O interior – Liquidação total…


A maior parte dos portugueses já percebeu que o país está a saque.
Vendemos o que temos de melhor e ficamos com o chamado “lixo tóxico”. Mas o que os portugueses ainda não perceberam foi que o interior do país está em liquidação total.
Alguma vez se perguntaram a importância da representação do Governo junto das populações? Algum dia pensaram o que é não ter finanças no concelho? Não ter Tribunal? Não ter centro de Saúde? Poderia continuar com esta lista de serviços que são como pão para a boca para a maior parte da população, e mais que tudo, são um direito que assiste a todos nós.
Os últimos governos não conhecem a realidade do país… O país real não é aquele que é traçado no Terreiro do Paço a régua e esquadro.
Será que os nossos governantes alguma vez viveram uma vida comum? Algum dia olharam para os problemas com olhos de ver?
Entendo e respeito que os serviços têm de ser otimizados, que num país pobre como o nosso os recursos têm que ser bem distribuídos, mas não entendo e não aceito este fechar de serviços a olho e sem fundamento…
Fiz uma pequena pesquisa no Google de declarações feitas pelos nossos políticos sobre o interior, e fiquei espantado… Juro, fiquei de boca aberta, com as declarações, políticos que defendiam na oposição que não existem médicos, faltam forças de segurança, que as redes de comunicação são frágeis, que as estruturas de ensino estão votadas ao abandono… Num virar de cadeiras, dizem que está tudo bem, que está tudo controlado e que o investimento deve ser feito onde existem as pessoas para o usufruir.
Agora pergunto, como querem fixar pessoas nos seus locais de nascimento, se pura e simplesmente acabam com todos os serviços públicos e matam todas as tentativas de renascimento do interior.
Não tolero que estes falsos políticos matem a minha terra, matem 80 % do país. Não aceito que o país tenha duas justiças, tenha dois sistemas de saúde, tenha dois ritmos de crescimento.
Acredito que mais cedo ou mais tarde os carrascos serão julgados, desde a esquerda à direita, porque se existem culpados esta é a hora de ajustar as contas, esta é a hora de meter o dedo na ferida, esta é a hora de acreditar que o interior é mais.
Nada como o Interior para proporcionar aos jovens oportunidades para eles desenvolverem os seus projetos de vida. Penso que é aqui que se devem focar as estratégias de desenvolvimento e onde pode residir o sucesso de todo um país.

Uma verdade inconveniente…


Pois é… Parece que nos artigos que escrevi sobre o Senhor “Primeiro-Ministro” Miguel Relvas não estavam erradas.
Espero para ver o desenrolar da situação. É engraçado, no tempo do outro Governo, e atenção que não era exemplo para ninguém, os senhores que agora estão escondidos e a tentar encapotar as coisas, diziam logo que era caso de polícia…
Como dizia o outro, gato escondido com o rabo de fora…
Um abraço

JS felicita Académico de Viseu


A Concelhia de Viseu da Juventude Socialista (JS) vem por este meio felicitar o Académico de Viseu Futebol Clube pela liderança do Campeonato da 3ª Divisão – Série C, e pela consequente subida de divisão.

O percurso desta equipa ao longo desta época enche-nos de orgulho e permite-nos acreditar que o futuro pode ser bem risonho.

O momento é para festejar. Bem o merecem. No entanto, é preciso ter noção que a próxima época exigirá muito trabalho e muita dedicação. É preciso estabelecer objectivos e prioridades sem ilusões e honrando sempre a história de um clube que é referência na região.

Nós acreditamos num futuro de sucesso. Viseu bem precisa de um clube com sucesso no desporto rei, que volte a chamar os viseenses para o Estádio Municipal do Fontelo.

Estaremos sempre disponíveis para tudo.


Muitos Parabéns!

Obrigado pelo vosso empenho.

Contem sempre connosco.

"Começar do Zero"




A campanha designada “Começar do zero” pretendeu ajudar as vítimas de violência doméstica, que foram acolhidas nesta instituição, a começar uma nova vida longe do agressor, se assim o pretenderem. Estas vítimas fogem da violência quase sempre só com a roupa do corpo e, para começar do zero, tudo faz falta. A campanha pretendeu angariar bens para o Lar:  móveis, cobertores, toalhas, talheres, louças, eletrodomésticos, tudo o que é necessário numa casa.

É uma campanha que não termina enquanto houver pessoas solidárias, que queiram dar o seu contributo. Esta instituição dispõe ainda de um refeitório social, que diariamente serve inúmeras refeições, pelo que bens alimentares também são bem-vindos.

Todos quantos queiram apoiar esta causa podem contactar diretamente a Cáritas Paroquial de Santa Maria de Viseu pelo telef. 232 435  092 ou o email caritassantamaria@sapo.pt.

PASSOS & ÁLVARO: Neologistas destes novos tempos!


A mundividência surpreende-nos constantemente. Agora estamos perante dois políticos, com responsabilidades máximas na governação de Portugal, que de repente viraram a neologistas.
Estou a referir-me a Pedro Passos Coelho e a Álvaro Santos Pereira.
Em menos de uma semana os dois convergiram em atribuir significações inovadoras (!) à palavra desemprego. O primeiro dizendo que desemprego significa oportunidade; o segundo dizendo que desemprego é o coiso.
Utilizando, então, esta nova lexicologia teremos, por exemplo, a seguinte possibilidade: O-desemprego-é-um-coiso; coiso-esse-que-atingiu-o-valor-record-de-15%; mas-não-se-preocupem-porque-o-coiso-é-uma-oportunidade.
Frases possíveis, prevalecendo-nos das novas significações de desemprego.
Num e no outro caso, em Passos e em Álvaro, estamos perante atitudes, que poderíamos classificar como tiradas de humor, se não fossem tão graves para quem sofre na pele o flagelo do desemprego. Para quem, nomeadamente para esse verdadeiro exército de jovens, qualificados, que não encontram em parte alguma uma oportunidade, sim uma oportunidade para demonstrarem as suas competências e os seus saberes, pese embora as infinitas diligências nas empresas e nas plataformas virtuais.
Mas tudo isto encaixa numa linha ideológica conservadora. Numa linha para quem o desempregado é um mero número e se estiver a consumir muitos recursos públicos só restará continuar a cortar-lhe nas “regalias”, que para eles não são direito a uma vida digna por parte de quem deu a sua quota-parte de esforço (trabalho) para a sociedade.
É descartar, como se de máquina obsoleta se tratasse, quem deixou de ser necessário no sistema de produção cego pelo lucro e acrítico quanto à forma.
Mas é uma batalha que temos que travar. Temos que dizer bem alto que esta austeridade não é fonte de nada que não seja aumentar o fosso entre ricos e pobres e remunerar exclusivamente o capital em detrimento do trabalho.
Em Portugal o PS e António José Seguro têm vindo a dizer alto e bom som que há um outro caminho. O do desenvolvimento através do apoio à economia e ao trabalho. Aliás o PS tem apresentado na Assembleia da República várias propostas nesse sentido, a última das quais uma adenda ao tratado europeu que a direita chumbou.
Há, porém, indícios de mudança generalizada de paradigma em vários locais do mundo. Em França houve uma mudança. Ganharam os socialistas com Hollande. Dos Estados Unidos vem a voz de Obama a colocar também a tónica no crescimento, a apontar um outro caminho. Na Alemanha, Merkel perdeu todas as eleições regionais.
Ou seja, o tempo destes “neologistas” liberais, destes especialistas em promover “o coiso” começa a esgotar-se. As pessoas começam a perceber que os tempos são outros e sopram noutro rumo.
Acácio Pinto
in: Jornal do Douro

O país está cego


 Nestas ultimas semanas há episódios que nos mereceriam imensas considerações, mas há dois que têm de ser isolados : o que representou a vitoria académica na taça de Portugal e a historia inacreditável de Miguel Relvas e o jornal Público.

 Deixemos o acessório para o fim. Ao longo do jogo da taça de Portugal os estudantes exibiram diversas faixas protestando contra as condições de ensino em Portugal, tentando recriar um pouco espírito de 1969. A tais actos pouco ou nenhum destaque foi dado chegando-se mesmo ao cumulo de ter um comentador da antena 1 a confundir o Marinho que é jogador académica com o Marinho bastonário. Miserável.

Há muita coisa que mudou mas se há coisa que em 1969 era razão de revolta e hoje também o deveria ser , são as vergonhosas condições do ensino superior português.  As condições são semelhantes o país é que não. Os estudantes estão isolados nesta luta porque o país está cego.  

Está cego de tanto ter que lutar contra um défice ; contra os juros ; contra a bancarrota ; contra um euro que parece desmoronar-se a qualquer momento. E está tão cego que não percebe que estamos a hipotecar o futuro. O Estado está a dizer aos estudantes que não tem futuro para eles. O presidente primeiro fugiu de uma escola secundária agora foge da final da taça.

 E já agora, o que é que um estudante deve pensar quando tem o seu primeiro-ministro a dizer que o desemprego representa uma oportunidade mudar de vida ? 
 Os estudantes estão isolados. Estão condenados. Entraram na luta errada mas como sempre  acontece neste jogo , quem entra numa luta errada tem , ao menos , de escolher as armas certas. Se continuarem com aparições pontuais e desunidos os estudantes não vão fazer-se ouvir e construir o antibiótico para esta epidemia que envolve o país. 

Quanto ao Ministro, há alguns meses, e aqui neste mesmo espaço, classificámo-lo como um monumento ao vácuo. Estávamos enganados: é só vácuo. O pouco que se sabe sobre este caso com a jornalista do Público chega para se ter uma opinião sobre o braço direito de Passos Coelho.

A escolha de Passos Coelho não foi um tiro no escuro. Foi um tiro para o ar. Relvas é uma bala perdida que tem tantos favores a retribuir que nunca se percebe bem quem está ajudar em cada momento.
Não o nome, mas a figura Miguel Relvas bem que podia ser o nome de um jogo em russo . Um jogo perigoso onde existem sempre mais balas que câmaras e onde nunca sabe quando se pode cair . Esse jogo que é jogado pelo diabo mas que nem ao diabo deu sorte… por ser uma roleta.   


Para este governo o interior é paisagem


Paisagem, ou uma coutada de caça, é como este governo e a maioria do PSD e do CDS veem o interior do nosso país.
Todos conhecemos múltiplos exemplos. Todos os conhecemos em demasia, para mal dos nossos pecados. E não conhecemos uma única boa medida, que seja, para ajudar estas dezenas de milhares de quilómetros quadrados, onde residem portugueses que também pagam os seus impostos.
Não quero aqui deixar um discurso piegas, nem as palavras do coitadinho, mas quero, ai isso quero, aqui deixar a minha clara oposição a esta linha de atuação política.
Aliás, o secretário geral do PS, António José Seguro, fez e tem vindo a fazer, e bem, esta demonstração de falta de políticas e de investimento no interior, de que aqui recordo o “roteiro em defesa do interior” que o levou a todo o país.
Mas este texto vem, hoje, na sequência de uma reunião que os deputados, de todos os partidos, eleitos pelo círculo eleitoral de Viseu, efetuaram a semana passada com os presidentes de câmara do Douro sul, por proposta da respetiva associação de municípios a que preside António Borges, presidente da Câmara de Resende.
E também aí, de novo, os problemas surgiram em catadupa da boca de intérpretes de territórios do interior. Brotaram em cada palavra, em cada frase. E também os gritos de incompreensão e de indignação.
As propostas e medidas que este governo tem vindo a lançar para o debate e a tomar não só não merecem a aprovação de toda uma região, como irão ter uma forte contestação. Democrática, mas uma forte contestação.
Quem pode explicar às gentes do interior a extinção dos seus tribunais, elementos estruturantes de uma efetiva acessibilidade de todos à justiça?
Quem pode perceber a extinção de freguesias rurais onde o que resta do estado, nesses territórios recônditos, é a sua freguesia e um presidente que atende e resolve problemas?
Quem pode compreender uma lei dos compromissos, cega, que nivela por baixo a gestão dos municípios e das instituições, como se todos fossemos malfeitores?
Quem vai dizer às populações do distrito de Viseu que as suas acessibilidades estruturantes, internas e externas, têm que ser embrulhadas nos pacotes de BPN´s de má memória?
Quem está em condições de dizer aos agricultores do distrito que as suas atividades agrícolas da vinha, da maçã, da cereja, do azeite, da castanha… não merecem qualquer apoio?
Quem dá uma racional explicação para a suspensão de todos os concursos do QREN e de todos os processos de seleção de candidaturas?
Quem quer ir às escolas e aos CNO’s explicar que o investimento na sua requalificação física e na qualificação dos portugueses é um mau investimento?
A resposta virá. Estamos fartos de ser paisagem!
Acácio Pinto
in: Jornal do Douro

A pior de todas as crises, a penúria de sonho.



A situação atual do país é grave…
Portugal vive um momento de crise, não é só política, nem tão pouco económica. Este país, à beira-mar plantado, está a sofrer a maior de todas as crises: a desilusão social, a falta de esperança no futuro e o abandono do sonho.
Todo o conjunto de medidas que têm sido tomadas, quer pelo atual Governo, quer pelo anterior, conduziu a um desinteresse maior por parte dos jovens relativamente à política. Todos nós ouvimos da boca de muitos jovens frases como: "a política é chata”, "isso é um desperdício de tempo", "não vai adiantar nada", “todos os que estão ai têm é interesses pessoais”.
Infelizmente, vemos, todos os dias, mais jovens afastarem-se do meio político, descrentes com as soluções e opções tomadas nos últimos anos.
Muitos jovens preferem estar longe da vida política do seu país, dedicando-se a um desporto cada vez mais em voga: concentração no seu próprio "umbigo", esquecendo-se que também eles têm um papel decisivo no presente e no futuro, os jovens de hoje serão os líderes de amanhã.
É tão simples criticar a sociedade e as políticas atuais, mas se os jovens não fizerem nada para mudar o que está mal, então perdem a legitimidade para a crítica.
Também é verdade que os partidos políticos não sabem cativar as novas gerações para uma vida política ativa, uma vez que não vão ao encontro dos seus reais interesses.
Urge que todos participemos no comando do nosso país, indo mais além do que um simples voto, pondo em prática todos os direitos que a cidadania nos dá, nomeadamente através de manifestações e da criação de movimentos de cidadania e associações, bem como inscrevendo-se em partidos políticos, porque só assim se consegue que os partidos zelem pelo interesse dos jovens.
Mais do que um país de canudos, somos um país de jovens com capacidades e qualificações que nunca outros tiveram, por isso temos obrigação de ajudar a construir um futuro melhor, sem a necessidade de emigrar
O sentimento de mudança tem de seduzir os Jovens… Só existe uma maneira de mudar… Participar mais, ser mais ativos, usando todas as novas armas digitais que temos para nos fazer ouvir.
Um melhor futuro para Portugal só se conseguirá se a juventude voltar a encontrar o sonho, porque, como disse António Gedeão, na sua “Pedra Filosofal”:

       “Eles não sabem, nem sonham,
        que o sonho comanda a vida.
        Que sempre que o homem sonha
        o mundo pula e avança…”

Esquerda Vs. Direita

"Num mundo em que tudo parece mudar rapidamente, alguém me observou, no outro dia, que a única coisa que permanece imutável é o pensamento político, com a eterna divisão, desde os tempos da Revolução Francesa, entre a esquerda e a direita, entre aqueles que defendem os mais desfavorecidos e apregoam a mudança - a esquerda, e os que apelam à conservação do statu quo, bem como a manutenção das regalias de quem está no poder - a direita. Desde essa altura, quem é de esquerda - quem como a personagem de Graham Greene em "The Secret Agent", o académico que alinha pelos republicanos na guerra civil espanhola - põe-se do lado dos que sempre tiveram direito à fatia mais pequena da torta. 

Já quem defende a conservação da riqueza e quem está habituado a servir-se da maior parte da torta é de direita. É portanto o pensamento político um mundo sem inovação, alheio às profundas alterações de tudo o que acontece ao seu redor? Não penso que assim seja. Acho até que, pelo contrário, a globalização teve efeitos profundos no pensamento político, principalmente na Europa, onde felizmente não se sofre do fundamentalismo religioso que contamina grande parte do pensamento de direita nos Estados Unidos. A maior parte das questões sociais que continuam em debate na América são por cá reconhecidas como conquistas fundamentais da evolução da sociedade. Isto tem a vantagem de permitir que a discussão se concentre naquilo que continua realmente a fazer sentido. É como distribuir a torta de que falava Greene. E é justamente nesse ponto que, numa perspectiva global, as causas defendidas tradicionalmente pela esquerda e pela direita aparecem hoje como completamente invertidas. Com efeito, a globalização tornou-se actualmente o arqui-inimigo da esquerda tradicional, que atria comícios, manifestações e cartazes contra ela onde quer que haja uma conferência internacional. 

Mas porquê tanto ódio à globalização? Para manter o mundo ocidental como está? 

Então combater a globalização significa essencialmente manter as coisas como estão, combater a mudança inevitável e manter intocáveis os privilégios de quem vive na parte do mundo que durante 500 anos tem explorado a outra parte, privilégios esses em grande medida conquistados precisamente à custa dessa exploração. Ou seja, é-se contra a globalização, logo de esquerda, por todos os motivos e tiques durante tantos anos associados à direita e ao pensamento conservador. O que a globalização significa hoje em dia é que grandes partes do planeta tradicionalmente exploradas pelos países ocidentais acordaram por fim e aprenderam a jogar o nosso jogo, com as nossas regras - por vezes levadas ao extremo, é verdade, mas não o fizemos nós também antes deles? Diz-se que a China explora a mão-de-obra barata e que aí se trabalha em condições quase desumanas. Mas podemos nós, europeus, que construímos grande parte da nossa riqueza à custa da escravatura - a invenção que permitiu a primeira globalização, com a exploração do Novo Mundo pelos europeus - apontar o dedo? Dizemos que nas indústrias têxteis na Índia se trabalha 12 horas por dia, ou mais, com ordenados miseráveis. Mas não era assim na Europa, e também nos EUA, até há algumas dezenas de anos? Fomos nós que fizemos as regras e não nos podemos queixar se agora aparecem outros jogadores dispostos a aplicá-las, com um empenho e uma vontade que nós já não temos, para terem por fim direito àquilo que consideramos indispensável. Mais vale encarar a situação de frente: uma consequência inevitável da globalização será que os países ocidentais, e a Europa em particular (já que foi mais longe nas regalias que os EUA) terão de abrir mão de muitos dos privilégios que conquistaram à custa da riqueza acumulada ao longo de séculos pela exploração do resto do planeta - da semana das 35 horas de trabalho (uma invenção da esquerda tradicional francesa), aos 40, e por vezes 50, dias de férias pagas por ano, ao direito irrevogável ao emprego para toda a vida. Enquanto isto o nível de vida dos trabalhadores em países como a China e a Índia continuará a aumentar, talvez de uma forma lenta, seguramente com muitas injustiças na distribuição da riqueza, mas a aumentar. De acordo com as previsões do Banco Mundial, o crescimento económico global em 2011 será praticamente todo à custa dos países emergentes, e nos próximos anos estes continuarão a crescer o dobro dos países ocidentais. O PIB per capita da China, que em 1979 era apenas de 400 dólares e em 2003 ainda só de 1000, ultrapassou em 2010 os 6500 dólares, um valor ainda muito baixo mas que se esperava que fosse atingido apenas em 2020 - e que significa apesar de tudo que 1/5 da população mundial aumentou o seu rendimento 16 vezes em 20 anos, seis vezes nos últimos sete anos. 

No futuro próximo o Ocidente acumulará menos riqueza e terá menos privilégios e benesses (por muitas manifestações em defesa de direitos adquiridos que sejam organizadas), o ex-terceiro mundo acumulará mais, já que trabalha mais e é mais competitivo, e distribuirá por sua vez mais privilégios pela sua população, até se atingir um relativo equilíbrio na distribuição global da riqueza, de que nos tempos mais próximos apenas África, infelizmente, parece ficar de fora. Em resultado disto, a torta global fica mais bem distribuída, os ricos perdem privilégios e os mais desfavorecidos ganham-nos, compensando uma injustiça de 500 anos. Paradoxalmente, quem mais defende esta situação hoje são os que são a favor de um mercado mais livre, defendem o fim de barreiras e proteccionismos exagerados, subvenções injustas a empresas e sectores europeus que os mantêm artificialmente competitivos face a empresas de outros países - em grande parte os partidos ditos liberais, associados ao espectro tradicional de direita. 

Quem se opõe a esta evolução são os tradicionais partidos de esquerda, os sindicatos e os movimentos antiglobalização, todos no tradicional espectro da esquerda. Por isso mesmo, a direita liberal aparece claramente como a nova esquerda. "Right is the new left." E depois não venham dizer que no pensamento político não há inovação."

Governo:- Verdade e transparência, ou aldrabices sucessivas?


Quem ainda não perdeu a memória das razões próximas da crise política que levou à queda do anterior Governo do PS, recordará que ela foi provocada pela recusa do acordo do PSD e do CDS do PEC IV, com a alegação de que continha medidas excessivamente gravosas para os Portugueses e, sobretudo, porque o Governo ocultara o PEC IV ao PSD antes do seu envio para Bruxelas.


Essas eleições, do meu ponto de vista, seriam sempre inevitáveis em função da Crise Financeira Internacional e de erros de gestão da mesma cometidos pelo Governo de então, mesmo se foi a isso influenciado pelas sucessivas e contraditórias orientações assumidas nos Conselhos Europeus, como por exemplo as de 2008 no sentido do aumento do investimento público para combater a crise iniciada nos Estados Unidos.


Logo na altura da pré-campanha ficou a saber-se, por revelação de Passos Coelho em entrevista na Televisão, que afinal José Sócrates antes de ter enviado o PEC IV para Bruxelas teria estado reunido na tarde anterior com Passos Coelho a discutir o documento, para além de ser do conhecimento público, do PSD e do Presidente da República que esteve em Portugal uma Missão Europeia a acompanhar e a discutir com o Governo Português a elaboração das medidas a Incluir naquele PEC.


Desta primeira fuga à verdade do agora primeiro-ministro Passos Coelho, surpreendentemente pouco se falou na Comunicação Social em contraste com situações idênticas de José Sócrates. Mas deveria ter ficado o aviso.


E depois foi o que se viu. Ao PEC IV, recusado por Passos Coelho por exigir excesso de sacrifícios aos Portugueses, o que o actual Governo lhe fez suceder está exigir muito mais e está a fazer cair um número assustador de Portugueses na miséria e desespero, fazendo parecer o que estava previsto no PEC IV um rebuçado em comparação com o purgante dos programas de estabilização orçamental deste Governo.


E esta parte gaga do corte dos subsídios de Férias e Natal dos Funcionários Públicos e Aposentados/Pensionistas que nunca aconteceria segundo as declarações de Passos Coelho em campanha eleitoral (basta ir ao Youtube para quem queira confirmar), que depois passou a ser um corte directo de 14,4% no rendimento anual dos atingidos, apenas para 2012 e 2013, mas que agora já vai até 2018, e só como perspectiva técnica (leia-se já eram).


E agora, como cereja em cima do bolo da inverdade, descaramento e manipulação política, vem o Governo enviar para Bruxelas o seu DEO, Documento de Estratégia Orçamental para 2012-2016, sem qualquer discussão prévia com os partidos da oposição, nomeadamente com o PS com quem assinou em conjunto o acordo com a TROIKA. Mas, pasme-se, envia depois para a Assembleia da República um documento que não contém os dados mais gravosos que enviou para Bruxelas, nomeadamente os referentes aos dados do desemprego e às previsões de agravamento do mesmo.


E com aquele seu eterno jeito de “sonsinho” lá vem o impagável Ministro da Finanças justificar-se de que os dados estatísticos não devem estar certos e há que os rever.  Isto é se a infeliz verdade dos números do desemprego não convém, muda-se essa verdade, para nos ser (ao Governo), mais favorável.


Esta falta de consideração pela inteligência dos Portugueses, mais do que patética é dramática nos momentos que se vivem hoje. O País tem a noção de que se viveu tempo demais acima das posses, não antecipando a possibilidade de uma crise mundial, ainda que motivada pelos grandes especuladores financeiros, nos retirar a margem de manobra.


Mas senhores governantes, basta de atirar para os anteriores as causas de todas as dificuldades, sobretudo quando se diziam tão bem preparados para Governar e ter soluções para todos os problemas.


E não se venha agora com a teoria requentada “ amanhãs que cantam” tão do agrado dos partidos Comunistas antes da queda do Muro de Berlim e da União Soviética, fazendo crer que os sacrifícios de hoje com a recessão que vivemos serão compensados com um crescimento de 0,1% ou 0,2% nos próximos anos. É que em 2011 e 2012 0 PIB português acumulará uma queda de 5,5%, o que nos colocará numa situação próxima daquele em que vivíamos acerca de 20 anos. O que quer dizer que a prometida recuperação será uma miragem para o comum dos Portugueses.


E se falarem em ver a luz ao fundo do túnel certifiquem-se de que ela não é a do comboio que vem a toda velocidade em sentido contrário ao nosso.


Senhores Governantes sejam sérios, não digam aldrabices, e não manipulem (como Noam Chomsky tem razão, na sua descrição da manipulação mediática) para não retirarem a pouca esperança no futuro que resta aos Portugueses.   


P.S.- Já depois de escrito o texto o Governo fez chegar ao parlamento os dados que tinha enviado para Bruxelas. Embora tarde, o que não abona ao seu desempenho, chegou à conclusão que tinha dado um tiro no pé por que o ditado “em terra de cegos quem tem um olho é rei” não era aplicável ao caso.

François Hollande, o sonho e a realidade


A alegria. A alegria imensa. Ver fechar-se um parêntesis, dissipar-se uma maldição. E de que maneira! François Mitterrand não foi uma anomalia da história mas o primeiro Presidente de esquerda. E há agora um segundo: François Hollande. Para a esquerda, 2012 faz renascer 1981, dá vida e cor a essas imagens envelhecidas, sépia, que pareciam condenadas aos livros de História. Memórias íntimas dos velhos ou novos que então éramos.  

Este 2012 também apaga o 21 de abril de 2002, essa queimadura, essa ferida [nas presidenciais desse ano, o candidato socialista Lionel Jospin ficou em terceiro na primeira volta, pelo que a segunda volta foi disputada entre Chirac (direita) e Jean-Marie Le Pen (extrema-direita)]. Dez anos depois, está reparado o traumatismo de, uma noite, ter visto a esquerda ser riscada da paisagem política francesa.

O que é votar à esquerda? É dizer que, apesar do individualismo das sociedades contemporâneas, existe um “nós”. Que ideias como justiça, igualdade, partilha e solidariedade podem e devem organizar a vida pública. Como essas instituições e esses bens públicos, criados pelo Conselho Nacional de Resistência, que são anteriores a nós e nos sobreviverão depois de nos moldarem. Que é possível, por isso, ir contra os valores da época para fazer viver aquilo que nos une, em vez de seguir a inclinação natural, ouvindo a vozinha que fala em cada um de nós e nos incita a viver a nossa vida defendendo apenas os interesses individuais.
Numa França à beira do abismo, que podia ter escolhido barricar-se atrás das fronteiras da fantasia a recordar o seu passado, a vitória de François Hollande demonstra que o país preferiu a esperança. Olhou para a frente e não para trás. Saboreemos este momento em que um povo decide fazer uma tal escolha. E olhar o futuro.

Porque esta é a tarefa que espera François Hollande. Reparar o país, certamente. Refazer a sociedade, evidentemente. Reduzir as desigualdades de destino entre os franceses, sejam eles quem forem e venham de onde vierem. Mas, para que tudo isto seja possível: sobretudo, desenhar o futuro. Mostrar que a França não é apenas um património, uma história, um grande passado. Que pode, também, projetar-se no futuro e reinventar-se.
Esta página em branco, inquietante em muitos aspetos, exaltante em muitos outros, tem de começar a ser escrita. De maneira resoluta, imperativa, para não dececionar este voto e a confiança que ele ainda manifesta na capacidade de mudar as coisas da política, ainda que não possa mudar a vida. O trabalho mal começou e vai ser difícil, já a partir de amanhã. Mas hoje, sejamos felizes e vivamos plenamente este feliz mês de maio.

Um Pingo bem Doce!


No passado dia 1 de Maio assistimos a uma corrida desenfreada às superfícies comerciais do Pingo Doce. O motivo de tamanha afluência deveu-se aos descontos praticados: 50% em compras acima dos 100€. Sem dúvida, apelativo ao consumidor!

Se eu tivesse uma mercearia aberta nesse dia, seria abafado pela concorrência do Pingo Doce e nem sequer teria forma de competir directamente. Mas se eu fosse proprietário de um Continente ou Jumbo, analisaria bem esta estratégia de marketing, que sem talões ou promoções, conseguiu algo inédito no país.

Há quem duvide da legalidade desta operação, considerando dumping. Eu questiono o seguinte: e os descontos de 50% (75% até) em talões que a concorrência faz durante todo o ano? A diferença é que nesta promoção o consumidor recebeu na hora o desconto enquanto na concorrência recebe dias depois. Nenhum produto foi vendido directamente abaixo do preço de custo, até porque o desconto incidiu sobre o total e não sobre um produto em concreto.

Posso até afirmar que, pela primeira vez, tivemos uma empresa que decidiu distribuir dividendos directamente pelos consumidores. 

O país está de tal modo que o povo seguiu cegamente a estratégia de marketing do Pingo Doce. Diria que as cenas verificadas tiveram algumas semelhanças à distribuição de bens alimentares a refugiados. Batem-se por um bacalhau ou um iogurte, como se não fossemos um povo civilizado. Mas num ambiente tão “selvagem”, é capaz de ser difícil manter a razão e a lucidez...  

Há quem considere um atentado ao trabalhador e mesmo à democracia a mega promoção ter sido realizada precisamente no dia 1 de Maio. Pelo menos, não foi no dia de Natal ou de Ano Novo! E ainda bem que foi num feriado, caso contrário, teríamos, além de acampamentos à porta dos estabelecimentos, faltas injustificadas ao trabalho.

Esta estratégica agressiva de marketing do Pingo Doce foi alvo de várias críticas e suspeitas de práticas ilegais. Ilegal ou não, a verdade é que o consumidor que se dirigiu ao Pingo Doce e conseguiu trazer o carro cheio (deve ter atum até 2020!) a metade do preço do dia anterior saiu beneficiado e agradece a atenção em tempos de crise!

François Hollande : "É preciso reconciliar, unir, reunir "

O candidato socialista às eleições presidenciais, François Hollande, deu uma entrevista exclusiva à Rádio França Internacional e à TV France 24, na noite de quinta-feira. Ele conversou com os jornalistas Roselyne Febvre et Frédéric Rivière sobre os cinco anos de mandato de Sarkozy e falou de suas principais prioridades, se for eleito no próximo domingo.

O candidato socialista às eleições presidenciais, François Hollande, deu uma entrevista exclusiva à Rádio França Internacional e à TV France 24, na noite de quinta-feira. Ele conversou com os jornalistas Roselyne Febvre et Frédéric Rivière sobre os cinco anos de mandato de Sarkozy e falou de suas principais prioridades, se for eleito no próximo domingo.
"Foi a primeira vez que os franceses me viram num grande debate. Nicolas Sarkozy já tinha participado   noutro, em 2007, com a candidata socialista Ségolène Royal e ocupa as telas há cinco anos, como presidente da República. Este foi o nosso primeiro confronto deste nível e a primeira vez que os franceses me viram em frente ao presidente-candidato, isso foi importante para poderem fazer a comparação", disse François Hollande no começo da entrevista.
A conversa girou em torno dos temas abordados durante o seu "duelo" com o atual presidente na noite anterior, a começar pelo balanço do socialista dos cinco anos de presidência de Sarkozy: "Há muita desordem e divisões nesse quinquenato que termina", observou.

Imagem da França
O favorito para o segundo turno das eleições (53% de intenções de voto) reconhece que Nicolas Sarkozy (47% de intenções de voto) não cometeu somente erros durante o seu mandato, inclusive  no plano internacional. Hollande não discorda das políticas atuais da diplomacia francesa para o Irão, a Síria e o conflito israelo-palestino. No entanto, não aprova a imagem da França veiculada pelo atual presidente: "Há frases, comportamentos, atitudes e escolhas que prejudicaram muito o nosso país e, às vezes, causaram problemas no plano internacional", disse Hollande, citando, entre outros exemplos, as recepções luxuosas oferecidas ao ex-ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, e ao presidente da Síria, Bachar al-Assad.
Neste sentido, ele insistiu na necessidade de se recuperar a imagem da França no exterior e reforçar a atração da cultura e da língua do país.

Europa e economia
O pacto orçamental europeu, adotado em janeiro deste ano, é um dos alvos do socialista, que pretende renegociá-lo caso seja eleito no domingo, 6 de maio. Hollande também pretende se apoiar na capacidade de empréstimo da Europa para relançar a economia.

Prioridades internas
François Hollande lembrou suas prioridades para a França: educação e economia. Para reaquecer os setores, ele defende, entre outras iniciativas, a criação de 60.000 empregos ligados às escolas públicas.
Hollande terminou a entrevista lembrando que "é preciso reconciliar, unir, reunir. Foi a mensagem que tentei passar durante o debate", concluiu o candidato socialista.