G20 quer que Europa alivie austeridade

Os 20 países mais desenvolvidos do mundo vão apelar para um alívio da austeridade orçamental na Europa, tendo em conta a degradação da conjuntura, afirmou na segunda-feira, em Los Cabos (México), a subsecretária do Tesouro norte-americana.
"Vemos uma mudança no discurso europeu quanto à importância crítica do apoio à procura e ao crescimento do emprego", disse Lael Brainard, em conferência de imprensa.
"De uma forma importante, há um reconhecimento da necessidade de avaliar os planos de consolidação dos orçamentos do ponto de vista estrutural. Em suma, de reconhecer a deterioração da conjuntura económica", acrescentou.
O défice orçamental tido como "estrutural" tem em conta os buracos causados nas finanças públicas por uma conjuntura económica difícil. Por isso, em períodos de crise, é menos elevado do que o défice real. Questionado sobre se a Alemanha apoia esta ideia de aliviar a austeridade, Brainard respondeu: "Sim, percebemos da parte dos nossos parceiros alemães que eles têm em conta a procura no seu pensamento de curto prazo".
"Acreditamos piamente que vão ver isso nos documentos que vão sair do encontro (...) Vamos ver que a forte atenção ao apoio da procura, ao reforço da procura, ao facto de reconhecer que a conjuntura se deteriorou é muito importante para os europeus", afirmou Lael Brainard.
Os países do G20 comprometeram-se, no encontro de Toronto, no Canadá, em 2010, a cortar para metade o seu défice orçamental em 2013, um objetivo que a Alemanha tem vindo a recordar, mas que os Estados Unidos não deverão cumprir.
Países do euro determinados a defender moeda única
Os países da zona euro membros do G20 estão determinados a defender a moeda única face aos ataques dos mercados financeiros, segundo um projeto de resolução da cimeira que decorre em Los Cabos.
"Num contexto de tensões renovadas sobre os mercados, os países da zona euro membros do G20 vão tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar a integridade e a estabilidade da zona [euro], melhorar o funcionamento dos mercados financeiros e romper a ligação entre risco soberano e risco bancário", lê-se no documento a que a agência France Presse teve acesso na segunda-feira à noite.
BRICS injectam quase 70 milhões de euros no FMI
Um grupo de seis países emergentes, que é encabeçado pela China e inclui o Brasil, vai injectar 88.000 milhões de dólares (69.771 milhões de euros) no Fundo Monetário Internacional (FMI) para recapitalizar a instituição, anunciou o FMI.
De acordo com o anúncio feito na segunda-feira à noite durante a cimeira do G20, a China contribuirá com 43.000 milhões de dólares (34.073 milhões de euros), Brasil, Rússia, Índia e México com 10.000 milhões de dólares cada um (7.924) e a Turquia com 5.000 milhões (3.962), indicou a agência France Press.
A contribuição chinesa é a terceira maior, a seguir à do Japão (60.000 milhões de dólares, ou 47.553 milhões de euros) e à da Alemanha (54.700 milhões de dólares, ou 43.352 milhões de euros).
No total, através das contribuições de 37 países, o FMI conseguiu angariou 456.000 milhões de dólares (361.431 milhões de euros), excedendo a meta preconizada (430.000 milhões de dólares, ou 340.882 milhões de euros).
Os contributos mostram "o vasto compromisso dos membros para assegurarem que o FMI tenha acesso a recursos adequados para cumprir o seu mandato a favor da estabilidade financeira global", disse a directora do Fundo, Cristine Lagarde.
"Países grandes e pequenos responderam ao nosso apelo para a ação e mais podem juntar-se. Saúdo o seu contributo e o seu compromisso com o multilateralismo", acrescentou Lagarde.

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