António Costa, um símbolo da "nova geração da social-democracia verdadeiramente socialista"



O sociólogo Boaventura de Sousa Santos questionou hoje se o Partido Socialista será merecedor do «génio político» de António Costa, que vê com perfil de um primeiro-ministro que tire o país da asfixia em que se encontra.

«António Costa está a experimentar em Lisboa o que ele faria em Portugal se fosse primeiro-ministro, é isso que nós precisamos e é isso que temos de dar conta. Infelizmente a lucidez partidária por vezes fica muito próxima da cegueira», observou o cientista social ao apresentar em Coimbra 'Caminho Aberto', livro daquele político.

Para Boaventura de Sousa Santos, o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa «é neste momento a alternativa viva, eficaz, realista à ‘Troika’, porque para ele a eficiência não são cortes cegos».

«A eficiência não exige o sacrifício da democracia. A eficiência é realmente a conquista da democracia», defendeu.

Ao classificar António Costa como um símbolo da «nova geração da social-democracia verdadeiramente socialista», disse que o seu livro, sobre os 20 anos de percurso, «marca ou antecipa a abertura de um novo ciclo político» que vai ter sua «marca indelével».

No entendimento do sociólogo, a grande questão que se pode colocar «é se o Partido Socialista merece este homem», que vê como um dos poucos exemplos a nível internacional que alia de forma elevada a prática política à teorização política.

«Eu quero desesperadamente acreditar que sim, pois é um dos políticos mais notáveis e não estamos em condições de o país desperdiçar experiência politica executiva», observou, exortando os militantes socialistas a pugnarem por um outro papel para António Costa.

Na sua perspectiva, «a tentação vai ser obviamente para chutar este homem para onde possa dizer palavras eloquentes e não governe», embora ele «é muito mais importante como primeiro-ministro do que como Presidente da República, apesar de com a sua idade poder chegar às duas coisas, se quiser».

Através dos cargos que desempenhou – deputado, ministro ou autarca –, procurou os «consensos no sentido de construir um país mais solidário, um país mais democrático, um país que nos faça sair da asfixia», acrescentou.

«Nós lutamos em Portugal neste momento por uma luz ao fundo do túnel. Este livro é uma luz ao fundo do túnel», concluiu Boaventura de Sousa Santos.

António Costa, por seu turno, em tom de gracejo, disse ter ficado sem palavras depois de ouvir o sociólogo, acrescentando que ele «disse bastante mais» do que imaginou ouvir.

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