Vamos continuar com a boca rente ao chão ?


Na passada Quinta-Feira , José Junqueiro , Vice-Presidente da bancada parlamentar do PS fez - em defesa da honra da bancada - um intervenção memorável. Não foi memorável pelo nervosismo em que colocou a Assembleia, mas porque teve coragem e disse a verdade.

Ter coragem e dizer a verdade é coisa que não abunda, e palavra pouco cara , para os lados do parlamento. Cansados estamos – nós e você caro leitor- de dizer e repisar que a postura tem de mudar no parlamento.

Não há memoria de termos uma classe politica com tão pouca classe como a que temos hoje : um governo que lê e segue um livro de instruções para lá do recomendado em jeito de aluno que faz duas vezes mesmo trabalho de casa. O PSD, que com os “amiguismos” e o “tachismo” há muito que já vendeu a dignidade do partido na feira da ladra. O PS é uma oposição que apresenta de tudo, menos o que se precisa –alternativa. Por entre os pingos da chuva lá anda o CDS , metade a governar, metade a fazer campanha : para o que é bom o CDS é governo , para o que é mau o CDS é coligação.

Há muito que pelos lados da AR se anda numa fuga crónica à verdade e a tomadas de posições difíceis.Se quiserem podem continuar a discutir publicamente se a culpa foi dos 6 anos de Sócrates ou se Durão Barroso muito antes já dizia que o país estava de tanga. Podem discutir a credibilidade do Correio da Manha ou que lobbys dominam a politica. Podem fazê-lo. É uma escolha.

Mas podem escolher o contrário. Podem escolher discutir a fundo e publicamente o que realmente interessa. Podem escolher falar sobre o regime das bolsas de estudo ou as escolas primárias degradas; podem falar sobre as crianças que não têm dinheiro para comprar livros ; podem escolher falar das filas nos hospitais onde morrem idosos à espera de uma consulta ; podem falar sobre a deslocação de empresas e empregos para o estrangeiro ou se vamos conseguir pagar a divida até ao fim quando já toda a gente viu que não.

Não faltará, naturalmente, quem queira enveredar pela politiquice baixa escolhendo trilhar o primeiro caminho de discussões e queira continuar com a boca rente ao chão.

Tenhamos fé que pelas porta da Assembleia entrem mais que dêem o exemplo e digam a verdade com coragem.

Na Quinta-Feira , José Junqueiro deu o exemplo e pôs Carlos Abreu Amorim no lugar onde ele não devia sequer estar sentado. Doeu ? Claro que doeu. Mas isto é como o álcool nas feridas: arde mas cura.


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