Não podemos aceitar que o mercado interno do consumo das famílias seja estrangulado


Maria João Rodrigues, a única perita portuguesa junto das instituições europeias, defende que Portugal tem tido, enquanto país, uma atitude suficientemente responsável e construtiva para ser escutado no Conselho Europeu e deve utilizá-la de forma inteligente. 


“ Portugal devia levar à Europa uma mensagem própria que seria extremamente útil não só para resolver o seu problema, mas também para encontrar uma solução europeia. Estamos de acordo que temos de ter uma política orçamental consistente e responsável visando a redução do défice e da dívida pública. Sabemos que isso implica um processo de racionalização da administração pública, que é difícil, e reduzir o chamado Estado paralelo, ou seja, a ramificação do sistema público, como as fundações, empresas municipais, Parcerias Público-Privadas, que não tenham razão de ser. Mas não estamos de acordo em pôr em causa serviços públicos fundamentais como a educação, protecção social, e saúde. Segundo ponto: as privatizações não podem ser conduzidas tendo apenas em vista a rendibilidade financeira imediata. É preciso prevenir a desarticulação da economia portuguesa, e esse risco pode existir. Na área do mercado de trabalho, devemos aceitar uma relação mais clara entre compensação salarial, promoção profissional e produtividade. Mas não podemos aceitar que Portugal seja empurrado para uma redução generalizada dos salários e dos custos sociais que financiam a protecção social. Já são muito baixos para as médias europeias. A solução para Portugal tem a ver com produtividade e competitividade inteligente.


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