Startup Lisboa , uma incubadora de empresas

Câmara Municipal de Lisboa lança incubadora de empresas na Baixa

Abriu na Baixa de Lisboa uma incubadora de empresas que pretende incentivar o empreendedorismo e dinamizar aquela zona da cidade. A Startup Lisboa junta a Câmara, o Montepio e o IAPMEI
OS ARMÁRIOS estão vazios, as paredes brancas e ainda cheira a tinta no número 80 da Rua da Prata, em Lisboa. Foi lá que abriu há poucas semanas a Startup Lisboa, uma incubadora de empresas que junta a Câmara Municipal, o banco Montepio e o IAPMEI, bem como dezenas de outros parceiros e mecenas. O projecto foi incentivado pela autarquia, principalmente através da vereadora da Economia e Inovação, Graça Fonseca, e conta já com nove empresas a funcionar e quase uma centena de outras com candidaturas entregues.
Como o objectivo é dinamizar a cidade - principalmente a zona da Baixa-Chiado - e ajudar negócios com potencial para crescer e até exportar, a entrada na Startup Lisboa passa por «processos de selecção muito rigorosos», explica João Vasconcelos, director da associação criada para gerir a Startup. «Não fazemos distinções por sectores», diz responsável. «Mas queremos projectos completamente inovadores, com produtos ou serviços exportáveis, empresas que possam crescer bastante», acrescenta.
A maioria dos projectos que chegam está ligada às novas tecnologias e muito voltada para o turismo. Há ainda muitos estrangeiros interessados em desenvolver projectos em Lisboa e quatro das primeiras empresas instaladas na incubadora resultam de ideias de empreendedores do exterior.
Passada a fase de inscrição e de várias reuniões com uma comissão de avaliação, a empresa ou grupo de empreendedores passa a dispor de uma sala - individual ou partilhada com outras -, espaços de reunião, cozinha, e uma sala de refeições e convívio. Haverá ainda uma loja no rés-do-chão para venda dos produtos e serviços das empresas. O contacto com outras pessoas e empresas e o «ambiente gerado» são algumas das mais valias destacadas tanto por João Vasconcelos como por alguns dos empreendedores já instalados.
As empresas fazem um contrato de seis meses - renovável até um máximo de três anos -, ficando apenas a pagar parte dos custos do espaço, como limpeza, electricidade ou telecomunicações. Renda de utilização do espaço não há, pelo que uma empresa com quatro ou cinco funcionários suporta custos de apenas cerca de 200 euros/mês.
A presença na Startup Lisboa pode seguir três fases: 'pré-incubação', quando o projecto está ainda a ser desenvolvido; 'incubação', quando está já em marcha; e 'acelerador', quando está implementado e começa a expandir-se. Os próprios contratos «definem milestones, objectivos que as empresas devem cumprir para se manterem na Startup Lisboa, como lançar um produto/serviço no espaço de seis meses», explica João Vasconcelos.
Além disso, dispõem do apoio gratuito de outros parceiros da incubadora, em várias áreas. A PT, a Brandia Central, a KPMG, o Sapo, a Católica-Lisbon, o Instituto Superior Técnico ou a Microsoft são alguns dos parceiros que «querem apoiar empreendedores e ajudar a dinamizar a Baixa, mas que também podem vir a ser clientes destas empresas», refere o director.
Mais espaços a caminho
A Startup Lisboa resulta de um projecto saído do Orçamento Participativo da Câmara de Lisboa para 2009-2010, na sequência do qual foi criada uma associação sem fins lucrativos para gerir a incubadora. O Montepio e o IAPMEI juntaram-se logo no início do projecto, tendo o banco cedido o edifício de vários andares na Rua da Prata e suportado as obras de melhoramento.
A ideia é criar novas incubadoras - «três ou quatro no total»-, sempre em zonas históricas da cidade. Ainda não está fechada a segunda localização, mas deverá ser surgir ainda este ano. O espaço também não tem de ser igual ao da Rua da Prata, pode centrar-se em salas maiores, para empresas em fase mais avançada de desenvolvimento, ou numa área específica «como o turismo, para a qual temos muitas candidaturas, ou a economia do mar», detalha João Vasconcelos.
O responsável da Startup Lisboa afirma que não existe uma incubadora do género em Portugal e, com loja, também não há exemplos do género na Europa. A inspiração para o modelo de funcionamento e gestão veio de três exemplos: a Y Combinator e a Plug and Play de Silicon Valley, nos Estados Unidos, e o Le Camping, em Paris.
Da procura de quartos ao babysitting
MARIANO Kostelec tem 23 anos, é argentino de origem eslovena e está em Portugal há apenas quatro meses, vindo da China. No entanto, com uma boa ideia no bolso - pensada com dois amigos, o inglês Ben Grech e o português Miguel Santo Amaro -, já tem uma empresa a funcionar na Startup Lisboa. O site Uniplaces ajuda portugueses ou estrangeiros a encontrarem quarto para alugar em Portugal, uma dificuldade de muitos jovens do Erasmus, por exemplo. Conseguiram parcerias com a maioria das associações académicas e universidades, prevendo crescer em breve para o Chile e para o Reino Unido, seguindo-se outros países da Europa. José Simões também teve uma ideia a 'marinar' três anos e, depois de três meses numa incubadora de Madrid, está a desenvolvê-la em Lisboa. O Mobitto é uma aplicação gratuita para smartphones, que permite ao utilizador encontrar promoções em restaurantes, lojas, bares ou espaços culturais perto de onde está, em tempo real. Quem anunciar no Mobitto passa a ter uma informação exaustiva dos clientes, seja o sexo, a idade, o que preferiram ou de onde vieram.
São apenas dois exemplos de empresas da Startup Lisboa. A maioria delas está focada nos meios digitais e nas redes sociais, mas os objectivos são os mais variados. A CVfilm, por exemplo, faz currículos em vídeo para valorizar os candidatos a empregos. A ConsultaClik permite marcar online consultas médicas em Portugal, Espanha, Brasil e Roménia. E a Pumpkin é um site de marcação de serviços muito voltado para as famílias e que permite, por exemplo, encontrar babysitters, marcar animação para festas, e procurar actividades e campos de férias ou transportes para crianças.

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