Exceções para uns e adaptações para outros

Recentemente, António Guterres alertou-nos, numa entrevista a uma rádio nacional, para os perigos de uma explosão social na Europa.
Espero que não esteja certo, mas os sinais que temos tido dos governos europeus não são nada animadores em relação a esta matéria. Já algumas vezes falei nos perigos de eventuais convulsões sociais. Os ingredientes estão aí. Forte desemprego, pobreza, crise financeira, acentuados desequilíbrios nas classes sociais e sentimentos de injustiça.
Se alguns destes fatores são consequência da conjuntura muito negativa que vivemos, outros dependem unicamente das medidas e ações políticas dos nossos governantes. O povo português é por natureza pacífico e tem uma capacidade de sacrifício do tamanho do mundo. Temos sido chamados a cumprir com um plano de austeridade que em muito tem penalizado a nossa qualidade de vida e o nosso dia a dia. Apesar das adversidades é notável o espírito de sacrifício e a tolerância dos portugueses quando comparado com o que temos assistido por esse mundo fora. Fomos todos chamados para sacrifícios em nome de Portugal e, por isso, o que os portugueses esperam é que esses sacrifícios sejam transversais a todos, sem exceção. O princípio da equidade é o ponto de equilíbrio, é a fronteira entre uma austeridade para todos e uma austeridade só para alguns. Por isso é que não pode haver exceções para ninguém e quando são tomadas medidas que implicam mais sacrifícios para uns e menos sacrifícios para outros e se afirma que são adaptações é o mesmo que andar a brincar com o fogo.
O que Portugal não precisa neste momento é de notícias que alimentem sentimentos de injustiça e revolta. Por isso é fundamental evitar desequilíbrios na distribuição dos sacrifícios que se pedem.
Diariamente vemos nos media os políticos a serem fortemente contestados quando saem à rua e esse é um sinal claro de que o povo português está no limite das suas capacidades para suportar mais sacrifícios.
É necessário um governo que tome as medidas corretas e justas e acima de tudo que seja solidário com aqueles a quem pede sacrifícios. Solidariedade e justiça são fatores fundamentais para gerir um país que atravessa um momento de grande dificuldade.




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