“Hoje por um Colega, amanhã por um Amigo, um dia por TI”



Recentemente, o Diário de Viseu apresentou a seguinte manchete: “Mais de 21 mil desempregados no Distrito”. No desenvolvimento da notícia, lia-se que só no Concelho de Viseu há 8500 desempregados.

Já por diversas vezes escrevi neste espaço sobre o fenómeno do desemprego e a crise que a todos atinge. Infelizmente, é hoje um tema recorrente e que dia após dia tende a agravar-se. Acresce que a dura realidade dos tempos modernos leva-nos a crer que o fenómeno do desemprego veio para ficar. Pior, tende a arrastar-se e a arrastar consigo sonhos, pessoas, vidas.

É óbvio que as dificuldades financeiras e a pobreza não emergiram com a crise actual. Mas a verdade é que hoje as dificuldades são bem maiores e atingem muitos mais, do que num passado recente.

 "Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis" é uma máxima bem actual e, por isso, nunca é demais elogiar quem de forma genuína e altruísta tenta encontrar métodos para a resolução de problemas difíceis.

Também em Viseu, num momento em que uma manta de breu tristemente encobre os nossos dias, há Pessoas e Instituições que pintam com cores vivas a vida de tantos Viseenses. Pessoas e Instituições que recorrem à criatividade, empenho e dedicação dos seus membros para tentar resolver ou atenuar “problemas difíceis”.

Bem sei que é sempre injusto (e inglório) individualizar uma ou outra Instituição, quando tantas outras merecem igual referência. Porém, creio que todos compreenderão que mais importante do que a referência individual às Instituições, é importante citar exemplos que possam despertar consciências e florescer.

Na semana passada, a Associação Académica do Instituto Politécnico de Viseu promoveu uma Caminhada Solidária que juntou mais de 1000 Viseenses. O objetivo que uniu este milhar de pessoas foi reunir apoios para o Fundo de Apoio ao Estudante.

Uma iniciativa louvável. Uma iniciativa idealizada por jovens, mas partilhada por centenas de jovens e menos jovens. Abraçar e dar as mãos por causas é uma demonstração cabal da grandeza da nossa alma colectiva e, por isso, iniciativas como esta enchem-me de orgulho de ser Português e, muito particularmente, Viseense.

Ainda assim, não posso deixar de sublinhar que os Estudantes se vêem forçados a recorrer a este tipo de iniciativas solidárias porque o Estado não cumpre com as suas funções sociais. É que a Educação, não esqueçamos, é um Direito (para além de ser, igualmente, um motor do desenvolvimento da Economia). Por isso, em primeira instância cabe ao Estado assegurar a todos os Cidadãos a possibilidade de acederem à Educação e ao Ensino Superior, independentemente da sua condição socio económica.

Quando o Estado não funciona, a Sociedade Civil dá o exemplo. Assume-se como a candeia num momento “de desgraça”

Obrigado Academia de Viseu pela vossa força inspiradora. Obrigado Academia de Viseu pelo vosso apelo sentido: “Hoje por um Colega, amanhã por um Amigo, um dia por Ti”.

Artigo publicado no Diário de Viseu

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