Este parte, aquele parte e todos, todos se vão…



As novas tecnologias e as redes sociais/profissionais (como o Facebook ou o Linkedin) permitem-me “acompanhar” o trajecto de muitos amigos e antigos colegas.

Semana após semana, há mais um que parte de Portugal. Em cada esquina, ressoa melancolicamente a voz de Adriano Correia de Oliveira…“Este parte, aquele parte e todos, todos se vão.”

Angola, Brasil, Macau tornaram-se lugares comuns da “Portugalidade”.

Hoje, partem de Portugal Portugueses de todas as idades. Partem os menos jovens, mas igualmente milhares de jovens qualificados. Rui Tavares escrevia recentemente “Arriscamo-nos a perder a geração que mais esforço e dinheiro nos custou a formar, e na qual depositámos esperanças na modernização do país. Se isso acontecer, os efeitos da austeridade de 2012 ainda estarão connosco em 2022.”

No café, ao almoço, nos chats surge repetidamente a mesma pergunta entre amigos: quando é que achas que isto passa? Passará?

Como conseguirá Portugal sair desta crise sem apostar no crescimento económico? Será que os Portugueses que hoje partem alguma vez regressarão? Será que esta linda terra à beira-mar plantada alguma vez proporcionará oportunidades a estes Portugueses de corpo e alma? Perguntas e mais perguntas para as quais não consigo ter resposta.

Admiro muito os Portugueses que arriscam por esse mundo fora. Que procuram novos mundos no mundo global. Simultaneamente, não posso deixar de me sentir triste por o meu País não ser capaz de lhes proporcionar as oportunidades que mereciam.

Portugal é hoje um País mais triste. Amedrontado. Amordaçado.

As ruas têm cada vez menos pessoas. Em cada rua, semana após semana, há mais uma loja que fecha. Os transportes públicos (ainda assim, meios de transporte mais acessíveis) têm cada vez menos utentes. O senhor que todos os dias parava naquela esquina já lá não está. Onde estará?

Queria transmitir, uma vez mais, uma mensagem de esperança e palavras inspiradoras. Infelizmente, há dias em que não o consigo fazer.

É então que encontro um artigo de datado de 10 de Fevereiro de 2009. Um artigo que acentua a necessidade de mudar o presente, para ganhar o futuro. O seu autor é Mário Soares:

“Por mais paradoxal que seja, as mesmas ideias e comportamentos persistem. E, por isso, insisto: mas mudar, como? Respondo: buscando gente jovem, novos rostos de políticos, economistas e empresários, novas ideias, novos comportamentos. Sobretudo, com respeito pelos valores éticos, sociais e ambientais e habituando-se a uma estrita moralidade pública.”

Artigo publicado no Diário de Viseu

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