Renovar a Esperança e Vencer


"A nossa economia tem de crescer e entrar nos mercados com bons trunfos – por exemplo, a marca Europa e as ideias de uma juventude bem preparada.
O grande objectivo da economia portuguesa para a próxima década é o do crescimento convertido em desenvolvimento e por isso necessariamente harmonioso, de distribuição equilibrada do rendimento nacional e associado ao aumento do nível e da qualidade de vida de toda a população. Uma boa parte dos portugueses acredita que tal anseio está ao nosso alcance, sendo a inovação um dos argumentos mais recorrentemente invocados como essenciais para aquele efeito.
Antes, porém, é crucial entender-se a relação da inovação com as diferentes dinâmicas empresariais e sectoriais - emprestando valor determinante aos processos produtivos, à tipologia de produtos e aos padrões de competitividade vigentes nos mercados-alvo - tendo como pressupostos um tecido institucional e empresarial competente, uma sociedade responsável e responsabilizável, mão-de-obra e gestão empenhadas e qualificadas e um ambiente favorável à reorientação estratégica da economia portuguesa para a exportação.
Para isso é fundamental garantir a manutenção da presença portuguesa nos mercados externos tradicionais e sobretudo angariar novos clientes nas economias (China, Canadá, EUA, Brasil, Índia, Coreia, Rússia, México, Egipto, Turquia e Taiwan) que na próxima década terão taxas de crescimento mais expressivas e maiores potencialidades de procura de bens posicionais, isto é, bens cujo uso privado tem significado social relevante.
Portugal não tem desfrutado de vantagens apriorísticas relevantes nos seus mercados de exportação tradicionais, mas tem, aqui e agora, para diversas áreas da sua especialização, a vantagem inquestionável de poder utilizar marcas que garantam a origem europeia, beneficiando do facto incontornável de a Europa ser mundialmente considerada uma grande referência cultural, social e histórica.
Sem diferenciação não há posicionamento efectivo e só este pode ser o trunfo para o reforço das vantagens, o que, no caso vertente, aconselha a cobertura da origem europeia por outros factores concorrenciais relevantes, que podem ir desde o design à tecnologia, passando pela promoção, qualidade e embalagem, mesmo que fazendo apelo à originalidade ou à tradição, num contexto em que a competitividade empresarial dependerá crescente e essencialmente dos contributos das funções de produção (sendo determinante o projecto), comercialização (na óptica de marketing) e aprovisionamento.
Sendo as PME o pilar nuclear da actividade económica do nosso país, é fundamental atacar, desde já, as suas reconhecidas fragilidades genéricas, uma vez que o país possui hoje um potencial considerável para a sua reversão. De facto, ultrapassado o estigma das anquilosadas "virtudes de ser português", Portugal dispõe actualmente de uma população jovem e educada - com ensino superior e pósgraduado - que é detentora de um conjunto de competências técnicas, conhecimento científico, ambição de vencer, disponibilidade e capacidade competitiva, oferecendo ainda um riquíssimo potencial de formação de redes mobilizadoras e facilitadoras da constituição das diferentes massas críticas indispensáveis para o sucesso na nova economia global e em mercados mundializados.
Muitos dos nossos jovens só esperam a oportunidade de pôr em prática as suas capacidades, sendo também eles os depositários da resposta para a carência maior e mais actual dos portugueses: a da ambição de descongelar a esperança e de vencer nos novos e incontáveis desafios vindouros."

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