O país está cego


 Nestas ultimas semanas há episódios que nos mereceriam imensas considerações, mas há dois que têm de ser isolados : o que representou a vitoria académica na taça de Portugal e a historia inacreditável de Miguel Relvas e o jornal Público.

 Deixemos o acessório para o fim. Ao longo do jogo da taça de Portugal os estudantes exibiram diversas faixas protestando contra as condições de ensino em Portugal, tentando recriar um pouco espírito de 1969. A tais actos pouco ou nenhum destaque foi dado chegando-se mesmo ao cumulo de ter um comentador da antena 1 a confundir o Marinho que é jogador académica com o Marinho bastonário. Miserável.

Há muita coisa que mudou mas se há coisa que em 1969 era razão de revolta e hoje também o deveria ser , são as vergonhosas condições do ensino superior português.  As condições são semelhantes o país é que não. Os estudantes estão isolados nesta luta porque o país está cego.  

Está cego de tanto ter que lutar contra um défice ; contra os juros ; contra a bancarrota ; contra um euro que parece desmoronar-se a qualquer momento. E está tão cego que não percebe que estamos a hipotecar o futuro. O Estado está a dizer aos estudantes que não tem futuro para eles. O presidente primeiro fugiu de uma escola secundária agora foge da final da taça.

 E já agora, o que é que um estudante deve pensar quando tem o seu primeiro-ministro a dizer que o desemprego representa uma oportunidade mudar de vida ? 
 Os estudantes estão isolados. Estão condenados. Entraram na luta errada mas como sempre  acontece neste jogo , quem entra numa luta errada tem , ao menos , de escolher as armas certas. Se continuarem com aparições pontuais e desunidos os estudantes não vão fazer-se ouvir e construir o antibiótico para esta epidemia que envolve o país. 

Quanto ao Ministro, há alguns meses, e aqui neste mesmo espaço, classificámo-lo como um monumento ao vácuo. Estávamos enganados: é só vácuo. O pouco que se sabe sobre este caso com a jornalista do Público chega para se ter uma opinião sobre o braço direito de Passos Coelho.

A escolha de Passos Coelho não foi um tiro no escuro. Foi um tiro para o ar. Relvas é uma bala perdida que tem tantos favores a retribuir que nunca se percebe bem quem está ajudar em cada momento.
Não o nome, mas a figura Miguel Relvas bem que podia ser o nome de um jogo em russo . Um jogo perigoso onde existem sempre mais balas que câmaras e onde nunca sabe quando se pode cair . Esse jogo que é jogado pelo diabo mas que nem ao diabo deu sorte… por ser uma roleta.   


1 comentário:

  1. A escolha do Passos para ser o Relvas está mal colocada. A escolha foi do Relvas para ser o Passos. O Relvas é o ministro espécie-de-Realpolitik deste Governo. Faz a ponte entre interesses económicos, Boys e Governo. Portanto nada me espanta neste Ministro que é o coordenador do Governo, uma espécie de Primeiro Ministro de facto que escolheu um fantoche «de iure» bonitinho, com mais argúcia, leia-se paleio.
    O que me espanta foi isto ter vindo a público. Que ele tenha as clientelas da "loja" dele, não me choca, só me enoja. Mas que esse poderio derive para coacção (cujo nº não recordo do livro das penas) choca-me que venha a Público. Preparem-se que virá pior, abramos a pestana e contestemos que é o Estado de Direito que está em causa.

    Cumprimentos.

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