito provável que o valor fique muito próximo dos 6%. Convém lembrar que esta foi a grande aposta política da coligação de direita que suporta o Governo tendo colocado o País numa trajectória fortemente recessiva desde o primeiro trimestre de 2011.

O Governo falhou em toda a linha. Todos os enormes sacrifícios pedidos aos portugueses, feitas as contas, acabaram por se saldar num enorme fracasso: a taxa do desemprego caminha rapidamente para os 17%, sendo que entre os jovens ela é de cerca de 33%, os níveis de pobreza alastram de forma dramática e as contas públicas continuam desequilibradas.

De que valeram então todos os sacrifícios? Esta é a pergunta que legitimamente hoje todos fazemos. Se esta era uma questão incontornável até à passada sexta-feira, momento em que o Primeiro Ministro apresentou um conjunto de medidas adicionais que na prática se irão traduzir num fortíssimo agravamento da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, ela ganhou uma nova legitimidade. Qual é o limite dos sacrifícios? E para quê se afinal tudo fica pior do que estava?

Parece-me claro que se atingiu há muito o ponto máximo de esforço possível dos portugueses. Da parte do Governo persiste-se no erro de atacar a austeridade com mais austeridade. Esta estratégia irá agravar a situação, criará uma mancha de pobreza ainda maior,  gerará um forte descontentamento e contestação social e arruinará muito do tecido social e económico que tem até agora lutado desesperadamente pela sobrevivência. É exactamente isto que neste momento está em causa: sobrevivência de muitas pequenas empresas e de muitas famílias. Será que o Governo ainda o não percebeu?

Até há passada sexta-feira, parecia também notório, tendo vindo a acentuar-se nas últimas semanas, o mau estar entre os partidos da coligação que suportam este Governo. Quer na questão da concessão do serviço público da RTP a privados e na privatização da ANA, quer nas orientações de política fiscal (no eventual quadro de agravamento de impostos) ou ainda no desentendimento para uma proposta comum de alteração da lei autárquica, PSD e CDS falavam de coisas diferentes.

A dúvida criou-se: será que coligação de Governo estaria a atravessar um mau momento? Ou seria apenas um jogo de espelhos e um conjunto de cortinas de fumo que o CDS de Paulo Portas quis lançar para mostrar uma “aparente” demarcação do desastre que se anuncia? Sente-se algum desnorte nos partidos que suportam o Governo de certa forma traduzido por uma negação da própria realidade. Na reacção às medidas anunciadas por Passos Coelho o representante parlamentar do PSD dizia que as medidas apresentadas eram medidas de apoio ao emprego. Como diz? Não se importa de repetir? Por parte do CDS o seu representante parlamentar, numa reacção quase pavloviana, assegurava que as medias não se traduziam num aumento de impostos nem da carga fiscal. Mas alguém acredita nisto?

Alexandre Azevedo pinto,
Economista

Passos Coelho ganhou eleições com fraude eleitoral


Aí está, no seu esplendor, mais um resultado, na nossa região, das políticas ultraliberais que o PSD e o CDS estão a levar à prática há um ano no país: mais 4302 desempregados no distrito de Viseu no mês de julho face a mês homólogo do ano anterior.
Depois de todos os confiscos que fizeram aos portugueses, depois de todas as medidas que estão a aplicar e que não faziam parte do contrato assinado com os eleitores no dia 5 de junho de 2011, só podemos concluir que estamos perante, afinal, uma enorme fraude eleitoral. Sim, uma fraude política e eleitoral não é só alterar resultados nas urnas ou viciar o número de eleitores é também mentir aos portugueses sobre as políticas a implementar.
E, como se não bastassem todos esses aumentos de impostos com que fomos brindados e com os novos aumentos que agora foram anunciados, os portugueses e os viseenses veem-se atirados para o desemprego, como se constata, e donde não sairão tão depressa, pelo menos enquanto prosseguirem estas políticas da austeridade custe o custar promovidas por este político-marionete de Merkel e dos interesses das offshores acoitados em paraísos fiscais.
Aí está no seu esplendor o tal “éden” prometido por Passos Coelho: aumentar os impostos? Nem pensar. Tirar os subsídios de férias e de natal? Isso é um disparate. Mais austeridade? Era o que faltava.
Pois tudo isso aí está. Aí está na casa de cada português, de cada família, com exceção dos bafejados com o pote, com exceção dos inúmeros ‘catrogas’ para quem o banquete está sempre posto.
E, neste contexto, o PS tem que ser a voz da indignação, mas também a voz da esperança. Da indignação votando contra o orçamento de estado que o Governo vai apresentar e rompendo, de uma forma clara e inequívoca, com qualquer acordo com esta maioria do PSD e do CDS. E o PS tem também que ser a voz da esperança, ao constituir-se como uma alternativa com um caminho oposto a este, como tem vindo a ser dito, sistematicamente, por António José Seguro.
Os viseenses não podem tolerar mais esta gente que lhes está a extorquir os serviços, o trabalho, a dignidade. Vivemos, talvez, o tempo em que se exige de cada um de nós a maior das responsabilidades e a máxima intervenção cívica: estar na primeira linha e não transigir na defesa do nosso país e da nossa terra face a estas investidas seletivas ao interior, aos trabalhadores, aos pensionistas e aos reformados (ao mexilhão, para usar uma expressão popular), que ultrajam os portugueses. E até os verdadeiros social-democratas e democratas cristãos se sentiram e sentem incomodados, como têm vindo a dizer, em coro.
Queremos continuar reféns da esperança; basta de neoliberalismo fraudulento!
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

País? Qual País?...





            Nestes últimos dias, não sei se vivo num país ou num rendilhado de interesses…
            Não consigo entender, nem muito menos aceitar que em pouco mais de 1 ano, um governo de “iluminados” tenha destruído o já tão frágil país que temos.
            Em tempos “memoriais” diziam que o PEC 4 era a destruição do país. Tivemos um Presidente da Republica que veio prontamente dizer: - “BASTA DE SACRIFICIOS”. E no fim de contas, saímos da beira do abismo para sermos atirados em queda livre, nesta espécie de experiência neoliberal que está a destruir tudo o que sempre defendemos e que muitos anteriores à minha geração deram a vida para defender.
            Passos Coelho, o “cabecilha” dos “iluminados” no dia 7 de Setembro, vem anunciar um aglomerado de medidas, que foi o maior ataque ao trabalhador e ao trabalho de sempre. Nunca jamais ninguém tinha feito algo assim. Enunciou um rol de medidas que em nada vem ajudar a economia, nem criar postos de trabalho. Como se veio a ver, apenas ajuda as grandes empresas a poupar alguns milhões para depois entregar aos seus acionistas, com quem, curiosamente, os “iluminados” ainda não mexeram.
            Agora, dia 11 de Setembro, (qualquer coisa me dizia que seria algo tipo o que aconteceu há 11 anos atrás) vem o “iluminado” Vítor Gaspar dar a machadada final. Uns pozinhos no IRS, na função pública, nas PPP (mas pouco que essas são dos amigos) e nas privatizações. Pois é e assim se mata um país.
            Queria agora só deixar 2 perguntas / reflexões:
            Onde anda o Grande amigo dos “ilumidados” Paulo Portas? É curioso cada vez que há um comunicado importante ele não se encontra no país…(diz ele: -Estou a representar o país não falo sobre esse assunto)
            Vamos Privatizar a água, o Transporte de Passageiros, o Transporte de Eletricidade, Os CTT, a ANA… e ficamos com o quê? Se houver um problema grave nesses sectores, vamos regular como?
            E anda a oposição a dormir… Eles não devem saber que já não há quase país…
            Quando quiserem governar e chamarem o povo ao ato supremo de liberdade, o povo vai dizer:
 - País? Qual País? 

Cale-se, senhor Primeiro-Ministro



"O governo violou as promessas eleitorais. Passos Coelho e os seus pares assumiram compromissos internacionais que hipotecam a nossa vida e a dos nossos filhos e netos, sem nos consultarem. Este plano é injusto e nunca foi discutido democraticamente. São os trabalhadores e reformados a pagar a parte de leão. Tanto esforço para nada. O Memorando da troika falhou. Não resolve nenhum dos nossos problemas. Devemos hoje mais que antes da entrada do FMI. O défice do Estado não pára de crescer. E isso tudo apesar de o governo estar a liquidar os serviços públicos. Nunca houve tantos desempregados em Portugal. As empresas continuam a falir, a economia está a ser destruída todos os dias.
Se o plano da troika não funciona, o governo tinha de exigir um plano justo e eficiente. Mas nada disso. Passos Coelho e Vítor Gaspar são mais troikistas que a troika. No dia seguinte ao BCE ter criado medidas para impedir a subida de juros das dívidas soberanas, o governo, em vez de aproveitar a folga para renegociar o programa e as condições do resgate, resolveu fazer mais e muito pior.
Em Julho de 2011, o executivo recusou baixar a taxa social única das empresas para a segurança social depois de fazer um estudo em que concluía que isso só era possível aumentando o IVA, para impedir a sua descapitalização, e que era muito duvidoso que esta medida gerasse empregos. Um ano depois, o governo colocou o estudo na gaveta. Pela primeira vez na história, os trabalhadores vão pagar mais segurança social que os patrões. Com a agravante de que têm menos direitos e menos subsídios: não vão receber o que descontaram. O gabinete de Passos Coelho propõe-se roubar mais de um salário por ano aos trabalhadores do privado e dois subsídios anuais aos funcionários públicos e aos reformados. Repare-se que, aos reformados, não se trata de retirar subsídios, mas de roubar literalmente dinheiro que eles descontaram ao longo de uma vida de trabalho. É tirar a muitos para dar a muito poucos: esta medida apenas recompensa algumas grandes empresas e vai levar à falência a maioria das pequenas e médias empresas. Para além de diminuir ainda mais o rendimento dos portugueses, vai aumentar exponencialmente o desemprego. Chegou o tempo de dizer basta.
Todos temos os governos que merecemos. É o nosso silêncio que permite esta política. O primeiro-ministro apresenta-nos nos fóruns internacionais como gente mansa que aceita com um sorriso nos lábios toda a austeridade a que nos obrigam. Transformámo-nos nas cobaias das políticas neoliberais. Garantem-nos que não há alternativa. É o momento de remediarmos o erro e dizermos: tudo é alternativa a esta política ditada pela troika, porque este rumo apenas conduz ao desastre. Como escrevia um dramaturgo e poeta alemão de que Merkel não deve gostar:
“Depois de falarem os dominantes/ Falarão os dominados/Quem, pois, ousa dizer: nunca/De quem depende que a opressão prossiga? De nós/ De quem depende que ela acabe? Também de nós/ O que é esmagado que se levante!/O que está perdido, lute!”
Passos Coelho apresenta-nos lá fora como gente mansa que aceita tudo. É o nosso silêncio que permite esta política. Chegou o momento de dizer basta!
Até agora falaram os representantes dos agiotas; a 15 de Setembro, é a nossa vez de tomar a palavra, as ruas são de todos nós."

Por Nuno Ramos de Almeida

A austeridade com humor ...



Ricardo Araújo Pereira, na companhia de Pedro Ribeiro, Vasco Palmeirim e Nuno Markl  brindam – nos com esta “ análise humorística “ sobre as medidas anunciadas por Pedro Passos Coelho …




A INIQUIDADE - 5 CASOS DE EXCEPÇÕES SALARIAIS - MUITOS MILHÕES

Estudo de Raquel Almeida Correia - Público
UM GOVERNO E UM PRESIDENTE IMORAIS - UM PAÍS, 2 SISTEMAS - São quase 10 milhões de euros - 5 as regras que o governo criou e que violou fazendo tudo ao contrário - prometeu eliminar empresas públicas e CRIOU a empresa pública IGCP, PAGANDO 500 000 euros de salários em vez de 250 000; fez os cortes salariais de 2011, mas MANTEVE os vencimentos na TAP, CGD e SATA; disse reduzir salários das empresas públicas, mas MANTEVE na TAP, ANA, CTT, Parque Expo e Empresa de meios aéreos; disse equiparar os salários dos administradores dos institutos aos da função pública, mas MANTEVE em 18 institutos: AMA, GERAP, Iapmei, Turismo de Portugal, IEFP, IGFSE, ACSS, Infarmed, IGFCSS, IGFSS, Instituto de Informática, Instituto da Segurança Social; disse reduzir os salários dos gestores das empresas públicas, mas MANTEVE RTP;CGD; Empordef, IGCP. TUDO DESTINADO À ELITE DO GOVERNOFORTE COM OS FRACOS, FRACO COM OS FORTES! (Estudo de Raquel Almeida Correia)

Mais e mais austeridade ... Recortes de imprensa



Foto |DN

“ Estamos perante um sério problema de não obediência ou desobediência a uma decisão que foi tomada pelo  Tribunal Constitucional .”
“ A desobediência a uma decisão do Tribunal Constitucional pode ser objeto de responsabilidade civil e criminal.”
«Isto vai dar um grande sarilho. Acho que o Governo se vai meter num grande sarilho, porque junta à contestação que tem tido no meio laboral e económico, uma irritação que vai provocar num órgão de soberania que é um Tribunal Constitucional. Neste momento não convinha nada que a frente de conflito se alargasse ao poder judicial desta forma. Sinceramente penso que isto não vai acabar bem e lamento que o caminho esteja a ser este.»
Jorge Bacelar Gouveia

“Este tipo de política não leva a lado nenhum. Não há caso nenhum de país que tenha resolvido o seu problema de emprego reduzindo os salários”.

“Face às declarações que o Presidente da República tem feito sistematicamente será muito difícil promulgar um orçamento assim”.
João Ferreira do Amaral


“ Pelos vistos a política de austeridade continua e não há nenhum desagravamento”
Tenho as maiores dúvidas que o discurso do primeiro-ministro vá no sentido da equidade”
Jorge Miranda

“ Sinto uma certa angústia porque entendo que já não tenho tempo para ver o país melhorar. E obviamente isso preocupa-me por tudo: pelo país, pelos meus filhos e pelos filhos dos outros. “
Ramalho Eanes

O primeiro-ministro está a trair o sentido do acórdão do Tribunal Constitucional;  a criação de um novo novo imposto representa uma insuportável punição sobre o trabalho."
José Reis


“A pressão tributária tem limites. É necessário não ultrapassar a capacidade de suportar a pressão tributária”

Adriano Moreira


"Estamos perante um desafio de desobediência ao Tribunal Constitucional, ato que revela traços de autoritarismo e falta de sentido de Estado por parte do primeiro-ministro, que nunca aceitou uma decisão que a todos obriga. Estamos também perante um desafio do primeiro-ministro ao Presidente da República, Cavaco Silva, e um desafio à nossa paciência"
Manuel Alegre

Este austeritarismo que nos mata!


Vai-se ouvindo com alguma frequência o neologismo “austeritarismo” para qualificar esta política da austeridade “custe o que custar”. Esta política cozinhada nos laboratórios da finança mais gananciosa para alimentar os “abdómens obesos” dos seus proprietários.
Infelizmente, é uma expressão feliz para designar esta austeridade “musculada” ou autoritária que nos estão a impor.
E se a elaboração destas teses e destas políticas passou por densos cálculos matemáticos e por verdadeiros “experts” de engenharia financeira, a sua operacionalização foi toda ela milimetricamente projetada para nada falhar até que os cidadãos dos países-alvo da sua implementação estivessem completamente esmifrados.
É nesta fase que Portugal se encontra. Sem qualquer capacidade para os trabalhadores poderem continuar a ser mais “assaltados” por uma infernal máquina fiscal e sem mais “anéis” nos dedos para serem privatizados.
Tem sido, de facto, um fartar vilanagem. Na EDP, na CGD, nas Águas de Portugal, na REN, no BPN, nos Institutos que o deixaram de ser, enfim, é um rol infindo de gestores com as suas contas bancárias diretamente ligadas a esses potes de dinheiro fácil. Mas tudo se prepara para que a RTP, a ANA ou a TAP permitam ligações a NIB’s de outros “gestores” de direita com “elevada” reputação internacional!
Mas tudo isto atinge o paradoxo absoluto quando essa eminência de sapiência ilimitada, António Borges, que passou pelo Goldman Sachs, que ajudou a mascarar as contas da Grécia e que foi o responsável do FMI na Europa venha agora a ser o consultor do governo português para as privatizações e para avaliação das parcerias!
Não sei o que chamar a isto, se promiscuidade, se pornografia do pior nível entre a política e os interesses financeiros internacionais.
Está-se do lado que elabora e negoceia os planos e depois vai-se integrar a “equipa” que vai ter que operacionalizar esse programa.
Pelo menos há uma certeza em tudo isto: como não se podem servir dois amos, lá como cá, António Borges serve sempre os mesmos, os interesses daqueles que são os seus “proprietários”.
Estamos chegados, pois, ao tempo em que já não há mais tempo. Este governo já não consegue mais encobrir o embuste nem as suas tutorias e os seus reais objetivos. E o povo vai reagir, o povo está a reagir contra este austeritarismo e não está disponível para continuar a cumprir quando o governo está, redondamente, a falhar, parafraseando as palavras de António José Seguro no encerramento da universidade de verão do PS, em Évora.
Acácio Pinto
in: Diário Viseu | Jornal do Douro | Notícias de Viseu

Há outro Caminho ... António José Seguro



" Os portugueses cumpriram. O Governo falhou."

" Quero desejar um bom inicio de novo ano letivo para alunos, professores e trabalhadores das escolas. "

"O PS não assina de cruz, nem está obrigado a nenhum consenso político automático. O consenso político não se decreta, constrói-se a partir de duas ou mais propostas distintas."




"Uma coisa é o Governo outra é o Estado. E o Estado não se pode confundir com o Governo, nem o Estado com o PSD e com o CDS. O clientelismo politico tem que ter um fim."

 "O consenso politico é importante, mas a alternativa politica não é menos relevante. Ao contrário de alguns não vejo drama quando há divergências políticas. A divergência é a expressão da alternativa política que enriquece a democracia. É muito positivo para a democracia portuguesa que exista uma alternativa a este Governo. Essa alternativa é protagonizada pelo PS."

" Como sempre disse, para mim Portugal está em primeiro lugar. E o PS só existe para servir Portugal e os portugueses. "





Há outro caminho ... Ana Gomes



"Nunca receei crises ou roturas, pessoalmente e no partido, e também acho que o PS não pode recear crises ou roturas se, de facto a 'receita' é a mesma, desastrosa, empobrecedora e ruinosa para a economia e para os cidadãos portugueses."


"Desculpem, mas penso que o PS tem que estar preparado para as crises políticas que se justifiquem face a medidas absolutamente gravosas, desastrosas para o nosso país, para impedir que elas continuem a ocorrer."

Ana Gomes| Universidade de Verão PS | 1 de setembro 2012 | Évora



Há outro caminho ... Maria João Rodrigues



«Nós não podemos ter como objetivo apenas regressar ao ponto em que estávamos, acho que isto é errado. Nós temos que ter como ambição evoluir para um modelo de desenvolvimento com mais futuro.»

«Qualquer país, mesmo numa ótica muita avançada de integração europeia, tem que manter nas suas mãos alavancas estratégicas fundamentais, se não já não é país. O que é que é um país? É um espaço que tem capacidade de decisão sobre si próprio, se não é uma região.»



«A competitividade dos interesses a aumentar é aquela que assenta em mais valor acrescentado, mais qualificação e mais inovação. Eu estou para ver qual é a troika que tem autoridade para dizer que isto não é válido.»

«É chegada a altura de Portugal aparecer com uma posição mais clara sobre como pensa que pode resolver o seu problema. O que é esperado de nós não é que sejamos apenas bons alunos.»


Maria João Rodrigues | Universidade de Verão PS | 1 de setembro 2012 | Évora

Sinais de deriva



Miguel Sousa Tavares | Expresso | 1 setembro 2012
 Para os gurus liberais que nos governam, menos Estado significa desfazer-se de tudo o que pode implicar no futuro a existência de uma política económica que não seja apenas ditada pelo que eles chamam a livre concorrência. Foi assim que o BPN foi privatizado com o Estado a pagar, em lugar de receber que a fatia pública da Cimpor foi privatizada, com prejuízo; que a ANA e a TAP vão ser descartadas a preço de saldo; que a construção naval vai acabar com a liquidação sumária dos Estaleiros de Viana, por onde não passa a tão apregoada “aposta no mar”. Foi para tornar o Estado inoperante em sectores estratégicos que, ao contrário do que fazem países como a França ou a Alemanha, o Governo se apressou a desfazer-se das golden shares que lhes restavam e assiste de braços cruzados à óbvia cartelização das petrolíferas e ao abuso de poder da EDP, aliás subsidiada à socapa. E é por isso que avança na privatização de sectores que, nem sequer sendo deficitários, prestam serviços públicos essenciais, que a mais elementar prudência recomendaria que não fossem privatizados ou concessionados em regime de monopólio, como são os correios e a água. E é por isso, enfim, que o Governo acaba de se atolar no pântano da privatização da RTP, cujo interesse público escapa a todos e onde apenas é claro o interesse particular do Governo em seguir avante: tudo o resto é uma trapalhada absoluta, com cenários alternativos que se contradizem uns aos outros, sucessivos grupos de trabalho e consultores contratados, cujo único resultado é demonstrar a sua total ignorância sobre o que seja um serviço público de televisão e o próprio mercado do audiovisual português e a sua absoluta impreparação e incompetência para se ocupar do assunto. Pudemos assim assistir, estarrecidos, à lição de cátedra do liberal Borges propondo, sem vergonha, oferecer uma estação e um canal público a um qualquer amigo privado e ainda lhe dar 140 milhões por ano. Privatização? Reajustamento? Poupança? Não, apenas despudor. O fundamentalismo ideológico que determina a política seguida não reconhece qualquer razão de interesse público e já nem sequer se sustenta na racionalidade económica. É por isso que o Governo foi tão lesto a reduzir os contratos de trabalho e a sua protecção jurídica a quase nada, como se ter trabalho fosse um privilégio em si mesmo, mas não ousa encarar de frente o poder da EDP — nem para defender os consumidores nem para diminuir os custos de produção das empresas.

A querida troika veio encontrar uma execução orçamental em que nenhuma das célebres reformas prometidas e esperadas avançou (eu rio-me da ignorância deles quando oiço os alemães dizer que Portugal não tem outro caminho senão continuar com as reformas). Em que a dívida pública aumentou e o défice estabelecido para este ano nem por intervenção divina será cumprido. Em que 300.000 pessoas perderam o emprego e dezenas de milhares de empresas faliram e muitas mais vão falir porque a banca não empresta um tostão a ninguém — e até o mais assanhado esquerdista sabe que, sem crédito, não há economia que possa funcionar. Em que 19 das 20 empresas do PSI-20 se mudaram para melhores residências fiscais e os que ficaram estão a ser exterminados por um governo ‘liberal’ que tornou tão insustentável a carga fiscal que em lugar de recolher mais dinheiro o perdeu. E em que, finalmente, toda a poupança na despesa pública foi conseguida com cortes de salários, mantendo intacta a superestrutura que arruína o país e os maus hábitos de proteger com dinheiros públicos os amigos do costume.

Um ano e meio decorrido, depois de ter aceitado os sacrifícios impostos com uma resiliência que todos reconhecem, os portugueses têm o direito de esperar que o Governo e a troika lhes digam o que correu mal e porquê, e o que vai ser mudado ou revisto. E não adianta virem com desculpas sobre a conjuntura externa, porque esta é a mesma maioria que não aceitava essa explicação ao governo anterior. Não adianta virem dizer que a situação era bem pior do que esperavam, pois que nos juraram que conheciam bem a situação e estavam preparados para governar (e ainda esperamos provado “desvio colossal”...). Supondo que, quer o Governo quer a troika, não tenham a humildade de reconhecer que falharam no diagnóstico e na solução, é de esperar, pelo menos, que não venham, simplesmente, propor-nos mais do mesmo. Estamos pobres e descrentes, todavia ainda não estúpidos de todo.