O Sonho de uma Geração





Na semana passada tive conhecimento de um estudo realizado pelo “The Consumer Intelligence WeB”, realizado durante o ano de 2011, e que incidiu sobre a geração dos Portugueses que têm entre 18 e 28 anos. Há dados importantes neste estudo.

Os jovens, quando questionados sobre qual o seu maior sonho, responderam maioritariamente que o seu sonho é ter um emprego. Sucede que, infelizmente, quando o sonho da maioria dos jovens é ter um emprego, dados recentes apontam para uma taxa de desemprego jovem em Portugal superior a 35%. Acresce que, se estes dados são deveras preocupantes, há um dado que me preocupa especialmente: uma grande percentagem de desemprego entre os mais jovens é desemprego de longa duração.

Há ainda outros dados relevantes neste estudo que apresentam uma correlação directa com o desemprego jovem: sair de casa dos pais, a compra de casa ou carro e a opção de ter filhos são projectos que cada vez mais ficam para segundo plano por parte dos jovens.

Ora, perante flagelos como os que acabo de referir, julgo não ser possível resguardarmo-nos num porto abrigado e esperar que a tempestade passe. Há que agir. Há que fazer. Certo é que as respostas necessárias não são apenas respostas públicas. Mas a verdade é que também o são.

Desde logo, há uma área em Portugal, que tem uma influência directa, pelo menos a médio/longo prazo no desemprego jovem, e que julgo nunca ter sido alvo de uma verdadeira aposta por parte dos poderes públicos: refiro-me ao acompanhamento escolar e profissional dos alunos que pretendem continuar o Ensino Secundário/Profissional ou Superior em Portugal.

De facto, quando chega a hora de os jovens optarem, creio que existem grandes lacunas no acompanhamento e orientação destes jovens. Bem sei que há escolas que recorrem aos famosos testes psicotécnicos, assim como há algumas instituições que fazem mais na orientação dos seus estudantes do que aquilo que seria legalmente exigível. Mas pergunto: serão estas escolas a regra ou a excepção? Por outro lado, serão estes esforços suficientes?

O estudo realizado pelo “The Consumer Intelligence WeB” demonstra que as consequências da ausência/insuficiência no acompanhamento dos jovens, aquando da tomada de decisões escolares/profissionais, são dramáticas a médio/longo prazo: entre os jovens inquiridos, 35,9% afirmam que, se tivessem possibilidade de voltar atrás no tempo, escolheriam um curso com mais saídas profissionais e 33,6% teriam optado por um curso que estivesse mais relacionado com as suas preferências.

Perante estes dados, não resisto a colocar as seguintes questões: Não será urgente criar verdadeiras políticas públicas (e, inclusivamente, municipais) de aconselhamento e acompanhamento das opções escolares e profissionais dos jovens? Será assim tão difícil, por exemplo, colocar os jovens em contacto com profissionais das áreas que pretendem seguir? Não me parece. E uma coisa é certa: o custo do desemprego jovem a médio/longo prazo é muito mais oneroso (não só para as famílias, como para o próprio Estado) do que os custos com este tipo de iniciativas

Este é o momento de fazer. O momento de pensar. O momento de criar e lançar “Ideias contra o Pasmo”, como recentemente afirmou Manuel Maria Carrilho. Quem optar por viver no “Pasmo” parou irremediavelmente no tempo.
Artigo publicado no Diário de Viseu

Sem comentários:

Enviar um comentário