Alunos provenientes das escolas públicas com melhor desempenho …

Um estudo da Universidade do Porto concluiu que a classificação de entrada não permite prever o desempenho académico individual e que, em média, os estudantes provenientes de escolas privadas revelam pior desempenho do que os das escolas públicas.
O percurso dos estudantes admitidos na Universidade do Porto em 2008/2009, pelo regime geral, avaliou 224 estudantes que perfazem o grupo dos 10 por cento melhores desempenhos ao fim de três anos e encontrou grandes diferenças entre escolas secundárias.
Como exemplo, os responsáveis pelo estudo apontam as duas escolas que mais estudantes colocaram na U.Porto em 2008/2009: o Externato Ribadouro, privado, com 154 estudantes e a Escola Secundária Garcia da Orta, pública, com 114.
Três anos após a entrada na Universidade do Porto, o Ribadouro contribuiu com cinco alunos para o grupo dos melhores, enquanto a secundária Garcia da Horta conseguiu 14.
A diferença entre a proveniência "Privado" ou "Público" é estatisticamente significativa para qualquer das três populações consideradas no estudo: estudantes admitidos, estudantes que não saíram ao fim dos três anos (por abandono ou recandidatura) e estudantes que concluíram mais do que 135 unidades de crédito (ECTS).
Por exemplo, por cada 100 estudantes pertencentes ao último conjunto (com mais de 135 ECTS) e que são provenientes de escolas públicas, 10,69 estarão entre os 10 por cento melhores. No caso de escolas privadas, tal número é de 7,98.
O mesmo tipo de análise foi repetido para os 394 estudantes admitidos nos cursos de Medicina do ICBAS e FMUP, verificando-se que a diferença "Privado"/"Público" se acentua.
Por exemplo, por cada 100 estudantes provenientes de escolas públicas e pertencentes ao conjunto com mais do que 135 unidades de crédito concluídas, 12,50 estão entre os 10 por cento melhores resultados, enquanto que tal número é de 7,58 no caso de escolas privadas.
No caso concreto do Externato Ribadouro, a escola com mais alunos (60) admitidos em Medicina (ICBAS e FMUP), no Porto, no ano 2008/2009, apenas um aluno (dois por cento) integrava o grupo dos 10 por cento melhores.
Da escola pública Garcia da Orta, entraram no mesmo curso e no mesmo ano, quatro estudantes, um dos quais incluído no "top ten" (25 por cento).
O mesmo estudo concluiu que entrar num curso em 2.ª ou 3.ª opção piora o desempenho relativamente àqueles que o fazem em 1.ª opção.
No ano letivo 2008/2009, cerca de 49 por cento de estudantes entraram na Universidade do Porto com uma média de acesso igual ou superior a 16,5 valores. Dentro desse grupo de 2.091 estudantes, a população feminina predomina, perfazendo 57,4 por cento.
A grande maioria dos estudantes (78,7 por cento) entrou no curso correspondente à sua primeira ou segunda opção (respetivamente, 63,3 por cento e 15,4 por cento) e 95 por cento dos alunos admitidos tinham menos do que 21 anos. Apenas 1,3 por cento (57 estudantes) tinham mais do que 25 anos.
Dos 4.280 estudantes admitidos, 21,6 por cento fizeram as suas provas de acesso em estabelecimentos de ensino privado e os restantes 78,4 por cento em escolas públicas.
 DN

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