A melhor cidade para viver…




Viseu, a vetusta cidade da Beira Alta, conheceu um epíteto, assaz justo mas … como “não há bela sem senão”… aqui se retratam algumas particularidades e peculiaridades!

Cidade-jardim por inerência, salpicada de cor e cortada por asfalto, contrastando o lado medievo com o traçado geométrico, prefigura-se numa paisagem de recorte harmonioso, encimada por uma catedral com um traço que radica no século XIII.

Um centro-histórico, com uma aparente acessibilidade garantida não atraiu gentes, nem potenciou os espaços a visitar.

É inequívoco o gradual abandono da antiga centralidade, fazendo sentir ao morador que resiste, o vazio e a desolação.

A noite invade as ruas e ruelas, trazendo uma vida fatalmente transitória.

No CBD (descaracterizado e pobre), o dia assemelha-se ao arrastar de uma população flutuante, que pontualmente ocupa lugares comuns e resilientes!

Assiste-se por vezes aos momentos efémeros no conteúdo e na forma que mudam a face, já de si gasta, da funcionalidade fragilizante dos resistentes. O exemplo de «Nuestros Hermanos» que de uma pedra fazem uma pérola, poderia ser o mote para uma mudança atrativa e radical…ou para a mudança que se impõe.

Espaço de um entrecruzar de cinco vias romanas, prolongado no tempo pelas vias rodoviárias, Viseu conheceu uma função comercial pujante! Se a obstaculização das taxas, aumentando a distância-custo, atira potenciais visitantes para outras paragens, um dos eixos de ligação mais pertinente - o IP3 - estagnou de forma atrofiante a ligação entre duas cidades fundamentais na rede urbana.

Na zona urbana, a circulação proporcionada pelas rotundas constituiu um remédio paliativo para o trânsito, possibilitando o escoamento dos fluxos de uma forma assertiva. Já o túnel… afigura-se de uma importância relativa e assaz dispensável.

A suburbanização e periurbanização trouxeram uma renovação às zonas envolventes, mas a falta de planeamento e de equipamentos de muitas delas, não trouxeram a qualidade de vida exigível, tornando-se em meros dormitórios.

Uma cidade descaracterizada pelo tempo, onde a destruição de espaços fundamentais, como a via-férrea, sem marcos históricos a assinalar a sua existência, transformou a funcionalidade deste espaço, passando ao desporto e ao lazer, também necessários, à melhoria da qualidade de vida.

Culturalmente a cidade revê-se em locais onde a história é contada  pelas marcas da memória, tendo momentos esparsos de teatro, música, dança, exposições. Performances… 

A oferta de espaços de lazer é consubstanciada na distribuição geográfica, verificando-se alguma dinamização, mas fica muito além da potenciação dos recursos.

Em conclusão: esta cidade poderia ter uma qualidade de vida anunciada, mas para isso era necessário dar mais relevo às pessoas, à qualidade de vida, à sustentabilidade e à valorização dos recursos endógenos e intrínsecos, sem deixar morrer a vitalidade do coração que a fez pulsar durante décadadas.


Rosa Ladeira

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