Há outro Caminho … Edite Estrela


“ Há uma derrapagem na arrecadação da receita e, portanto, estão em causa as metas e acho que o Governo deve pedir o alargamento dos prazos e renegociar as metas. Isso é urgente."

“ A  execução orçamental do Governo PSD/CDS-PP revela uma derrapagem na receita na ordem dos três mil milhões de euros , o que significa que, apesar do aumento dos impostos e da redução dos salários, o objetivo de 4,5 por cento do défice para este ano não será cumprido. Tanto sacrifício por causa da redução do défice, mas o défice não baixa." 




"Uma tal overdose de austeridade deprimiu a economia e matou o emprego. Foi um enorme erro estratégico."

"A realidade não se altera com promessas, nem com estados de alma".

"Aguardamos, com natural expetativa, as propostas que vão ser apresentadas para corrigir os três mil milhões da derrapagem, compensar os dois mil milhões dos subsídios da função pública, cumprir a meta do défice de três por cento, financiar a economia e regressar aos mercados em setembro."

"O projeto europeu não está a corresponder às expetativas dos cidadãos".

Edite Estrela | Universidade de Verão do PS | 30 agosto 2012 | Évora



Nuno Crato: o "educador" sem perdão!

Foto: RTP

Naquele tempo Nuno Crato era, para muitos, o homem predestinado para levar a cabo a verdadeira revolução na educação, ou no “eduquês” como muitos diziam.
Ele era o homem que orava sapientemente e com rigor sobre o sistema. Ele era o comentador de serviço para bater nas políticas educativas de então. E ainda por cima era cientista, matemático, ou seja, sabia do que falava!
Até falava em implodir o ministério da educação para que não restassem dúvidas do lado em que ele se colocava.
E tanto assim foi que teve quase um ano em “estado de graça”. Não se ouviam, muito, os professores, as estruturas sindicais nos primeiros meses desligaram os megafones, os pais, praticamente, não falaram, embora fossem os menos silenciosos.
Prometeu uma avaliação “nova” para os docentes, percebe-se agora que a verdadeira novidade foi a transformação de uns quantos docentes em avaliadores pagos “à peça”, ou em “novos titulares”.
Prometeu uma reforma curricular e fez uma mera alteração de cargas horárias e a supressão de importantes disciplinas no âmbito da cidadania e do saber fazer, bem como um grande retrocesso nas ciências experimentais.
Encheu a boca com a qualidade e com o rigor e o que se conheceu foi o aumento do número de alunos por turma e a “vulgarização” dos exames aos alunos no final do 4º ano sem nenhuma mais-valia pedagógica evidente.
Mexeu na avaliação dos alunos com necessidades educativas e no recorrente e o que se sabe é que os pais e os alunos ganharam os processos judiciais que moveram contra o ministério da educação.
Produziu normativos na sequência das suas reformas cujo resultado assumiu contornos de uma gravidade absoluta e de um desrespeito total para com milhares de professores atirados para horários zero.
Apoucou as novas oportunidades acabando com um programa que certificou centenas de milhar de portugueses e o resultado foi atirar para o desemprego milhares de formadores e lançar para o vazio dezenas de milhar de seus concidadãos.
Prometeu muito mais autonomia para as escolas só que, afinal, transformou os diretores em gestores de horários ao minuto e preenchedores de plataformas informáticas!...
… ah, e até parece que agora inventou o ensino profissional e o tudo o mais que está para vir!
Enfim, um “educador” sem perdão, como é reconhecido, praticamente, por todos, nos últimos tempos!
Acácio Pinto

Sim, estamos a exportar, mas é, mais ouro das famílias!

Foto: lisboacity.olx.pt

É verdade. A balança comercial está a ser favorável a Portugal. Estamos a exportar mais do que aquilo que importamos. E este é um dado que os governantes e os seus “retransmissores” de serviço se encarregam de divulgar como sendo o “alfa e o ómega” para a salvação do nosso país. Porém, e infelizmente, as coisas não são assim tão líquidas.
Fui ver alguns dados e também a composição das exportações. E dei comigo surpreso! Então não é que o ouro é um dos materiais que Portugal aumentou significativamente a sua exportação? Sim o ouro!
Mas não é o ouro moeda, o ouro do Banco de Portugal, nem o ouro extraído dos coutos mineiros. É o ouro das famílias portuguesas. É o ouro usado, o ouro em segunda mão que está a ser comprado por uma bagatela, por todo o país, e a ser exportado, principalmente para a Bélgica. Quem não encontra uma loja de compra de ouro usado na primeira esquina?
E numa coisa os pregadores do aumento das exportações têm razão, de facto há aqui muito mérito do governo. Aliás, é este o fruto de um programa lançado há um ano que visa a venda de anéis, cordões, pulseiras e fios usados para fazer as delícias de uns quantos especuladores e para gerar o maior empobrecimento de sempre das famílias portuguesas. Este é o resultado do maior aumento de impostos de sempre, do corte nos rendimentos, afinal o fruto da austeridade absoluta como via da salvação coletiva e que leva milhares de portugueses, com os olhos molhados, a desfazerem-se de bens de inestimável valor sentimental.
Quanto à diminuição das importações, também já se percebe o porquê. Reduziu-se a economia a zero e, portanto, uma economia cujas empresas não funcionam não precisa de comprar nem matérias-primas nem maquinaria ao estrangeiro.
Triste sina, esta, a de milhares de portugueses, não de todos. Receitaram-lhes uma medicação que estão a tomar estoicamente há um ano, mas as análises e radiografias que regularmente são feitas, nos laboratórios do estado, nos internacionais ou nos privados, todas, convergem: Portugal está pior, está muito pior do que estava há um ano atrás, com exceção de uns quantos fariseus, cujos nomes e credos bem conhecemos, que se vão lambuzando em todos os potes.
Nota: Que triste figura, a de António Sala, a dar a cara por um anúncio de conteúdo miserável, de venda/compra de ouro!
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

SUBSÍDIOS DE FÉRIAS - PAGOS - A ASSESSORES DO GOVERNO

O 1º MINISTRO AINDA NÃO RESPONDEU AO PS - a pergunta foi feita por mim e Carlos Zorrinho. Foi a 2ª vez. A 1ª resposta de várias páginas e artigos de várias leis foi "desenhada" para que a opinião pública nada percebesse. MAS CONFESSAVA que alguns recebiam: os do privado que foram para o governo, por terem direito a férias vencidas. MAS quando saem das empresas acertam contas com elas. QUANDO ingressam nos gabinetes ficam sujeitos às regras do público. ACONTECE que os do público também têm férias vencidas e não recebem. PORTANTO, perguntámos, 2ª vez, quantos são, donde vêm, que vínculos tinham, quantos recebem. O 1º MINISTRO ESTÁ EMBARAÇADO E NÓS INDIGNADOS!

“E esta, hein…”


Gabinete de Apoio ao Emigrante
Município de Sátão
 
Existem coisas que só o Município de Sátão faz…
Como todos sabem, e se não sabem ficam informados neste momento existe um “Gabinete de Apoio ao Emigrante”. Como todos sabem o mês de Agosto é o mês por excelência que os emigrantes escolhem para vir para a sua terra.
Aproveitam para resolver os seus assuntos e tratar de tudo o que não podem durante o ano em Portugal.
Agora imaginem quando é que o “Gabinete de Apoio ao Emigrante ” está fechado?
Nem mais nem menos do que de 8 de Agosto a 24 de Agosto.
Agora cada um pensa o que quiser… Mas pensamos que é revoltante, no único mês que este Gabinete tem verdadeira utilidade este tem a porta fechada.
Acreditamos que não seja por má-fé… Talvez pura desorganização… Quem sabe desconhecimento da realidade…Ou talvez sirva apenas para apoiar aqueles que em vez de voltarem ao seu país, têm que partir, de novo como nos anos 60 graças as políticas desastrosas deste governo que os leva a emigrar.
Acreditamos que o Município de Sátão irá evitar que tal aconteça nos anos que se avizinham.

Como diria o Grande Fernando Pessa “E esta, hein…”

Radioterapia para Viseu: Mais do que uma urgência é uma evidência!


A ministra da saúde de então, no governo do PS, Ana Jorge, deixou concluído, em Abril de 2011, todo o processo (estudos, projeto) para a construção do Centro Oncológico nos terrenos do Hospital de Viseu, uma unidade para apoiar todos os doentes oncológicos da região envolvente, nomeadamente dos distritos de Viseu e Guarda e com isto evitar as penosas deslocações dos doentes a Coimbra ou ao Porto para fazerem radioterapia e outros tratamentos similares. Aliás, o projeto só não foi lançado nessa altura por coincidir com período eleitoral.
Porém, para o atual governo do PSD e do CDS esta não foi uma prioridade como se conclui, um ano volvido, sem qualquer passo dado. Infelizmente para a região, mas sobretudo para os milhares de doentes do foro da oncologia.
Mas se no governo ainda houver dúvidas sobre a necessidade de avançar para a construção de tal unidade basta ler o relatório do estudo elaborado pela ERS (Entidade Reguladora de Saúde), recentemente divulgado, onde não há dúvidas sobre a urgência de por cobro a tal situação.
Na região Centro, segundo o estudo, 44% da população reside em localidades situadas a mais de 60 minutos de um estabelecimento prestador de cuidados de radioterapia e isso diz bem da dimensão do problema. São milhares de pessoas que regularmente, em situação física e psicologicamente frágil, têm que andar num reboliço de trânsito para aceder aos tratamentos que são prescritos à maioria dos doentes oncológicos, quando lhes poderiam ser facultados em Viseu. E falamos, obviamente, de mais de 60 minutos de ida e outros tantos de volta durante cinco dias por semana, normalmente durante cinco semanas.
Deixemo-nos, portanto, de conversa mole e de lutas políticas que não valem a pena quando estão em causa valores desta ordem de grandeza.
Paulo Macedo e o governo não podem ter hesitações e os políticos de Viseu só têm que fazer o que lhes compete: exigir a uma só voz tal equipamento que não é do interesse de Viseu, mas sim do interesse das pessoas, do interesse dos portugueses.
Tal equipamento, mais do que uma urgência é hoje uma evidência.
Acácio Pinto
in: Notícias de Viseu

Basta! O esforço não tem quer ser exigido sempre aos mesmos!

O desespero está instalado na sociedade portuguesa. As famílias, as pessoas, estão a atravessar dias negros nas suas vidas. Porém, é certo que todas elas têm esperança num futuro melhor. E ter esperança é acreditar em pessoas. Nas pessoas que ao nosso lado possam ser inspiradoras e trazer consigo um projeto alternativo para a nossa terra, para a nossa cidade, para o nosso país. Para o nosso mundo.
Bem sei que começa a estar incrustada, no nosso viver, uma certa ideia de que são todos iguais. Todos se pautam por estes mesmos valores (para muitos como eu, não-valores) de um mercado desregulado, de uma obediência acrítica aos comandos de uns quantos rostos negros escondidos por detrás de uma ganância selvagem de multiplicação do capital. De um exacerbado querer de crescimento eterno. Nem que necessário seja repisar os mínimos da dignidade humana a nível do mercado de trabalho.
Porém, não são todos iguais. Não somos todos iguais. Há diferenças, e muitas, na visão que cada um tem do mundo e na organização do dia-a-dia.
E a diferença traduz-se muitas vezes em pormenores do nosso quotidiano. Em medidas de política que sem nos apercebermos qualificam ou desqualificam o modo de vida de cada um de nós.
Vem isto a propósito dos resultados das políticas conservadoras com que em Portugal e na Europa temos estado a ser governados. Por exemplo, o fosso entre o ordenado mínimo (auferido por milhões de pessoas) e os ordenados máximos (auferido por milhares de iluminados) é escandaloso; a acessibilidade à justiça “qualificada”, de poucos milhares de bafejados, e a inacessibilidade, que se quer aumentar, aos tribunais por parte de milhões de cidadãos é chocante;… e que dizer da universalidade da educação que conquistámos, à elitização do ensino para que caminhamos? e do serviço nacional de saúde geral que implementámos, à saúde para alguns patrocinada por bancos e seguradoras? e da segurança social pública e sustentada, à segurança social privada e dos capitais de risco? e ainda mais: alguém nos consegue explicar da necessidade de existirem paraísos fiscais? locais onde se “lava” dinheiro? espaços onde se sumiram milhões de bpn’s e de outros?
Enfim… tudo isto são diferenças! E não nos iludamos com o canto da sereia. Com as ideias que nos “vendem” diariamente de que tem que ser. De que temos que aceitar perder estes e mais aqueles direitos. Não, o que temos é que estar muito atentos, informados e perceber que não há em nada na vida e muito menos na política caminhos de via única. Há sempre uma alternativa e essa muitas vezes faz toda a diferença e tem reflexos no nosso dia-a-dia.
Basta: O esforço não tem que ser exigido sempre aos mesmos!
Acácio Pinto
in: Diário de Viseu

Viseu: cidade com história e estórias para contar


Mais antiga do que a nacionalidade, a região de Viriato é talvez aquela que melhores pontes tem construídas a unir o passado e o presente. A cidade oferece um turismo de muita qualidade ao nível do património e dos sabores.
Viseu é uma cidade acolhedora, rica em património e em história. "Que viso (vejo) eu?" - terão perguntado os guerreiros cristãos que pelo século IX conquistaram a região aos árabes. Do "viso eu" se terá evoluído até Viseu. É uma possível explicação sobre as origens do nome de uma cidade por onde vale a pena passar para sentir e conhecer.
Para quem chega de manhã, o melhor é dirigir-se imediatamente ao Welcome Center e solicitar alguma documentação para se saber ao certo o que se pretende visitar. Fica no Adro da Sé, ou seja, mesmo no centro. Com um pouco de sorte até se poderá lá encontrar o professor Adriano Azevedo, um especialista e bom conselheiro nas andanças pela região de Viriato. A leitura dos desdobráveis pode ser feita numa das esplanadas do casco histórico ao sabor de um bom pequeno-almoço. Existem várias, e com qualidade.
Pode-se passar mais de uma hora nesse museu, mas, aproveitando a manhã sem sair do centro histórico, valerá também a pena uma visita à Sé, ao museu de arte sacra e, quase no mesmo registo, entrar logo a seguir no museu da Santa Casa da Misericórdia. A história ajuda-nos a perceber melhor o presente e, se calhar, a melhor pensar o futuro.
E com a manhã quase no fim, e antes do almoço, valerá ainda a pena deambular pelas ruas do casco histórico, a Direita, a do Augusto Hilário, ou outras, para descobrir o artesanato e pensar em recordações. É também interessante conhecer os artesãos. Mesmo que o estômago já aperte, não será má ideia apanhar o comboio turístico e apreciar o resto da cidade. É sempre possível sair a meio ou quando se desejar.
As sugestões para o almoço são muitas. O Cortiço é um dos restaurantes mais conhecidos na cidade. Fica no coração da zona histórica, junto à Sé. Há quem o considere a "catedral da boa cozinha", há mais de 40 anos. O arroz de carqueja fica sempre na memória, ou os rojões com morcela... Não se pode exagerar porque a tarde já arrancou.
Depois dos "prazeres da carne" convém sair da cidade e, antes de se seguir para mais longe, é uma boa sugestão dar um salto ao Monte de Santa Luzia para conhecer o Museu do Quartzo. É único no mundo e foi idealizado pelo prestigiado geólogo Galopim de Carvalho, situando-se num antigo local de extração do quartzo. Segundo este especialista, o museu poderá converter-se num centro de investigação deste minério, a nível mundial!
Segue a viagem em direção a São Pedro do Sul para visitar as termas. É obrigatório provar a água, apreciar a paisagem, perceber a história do local e, se der jeito, passar uma meia hora pelo spa termal. Seria perfeito.
O dia poderia acabar no Bioparque a descobrir plantas e pássaros. Situa-se em Carvalhais, São Pedro do Sul. É um espaço de 100 mil m2 que também pode ser uma grande aventura para toda a família no dia seguinte com passeios e desportos radicais. O jantar pode ser no local e depois seguir viagem ou dormir na Casa de Montanha.

DN | Licínio Lima


Contra uma Europa neoliberal



Alfredo Barroso | DN | 7 agosto 2012
1. As respostas às questões de fundo sobre o futuro do euro e da própria União Europeia passam inevitavelmente pela revisão dos tratados em vigor. Não é concebível uma moeda única entre países que estão em constante guerra económica uns contra os outros. Guerra da qual vão saindo vencedores os países mais desenvolvidos, do centro da Zona Euro (Alemanha, Holanda, Áustria), e vão saindo derrotados os países da periferia, mais vulneráveis e pejorativamente designados PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha).
2. A UE tem de libertar-se da obsessão neoliberal que consiste em impor aos Estados membros a disciplina dos mercados financeiros, designadamente através das agências de rating mais poderosas. Não faz qualquer sentido que a indústria financeira desregulada - que provocou a crise e causou os aumentos dramáticos das dívidas e dos défices - seja chamada a financiar os défices que ela própria causou, fazendo exigências insuportáveis e impondo regras draconianas aos países que sofrem as consequências da crise e se encontram em estado de necessidade.
3. Por tudo isto, é imperioso reclamar a revisão dos tratados em vigor. Para que na Zona Euro e na UE venham a prevalecer a solidariedade financeira e não a competição desenfreada, a cooperação e a entreajuda e não a guerra económica permanente entre Estados. E também para que o estatuto do Banco Central Europeu seja modificado, responsabilizando-o perante as instâncias democráticas nacionais e europeias, e estatuindo que a missão do BCE e a sua política monetária e de crédito devem dar prioridade à criação de emprego e ao desenvolvimento humano sustentável e duradouro.
4. Ora, para combater a sério esta crise tão grave, é mesmo necessário rever os tratados e criar condições que permitam o lançamento de eurobonds, a recapitalização do Banco Europeu de Investimentos, a criação de um fundo de solidariedade para promover o crescimento (como sugeriu Stiglitz em artigo que o DN publicou há um mês), além de uma profunda reforma do sistema financeiro e de um controlo eficaz dos movimentos de capitais, 

DN



Não podemos aceitar que o mercado interno do consumo das famílias seja estrangulado


Maria João Rodrigues, a única perita portuguesa junto das instituições europeias, defende que Portugal tem tido, enquanto país, uma atitude suficientemente responsável e construtiva para ser escutado no Conselho Europeu e deve utilizá-la de forma inteligente. 


“ Portugal devia levar à Europa uma mensagem própria que seria extremamente útil não só para resolver o seu problema, mas também para encontrar uma solução europeia. Estamos de acordo que temos de ter uma política orçamental consistente e responsável visando a redução do défice e da dívida pública. Sabemos que isso implica um processo de racionalização da administração pública, que é difícil, e reduzir o chamado Estado paralelo, ou seja, a ramificação do sistema público, como as fundações, empresas municipais, Parcerias Público-Privadas, que não tenham razão de ser. Mas não estamos de acordo em pôr em causa serviços públicos fundamentais como a educação, protecção social, e saúde. Segundo ponto: as privatizações não podem ser conduzidas tendo apenas em vista a rendibilidade financeira imediata. É preciso prevenir a desarticulação da economia portuguesa, e esse risco pode existir. Na área do mercado de trabalho, devemos aceitar uma relação mais clara entre compensação salarial, promoção profissional e produtividade. Mas não podemos aceitar que Portugal seja empurrado para uma redução generalizada dos salários e dos custos sociais que financiam a protecção social. Já são muito baixos para as médias europeias. A solução para Portugal tem a ver com produtividade e competitividade inteligente.


Desemprego não obedece ao governo, pois claro!


Os números não mentem. Enquanto na União Europeia e em toda a zona euro a taxa de desemprego se mantém estável, respetivamente nos 10,4% e nos 11,2%, em Portugal o desemprego continua a crescer e atingiu no mês de junho, segundo o Eurostat, o valor de 15,4%, um aumento de 2,8% relativamente a 2011.
E subiu, precisamente, num mês em que devia baixar pela dinamização da economia associada ao turismo que sempre acontece no verão.
Afinal com este governo nada é o que era. Nem o desemprego lhe obedece, ou não seja este o resultado de uma sangria cega nos rendimentos dos trabalhadores e um aumento insustentável dos impostos; isto é, a consequência da política de austeridade e de terra queimada.
Mas de tudo isto aquilo que é mais chocante, por tudo o que significa e pelo simbolismo que encerra é o aumento do desemprego entre os jovens. Aí, onde tudo devia começar, é que o drama é terrível. O desemprego desta geração mais jovem, desta geração melhor preparada que o país alguma vez teve, o desemprego subiu 7,1% no último ano e atingiu, segundo o Eurostat, nos jovens com menos de 25 anos, os 36,4%.
Não é preciso elaborar grandes teorias sobre esta temática. Ela é demasiado cruel. É o resultado de uma política de austeridade cega, surda e muda de Passos, Gaspar e Portas. Não ouvem ninguém e quando falam é para mandar estes jovens emigrar.
Ao que chegámos. Quando uma corte de governantes consegue encaixe para todos os “seus fiéis gestores” de topo, independentemente da faixa etária e deixa esta vontade transformadora e competente ir dar o seu contributo para outros territórios está tudo dito sobre os seus intentos.
Tudo isto diz bem da urgente necessidade que Portugal tem de alterar o rumo traçado, de mudar o sentido das políticas, como ao longo do tempo o PS e o seu secretário-geral têm vindo a dizer.
Mas a mudança tem igualmente que acontecer na União Europeia. Não nos podemos resignar a 25 milhões de europeus desempregados. É, pois, nestes momentos que se vê a fibra dos líderes europeus: ou obedecer aos ditames dos mercados desregulados e do capital ou romper com isso e enveredar por políticas solidárias, de reforço da economia e do papel social dos estados.
Está à vista de todos que este resultado não nos serve e, se necessário for, temos que refundar a Europa dando a palavra constituinte aos cidadãos europeus nas eleições para o parlamento europeu de 2014.
Acácio Pinto
in: Jornal do Douro