Lição de Jobs: Tolere apenas os melhores ...


Jobs tinha fama de ser impaciente, petulante e duro com as pessoas à sua volta. Mas a forma como tratava as pessoas, embora não sendo louvável, resultava da sua paixão pela perfeição e desejo de trabalhar só com os melhores. Era a sua maneira de impedir aquilo a que chamava “a explosão de palhaços,” situação em que as chefias são tão educadas com pessoas medíocres que estas se confortáveis por perto. 
“Não acho que trate mal as pessoas mas se algo não está bem, digo-lhes na cara. É meu dever ser honesto”, disse. Quando lhe perguntei se poderia ter tido os mesmos resultados sendo mais simpático, ele respondeu "talvez". “Mas não é assim que sou”, disse. “Talvez haja uma maneira melhor - um clube de cavalheiros onde todos usam gravata e falam brâmane com palavras de veludo - mas eu não conheço essa maneira, pois faço parte da classe média da Califórnia.”
Mas será que todo o seu comportamento tempestuoso e abusivo era necessário? Provavelmente não. Havia outras formas de motivar a sua equipa. “As contribuições de Steve podiam ter sido feitas sem tantas histórias sobre como ele aterrorizava o pessoal,” disse Wozniak, cofundador da Apple. “Gosto de ser mais paciente e não ter tantos conflitos. Acho que uma empresa pode ser como uma boa família.” Mas depois acrescentou algo que é inegavelmente verdade: “Se o projeto Macintosh tivesse sido gerido à minha maneira, provavelmente teria sido uma confusão.”
É importante reconhecer que a rudeza e brusquidão de Jobs eram acompanhadas por uma capacidade de ser inspirador. Ele incutia nos funcionários da Apple uma paixão permanente por criar produtos inovadores e a crença de que podiam realizar o que parecia impossível. E temos de o julgar pelos resultados. Jobs tinha uma família unida e e a Apple também era assim: os seus protagonistas tendiam a ficar por lá mais tempo e a serem mais leais do que os de outras empresas, incluindo os que eram liderados por chefes mais amáveis e gentis. CEO que estudem Jobs e decidam imitar a sua dureza sem compreenderem a sua capacidade de gerar lealdade estão a cometer um erro perigoso.
Luís Rego em Bruxelas e Maria Teixeira Alves  

Mira Amaral ainda não decidiu com quantos trabalhadores do BPN vai ficar. Contrato de compra e venda vai ser assinado sexta-feira.
SÍNTESE - O BIC DE MIRA AMARAL PODE ESFREGAR AS MÃOS. Ficará com o BPN por 40 M€, depois do governo ter injetado MIL MILHÕES.  "O bom filho à casa torna". Deu alegrias e dinheiro a muita gente cujos nomes se encontram na elite cavaquista. Um deles foi memso nomeado Conselheiro de Estado. "Mira Amaral ainda não decidiu com quantos trabalhadores do BPN vai ficar". Uma coisa é certa: as indemnizações de 50% vão ser PAGAS PELOS NOSSOS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E NATAL! 

"O Banco BIC Portugal vai ficar impedido de fazer aquisições e de pagar dividendos até ao final de 2016, executando um período de nojo nestas actividades de mercado durante cinco anos após a compra do Banco Português de Negócios (BPN). Ou seja, o futuro crescimento do banco luso-angolano no mercado nacional far-se-á exclusivamente através da incorporação e desenvolvimento da operação BIC/BPN. A Comissão Europeia terá pretendido impedir que o BIC - que vai comprar um banco muito suportado pelo Estado - tire vantagem face aos concorrentes do mercado português, alguns deles pressionados pelas metas de rácios e pela situação da economia nacional.
Com estes remédios a Comissão "autorizou" a reestruturação do BPN, que prevê a sua venda ao Banco BIC Portugal, por 40 milhões de euros. O contrato de compra e venda vai ser assinado sexta-feira, entre o Estado português e Fernando Teles, pondo assim fim a um processo que teve origem na nacionalização do banco em Novembro de 2008.
"Fico muito satisfeito porque foi possível salvar o BPN dentro de um custo para os portugueses que não é superior ao da sua liquidação, senão mais valia [termos optado pela] liquidação do banco", disse ontem, em Sines, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A dúvida, entre liquidar ou não, terá sido a questão que arrastou as negociações até ontem, depois de o processo de investigação ter sido aberto em Novembro de 2011.
O comissário da Concorrência, o espanhol Joaquín Almunia, partilha da satisfação de Passos Coelho, porque terá obtido os remédios pretendidos. "Regozijo-me com os compromissos assumidos por Portugal, que tornam a reestruturação conforme com as regras em matéria de auxílios estatais da UE e preservam a estabilidade financeira", "

GOVERNO CONCLUI ESTA SEMANA VENDA DO BPN

Luís Rego em Bruxelas e Maria Teixeira Alves  


Mira Amaral ainda não decidiu com quantos trabalhadores do BPN vai ficar. Contrato de compra e venda vai ser assinado sexta-feira.
SÍNTESE - O BIC DE MIRA AMARAL PODE ESFREGAR AS MÃOS. Ficará com o BPN por 40 M€, depois do governo ter injetado MIL MILHÕES. Mira Amaral ainda não decidiu com quantos trabalhadores do BPN vai ficar.


O Banco BIC Portugal vai ficar impedido de fazer aquisições e de pagar dividendos até ao final de 2016, executando um período de nojo nestas actividades de mercado durante cinco anos após a compra do Banco Português de Negócios (BPN). Ou seja, o futuro crescimento do banco luso-angolano no mercado nacional far-se-á exclusivamente através da incorporação e desenvolvimento da operação BIC/BPN. A Comissão Europeia terá pretendido impedir que o BIC - que vai comprar um banco muito suportado pelo Estado - tire vantagem face aos concorrentes do mercado português, alguns deles pressionados pelas metas de rácios e pela situação da economia nacional.
Com estes remédios a Comissão "autorizou" a reestruturação do BPN, que prevê a sua venda ao Banco BIC Portugal, por 40 milhões de euros. O contrato de compra e venda vai ser assinado sexta-feira, entre o Estado português e Fernando Teles, pondo assim fim a um processo que teve origem na nacionalização do banco em Novembro de 2008.
"Fico muito satisfeito porque foi possível salvar o BPN dentro de um custo para os portugueses que não é superior ao da sua liquidação, senão mais valia [termos optado pela] liquidação do banco", disse ontem, em Sines, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho. A dúvida, entre liquidar ou não, terá sido a questão que arrastou as negociações até ontem, depois de o processo de investigação ter sido aberto em Novembro de 2011.
O comissário da Concorrência, o espanhol Joaquín Almunia, partilha da satisfação de Passos Coelho, porque terá obtido os remédios pretendidos. "Regozijo-me com os compromissos assumidos por Portugal, que tornam a reestruturação conforme com as regras em matéria de auxílios estatais da UE e preservam a estabilidade financeira",

Não é possível resolver os problemas da União Europeia numa folha A4, mas em duas folhas A5 … o que não é a mesma coisa … :)

3ª Edição Beirão Socialista


Hoje deixo aqui a capa da nova edição do Beirão.
Abraço a todos

RAI mostra o Portugal da austeridade, dos pobres e dos ricos

Portugal visto de fora: RAI Tre mostra o país da pobreza e das desigualdades, dos desalojados às casas de luxo, dos hospitais sem medicamentos e dos salários em atraso. O Negócios participa na reportagem da televisão italiana, em que Mário Soares acusa a Alemanha de esquecer-se de duas guerras mundiais que provocou. Retrato de um país entristecido.

“Presa Diretta” é um programa semanal de reportagem de grande audiência da estação italiana RAI Tre. Esta semana, o programa incluiu uma reportagem em Portugal, que a jornalista Lisa Lotti visitou no início deste mês, visitando praças, a Feira da Ladra, restaurantes, lojas de ouro, Alfama, casas de pobres, casas de ricos, hospitais, os escritórios de Mário Soares e também a redacção do Negócios.



A feira da ladra será o último negócio a falir em Portugal”, diz um feirante. A reportagem reúne testemunhos de pobreza, de austeridade, de fábricas vazias na margem sul do Tejo, da fila enorme para pedir subsídio na Segurança Social, de cantinas, do Banco Alimentar contra a Fome, dos salários em atraso de quem, assim, não paga a renda e será despejado. “Há em Portugal mais de um milhão de famílias em risco de perder as suas casas”, diz Romão Lavadinho, presidente da Associação de Inquilinos Lisbonense. É, também, o retrato da desigualdade, “dos portugueses riquíssimos”, das moradias de luxo de Cascais e da Quinta da Marinha, dos campos de golfe.


Hospitais sem dinheiro

No Hospital de Santa Maria, a médica Ana Moleiro diz que o número de doentes está a aumentar, por exemplo, na unidade de doenças respiratórias, porque “as pessoas não têm dinheiro para comprar medicamentos”. Além do aumento do número de doentes, há uma alteração nos horários das urgências, que deixou de ser homogéneo, relata. Há doentes que só vão às urgências depois do horário de trabalho, “porque têm medo de perder o emprego”.

Já João Álvaro Correia da Cunha, presidente do Centro Hospitalar Lisboa Norte, fala do corte de fornecimento de medicamentos a crédito por uma farmacêutica, que não identifica mas que é conhecida (a Roche). “É uma forma de pressão sobre o Governo para pagar a dívida”, diz. “É um problema. Se não tivermos estes medicamentos não poderemos curar os pacientes”, sobretudo na área oncológica”. “Eu não sou político, não conheço os segredos das negociações entre o Governo e a troika. Mas sei que o sistema nacional de saúde é a maior conquista da sociedade portuguesa dos últimos 50 anos”, conclui. 



Soares e a ameaça à paz


No final da reportagem, em entrevista, Mário Soares diz que “Portugal não pode pagar sozinho a crise internacional”. E desenvolve: “A União Europeia rege-se pela solidariedade entre países ricos e países pobres, entre grandes e pequenos. O projecto europeu é um projecto de paz, antes de tudo, um projecto de democracia, um projecto de bem-estar social e tudo isso está a desaparecer, sobretudo o princípio da solidariedade entre os povos da Europa. Se nós perdemos a solidariedade é a paz que está em jogo.” É por isso que Soares considera “muito perigosa” a política de Angela Merkel. “Sobretudo para a Alemanha. Os povos não esquecerão a situação. A Alemanha esqueceu-se que a Grécia, como Portugal, como os espanhóis e todos os outros [deram apoio] para que a Alemanha voltasse a ser uma só. Quem pagou a reunificação da Alemanha? Fomos nós, europeus”. E agora, prossegue Soares, “esquece-se que se deve ajudar”.

“A Alemanha é responsável por duas guerras mundiais e agora vamos para outra guerra mundial? Mas a União Europeia nasce para conseguir o oposto, para alcançar a paz”, acrescenta Mário Soares. Que conclui: “A mim o que me interessa são as pessoas, não os mercados”.

Jorge Sampaio e colegas de 1962 contra "violência policial"

Protagonistas da crise académica de 1962, incluindo o ex-Presidente da república Jorge Sampaio, aprovaram uma moção de repúdio pelos atos de violência policial de quinta-feira e enviaram um protesto aos principais órgãos de soberania nacionais.
A moção foi aprovada na sequência de um almoço, na cantina da Cidade Universitária, em Lisboa, que reuniu mais de 400 estudantes que há 50 anos realizaram "luto académico" após uma carga policial na alameda do Campo Grande. 

MOÇÃO
Há 50 anos, a indignação perante uma carga policial sobre estudantes que pretendiam comemorar o Dia do Estudante deu origem ao luto académico que hoje aqui evocamos.
Há dois dias, vimos nas televisões as imagens de polícias carregando de novo sobre jovens, com uma violência desmedida e desproporcionada. Mais vimos o espancamento de jornalistas, pondo em risco a isenta cobertura da carga policial.
Os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura. Assim, os participantes na Crise Académica de 1962, reunidos na Cantina da Cidade Universitária em 24 de Março de 2012, decidem:
- Manifestar o seu repúdio pelos actos de violência policial verificados em Lisboa e no Porto a 22 de Março de 2012;
- Dar conhecimento desse repúdio a Suas Excelências o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro; o Ministro da Administração Interna, o Inspector-Geral da Administração Interno e o Sr. Provedor de Justiça, assim como aos órgãos de Comunicação Social.
Cantina da Cidade Universitária
24 de Março de 2012

O Governo nada tem a ver com a subida dos combustíveis? Essa agora!

Temos estado confrontados, dia sim, dia não, com subidas dos combustíveis em valores nunca vistos até hoje.
A gasolina aumentou treze cêntimos e o gasóleo sete cêntimos desde o início do corrente ano. E ficámos a saber, por uma declaração lapidar proferida por Passos Coelho, que se trata de “uma matéria que não depende da intervenção do Governo”.
Por um lado o líder do Governo está a tratar-nos, a todos, como se não fôssemos dotados de inteligência e por outro lado está-se a tratar, a si próprio, como político gelatinoso como nos tem vindo a habituar. Ou seja, na oposição, quando candidato a Primeiro-Ministro, indignava-se com os preços dos combustíveis, pese embora o facto de muito inferiores aos de hoje e de o rendimento dos portugueses ser superior ao atual; agora como Primeiro-Ministro disse, em Viseu, o que disse. Que o seu Governo não tem nada a ver com isso, lavando as mãos como pilatos.
Aliás, convém dizer que do mesmo modo se comportou e comporta o seu parceiro de coligação, Paulo Portas, que também teve uma amnésia relativamente às declarações que efetuou no Parlamento quando na oposição.
Ou seja, os portugueses confrontam-se, todos os dias, com factos que revelam uma argumentação falaciosa e sustentada em mentiras e embustes políticos que o PSD e o CDS encenaram para “ir ao pote”, para reduzirem os vencimentos dos portugueses, nomeadamente dos funcionários públicos, para aumentarem o desemprego, para aumentarem as taxas moderadoras e para atacarem a escola pública e ao invés atribuírem um conjunto de benesses escandalosas a nomeados seus para empresas públicas ou afins e atacarem a economia.
Estamos, pois, perante o grau zero da política. Na oposição tudo servia para atacar o Governo, o PS e José Sócrates e agora, no poder, aquilo que se faz é o inverso de tudo quanto se proclamou ontem. Ou a culpa para o preço dos combustíveis ainda é de José Sócrates e do PS, como bem diz Miguel Sousa Tavares?
Os portugueses começam a perceber o logro da direita e não silenciarão este, seu, desencanto e revolta, nos momentos próprios.
Importa, para finalizar, dizer que me resta desafiar o Primeiro-Ministro e o Governo a escutarem Passos Coelho e Paulo Portas, de há um ano atrás e a dizerem porque não seguem, hoje sim, as receitas que na altura foram proferidas, de forma tão célere e convicta. A economia e o emprego agradeciam!
UMA NOTA PARA MEMÓRIA FUTURA: o PS em matéria de energias renováveis, aquelas que, verdadeiramente, nos irão dar segurança energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, tem um histórico que não é possível elidir com declarações de última hora de uns quantos atuais governantes.
In: Jornal do Douro de 22 março de 2012

Jorge Sampaio “Crise académica prenunciou o princípio do fim do Estado Novo”

 24 de Março de 1962, Jorge Sampaio era secretário-geral da Reunião Inter-Associações Académicas. Um lugar evidente para o estudante de Direito da Universidade de Lisboa, um “independente de esquerda” com actividade académica intensa. Foi um dos protagonistas da crise académica que estalou nesse dia. Cinquenta anos depois, o ex-Presidente da República responde ao ipor escrito (esteve toda a semana nas Nações Unidas, em Nova Iorque) sobre o que reapresentou a revolta: o início do fim do regime. Era Dia do Estudante, Salazar alegava não o ter autorizado e a polícia de choque cercou a Cidade Universitária. Porquê a repressão? “Medo”, considera Sampaio, que no entanto diz ter percebido que o caminho para a queda do regime ainda era longo. Aos jovens de hoje e perante as dificuldades actuais, o ex-Presidente pede o “proverbial ‘engenho e arte’”.
Na sua autobiografia política disse que as lutas estudantis de 62 marcaram o seu percurso e fizeram de si “uma pessoa diferente do que era antes”. O que é que mudou na forma como olhava para o país, e mesmo a nível pessoal?
A percepção de que mobilização e a acção colectivas podiam ser vectores de mudança social e política, e que esta era possível.
Até que ponto é que a crise académica contribuiu para o desgaste e queda do regime de António Oliveira Salazar?
A crise académica não foi um acto isolado, mas inscreveu-se numa cadeia de acções e eventos que acabaram por culminar em Abril de 74. É difícil avaliar a parte desempenhada por cada um destes acontecimentos, mas sem dúvida que a crise académica teve um grande impacto no Estado Novo, podendo dizer-se que prenunciou, de certa forma, o principio do fim.
Consta que Salazar disse a Franco Nogueira que teria de ser duro com os estudantes, porque se arriscava a que os revoltosos chegassem ao poder. Nesse aspecto não se enganou, mas qual é a razão para o regime ter usado de uma repressão tão forte com os estudantes?
Para mim foi o medo, pois os acontecimentos de 62, pela sua amplidão e ineditismo, apanharam o regime desprevenido.
Quando percebe que há uma nova geração que está disposta a fazer frente a Salazar, pensou que o regime ia finalmente cair ou tinha consciência das dificuldades que existiam em lhe pôr fim?
Penso que para mim foi claro muito cedo que iria ser um processo longo, cujo desfecho, aliás, na altura não era nada óbvio.
Num texto publicado há dias no “Correio da Manhã”, Medeiros Ferreira recorda que o embaixador britânico em Lisboa escreveu que “a maioria dos observadores consideraram a situação mais grave para o regime que a agitação de rua dos comunistas”. Como é que enquadra a oposição feita pelos estudantes na contestação que já existia, nomeadamente do PCP?
A crise de 62 traduziu e exprimiu uma aspiração de participação cívica muito generalizada que, começando na universidade, galgou os seus muros e mobilizou a atenção de múltiplos sectores da sociedade portuguesa. Foi um grande momento de unidade em que não se jogavam grandes clivagens políticas.
Nessa altura estava mais próximo dos comunistas? Seja como for, nunca aceitou entrar no partido. Porquê?
Era, como na altura se dizia, um independente de esquerda. De resto, apesar de ter tido uma formação marxista, nunca me identifiquei com a matriz ideológica do Partido Comunista nem com a sua rigidez, pouco compatível com o meu sentido de diálogo e do compromisso.
Mário Soares recorda – no livro de entrevistas de Maria João Avillez – que tentou conquistá-lo para a Resistência Republicana e Socialista e, nessa altura, Manuel Mendes alertou-o que corria o risco de ser como as “meninas muito prendadas, que se fazem difíceis e ficam para tias”. Como é que olhava para Mário Soares?
O dr. Mário Soares era de uma geração diferente, mais velha… eu na altura era um jovem recém-licenciado que olhava com admiração e respeito para pessoas como o Dr. Mário Soares, sem prejuízo de manter a minha independência e capacidade de juízo.
Na década de 60, o país vivia uma situação difícil. Houve contestação que culminou na queda do regime. Hoje voltamos a ter sinais de pobreza e voltam a estar em risco conquistas como o acesso aos cuidados de saúde ou a segurança social. O que é que os portugueses, sobretudo os estudantes, podem fazer para ultrapassar esta crise?
Persistir na procura de oportunidades, usando do nosso proverbial “engenho e arte”, da nossa capacidade de inovação e da facilidade que temos em interagir e criar solidariedades em qualquer parte do mundo. Firmeza, ambição e abertura para novas formações e reciclagens profissionais parecem-me também atitudes positivas para vencer as dificuldades que temos pela frente.
Cinquenta anos depois de se envolver na oposição ao regime de então e de ter tido um papel importante no regime democrático, como é que olha para Portugal, a braços com uma crise gravíssima?
Com apreensão, mas também com esperança, porque conheço a capacidade que nós, portugueses, temos de ultrapassar as dificuldades e de nos batermos pelo país e pelo nosso futuro como povo.


Bom Humor!


António Costa, um símbolo da "nova geração da social-democracia verdadeiramente socialista"



O sociólogo Boaventura de Sousa Santos questionou hoje se o Partido Socialista será merecedor do «génio político» de António Costa, que vê com perfil de um primeiro-ministro que tire o país da asfixia em que se encontra.

«António Costa está a experimentar em Lisboa o que ele faria em Portugal se fosse primeiro-ministro, é isso que nós precisamos e é isso que temos de dar conta. Infelizmente a lucidez partidária por vezes fica muito próxima da cegueira», observou o cientista social ao apresentar em Coimbra 'Caminho Aberto', livro daquele político.

Para Boaventura de Sousa Santos, o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa «é neste momento a alternativa viva, eficaz, realista à ‘Troika’, porque para ele a eficiência não são cortes cegos».

«A eficiência não exige o sacrifício da democracia. A eficiência é realmente a conquista da democracia», defendeu.

Ao classificar António Costa como um símbolo da «nova geração da social-democracia verdadeiramente socialista», disse que o seu livro, sobre os 20 anos de percurso, «marca ou antecipa a abertura de um novo ciclo político» que vai ter sua «marca indelével».

No entendimento do sociólogo, a grande questão que se pode colocar «é se o Partido Socialista merece este homem», que vê como um dos poucos exemplos a nível internacional que alia de forma elevada a prática política à teorização política.

«Eu quero desesperadamente acreditar que sim, pois é um dos políticos mais notáveis e não estamos em condições de o país desperdiçar experiência politica executiva», observou, exortando os militantes socialistas a pugnarem por um outro papel para António Costa.

Na sua perspectiva, «a tentação vai ser obviamente para chutar este homem para onde possa dizer palavras eloquentes e não governe», embora ele «é muito mais importante como primeiro-ministro do que como Presidente da República, apesar de com a sua idade poder chegar às duas coisas, se quiser».

Através dos cargos que desempenhou – deputado, ministro ou autarca –, procurou os «consensos no sentido de construir um país mais solidário, um país mais democrático, um país que nos faça sair da asfixia», acrescentou.

«Nós lutamos em Portugal neste momento por uma luz ao fundo do túnel. Este livro é uma luz ao fundo do túnel», concluiu Boaventura de Sousa Santos.

António Costa, por seu turno, em tom de gracejo, disse ter ficado sem palavras depois de ouvir o sociólogo, acrescentando que ele «disse bastante mais» do que imaginou ouvir.

ROTEIRO JS - Nas freguesias. Mais Próximos de ti.


A Concelhia de Viseu da Juventude Socialista (JS) decidiu avançar para a organização de uma nova iniciativa, a qual se denominará “ROTEIRO JS”.

Esta iniciativa, aprovada na última reunião da Comissão Política Concelhia, vai consistir na visita dos elementos do Secretariado da JS a todas as freguesias do concelho de Viseu, com vista a cumprir vários objectivos, tais como:


  1. Reunir com elementos das listas do PS candidatas às freguesias nas últimas Eleições Autárquicas;
  2. Visitar instituições e locais emblemáticos de cada freguesia;
  3. Conhecer especificidades de cada freguesia, identificando as potencialidades e os problemas existentes;
  4. Discutir a reorganização administrativa.


O “ROTEIRO JS” terá início no próximo mês de Abril, com as visitas às freguesias de Torredeita, Farminhão, S. Pedro de France e Bodiosa.

“Hoje por um Colega, amanhã por um Amigo, um dia por TI”



Recentemente, o Diário de Viseu apresentou a seguinte manchete: “Mais de 21 mil desempregados no Distrito”. No desenvolvimento da notícia, lia-se que só no Concelho de Viseu há 8500 desempregados.

Já por diversas vezes escrevi neste espaço sobre o fenómeno do desemprego e a crise que a todos atinge. Infelizmente, é hoje um tema recorrente e que dia após dia tende a agravar-se. Acresce que a dura realidade dos tempos modernos leva-nos a crer que o fenómeno do desemprego veio para ficar. Pior, tende a arrastar-se e a arrastar consigo sonhos, pessoas, vidas.

É óbvio que as dificuldades financeiras e a pobreza não emergiram com a crise actual. Mas a verdade é que hoje as dificuldades são bem maiores e atingem muitos mais, do que num passado recente.

 "Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis" é uma máxima bem actual e, por isso, nunca é demais elogiar quem de forma genuína e altruísta tenta encontrar métodos para a resolução de problemas difíceis.

Também em Viseu, num momento em que uma manta de breu tristemente encobre os nossos dias, há Pessoas e Instituições que pintam com cores vivas a vida de tantos Viseenses. Pessoas e Instituições que recorrem à criatividade, empenho e dedicação dos seus membros para tentar resolver ou atenuar “problemas difíceis”.

Bem sei que é sempre injusto (e inglório) individualizar uma ou outra Instituição, quando tantas outras merecem igual referência. Porém, creio que todos compreenderão que mais importante do que a referência individual às Instituições, é importante citar exemplos que possam despertar consciências e florescer.

Na semana passada, a Associação Académica do Instituto Politécnico de Viseu promoveu uma Caminhada Solidária que juntou mais de 1000 Viseenses. O objetivo que uniu este milhar de pessoas foi reunir apoios para o Fundo de Apoio ao Estudante.

Uma iniciativa louvável. Uma iniciativa idealizada por jovens, mas partilhada por centenas de jovens e menos jovens. Abraçar e dar as mãos por causas é uma demonstração cabal da grandeza da nossa alma colectiva e, por isso, iniciativas como esta enchem-me de orgulho de ser Português e, muito particularmente, Viseense.

Ainda assim, não posso deixar de sublinhar que os Estudantes se vêem forçados a recorrer a este tipo de iniciativas solidárias porque o Estado não cumpre com as suas funções sociais. É que a Educação, não esqueçamos, é um Direito (para além de ser, igualmente, um motor do desenvolvimento da Economia). Por isso, em primeira instância cabe ao Estado assegurar a todos os Cidadãos a possibilidade de acederem à Educação e ao Ensino Superior, independentemente da sua condição socio económica.

Quando o Estado não funciona, a Sociedade Civil dá o exemplo. Assume-se como a candeia num momento “de desgraça”

Obrigado Academia de Viseu pela vossa força inspiradora. Obrigado Academia de Viseu pelo vosso apelo sentido: “Hoje por um Colega, amanhã por um Amigo, um dia por Ti”.

Artigo publicado no Diário de Viseu

Breve nota


Caros Joaquim Alexandre Rodrigues e Miguel Fernandes (que pessoalmente não conheço, mas cujo blog visito regularmente),

Com bem sabem é difícil alimentar diariamente um blog. No dia de ontem (terça-feira) era o meu dia de publicar nos Novos Horizontes (já que coincide com o dia em que escrevo no Diário de Viseu).

Para que os leitores não visitassem o blog sem poderem ler um artigo novo, publicámos temporariamente uma notícia relativa ao António Costa. Julguei que conseguia publicar o meu texto ainda ontem (substituindo a notícia), mas infelizmente não consegui (ainda o vou tentar publicar hoje). Como os meus amigos bem sabem, isto de ser "blogger voluntário" não é fácil.

Amanhã, voltará a notícia relativa ao António Costa (cujo novo livro ainda na semana passada divulgámos: http://clube-novoshorizontes.blogspot.pt/2012/03/continuar-abrir-caminhos-de-futuro.html )

Ao longo do último ano tentámos promover a discussão e pluralidade no PS (por exemplo, nas eleições para Secretário Geral e nas Eleições Nacionais das Mulheres Socialistas publicámos – e, aliás, incentivámos a publicação de - artigos de apoiantes das duas candidaturas). Pretendemos continuar esse caminho.

Um abraço aos dois!

JS lamenta (falta de) atitude da JSD

















Durante um mês, a Concelhia de Viseu da Juventude Socialista (JS) esperou a resposta da estrutura concelhia da JSD ao repto lançado em relação à luta conjunta pela implementação efectiva do Conselho Municipal de Juventude (CMJ) no concelho de Viseu.

Este tema tem feito parte da agenda política da Concelhia de Viseu da JS, a qual promete continuar a fazer pressão nesse sentido.

Quando foi lançado o repto à JSD, o mesmo foi baseado na convicção de que os jovens têm direito a uma política que os permita assumir o papel de interlocutores junto do poder local instituído. Para além disso, considerava-se que o próprio fortalecimento da democracia representativa passa também pelo papel que os jovens podem ter na sua comunidade, pelas responsabilidades que podem assumir, pelas decisões em que se podem envolver, pelas capacidades que desenvolvem e pela sua participação na vida associativa e política.

No entanto, após uma reunião do Secretariado (órgão executivo da concelhia), os jovens socialistas dizem que a estrutura concelhia da JSD desperdiçou uma oportunidade única de mostrar empenho na defesa dos interesses dos jovens viseenses.

A Concelhia de Viseu da JS refere que até poderia compreender essa atitude se a agenda da JSD fosse muito preenchida, o que de facto não se tem verificado.

De acordo com José Pedro Gomes, Coordenador dos jovens socialistas, “a JSD tem-se caracterizado pela sua inacção, falta de intervenção, ausência de propostas e até, nos últimos tempos, fragilidade e más opções que a têm deixado sem capital político”, referindo-se também à participação da JSD nas eleições para a concelhia do PSD, em que decidiu apoiar uma das candidaturas, atitude que o jovem socialista diz ter sido “tomada por impulso e sem sentido”.

Apesar de a JSD se mostrar indisponível para essa luta pelo CMJ, os jovens socialistas informam que estão a ser agendadas novas iniciativas ligadas a esse tema e que serão divulgadas brevemente.

“Não nos resignamos e só descansaremos quando este instrumento de participação política dos jovens estiver garantido”.

Juncker e Thomsen admitem erros no programa de ajustamento grego



O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, diz que se olhou demasiado para o problema financeiro e pouco para o crescimento económico da Grécia.
O presidente do Eurogrupo admitiu hoje que a Zona Euro não olhou com atenção para o problema do crescimento económico na Grécia e que se preocupou sobretudo com com o problema financeiro.
Numa entrevista a um jornal de Atenas, Jean-Claude Juncker lamentou o agravamento das condições de vida na Grécia e considerou que tinha sido mais lógico focar desde o início do programa de ajustamento o problema do crescimento económico.
Também o novo chefe da missão do FMI na Grécia, Paul Thomsen, deu uma entrevista a outro jornal, na qual reconhece, olhando para trás, que algumas alterações que foram levadas a cabo deviam ter sido feitas de forma diferente.
Por exemplo, Thomsen diz que o programa grego estava muito baseado no aumento de impostos quando devia estar mais focado na redução da despesa pública.
TSF

António José Seguro faz duras críticas ao Governo



António José Seguro sustentou que "o atual Governo e a maioria de direita  quiseram passar a ideia de que tinham entregue  na Assembleia da República  uma proposta de Reforma do Poder Local, mas o que fizeram depois de nove  meses foi entregar uma lei de extinção de freguesias".  
O líder do PS garantiu que a proposta de lei "viola o princípio de autonomia"  das autarquias, imposta às populações e que piora a qualidade de vida, sobretudo  nas zonas rurais. "Isto só pode vir de um Governo que não tem sensibilidade social e não  conhece o país. As freguesias do interior e com pouca população são aquelas  que mais precisam das freguesias, muitas em vias de desertificação, que  viram partir serviços públicos, os CTT, GNR e extensões de saúde", defendeu  o socialista. 
António José Seguro frisou que "não faz sentido que o Estado abandone  essas pessoas", destacando o facto de na maioria dos casos se tratar de  população envelhecida. Perante uma plateia constituída por muitos autarcas, no encerramento  do Fórum Municipal que decorreu hoje em Leiria, e a pouco menos de duas  semanas da manifestação convocada pela Associação Nacional de Freguesias  contra a reforma proposta pelo Governo, o secretário-geral do PS elogiou  os autarcas e acusou a maioria PSD/CDS-PP de insensibilidade social. 
Seguro admite que se fosse primeiro-ministro "também teria que tomar  medidas de austeridade", mas criticou "o ritmo e a dose" de sacrifícios  impostos pelo Governo liderado por Pedro Passos Coelho. "Só olha para os números e para o memorando da 'troika', mas a responsabilidade  de um político é garantir que não se deixa nenhum português para trás, nos  cuidados de saúde, na justiça ou no emprego", enfatizou. 
O líder do PS aproveitou para responder ao líder do PCP, Jerónimo de  Sousa, que no sábado corresponsabilizou os socialistas pela "cruzada contra  a saúde" que se está a assistir no país, considerando que Seguro "não tem  sentido do ridículo". 
Seguro garante que não confunde adversários e que os seus inimigos estão  identificados: a pobreza, o desemprego e o atual Governo de direita. 

SIC

Novos Horizontes da Leitura


Enquanto primeiro ministro da Grã-Bretanha entre 1940 e 1945, Winston Churchill não só foi o maior líder da II Guerra Mundial mas também a voz desafiadora mais eloquente do mundo livre contra a tirania nazi. Os relatos épicos de Churchill desses tempos, extraordinários pela acutilância, são aqui reunidos num único volume. Esta obra vital e reveladora retém o drama, os detalhes observados em primeira mão e a prosa magistral dos seus clássicos 6 volumes de história, oferecendo uma valiosa perspectiva de eventos fulcrais do século XX.
A história de Churchill da II Guerra Mundial é, e será, a obra definitiva. Lúcido, dramático, extraordinário, quer pelo seu fôlego e profundidade, quer pelo seu sentido de envolvimento pessoal, este livro é universalmente reconhecido como uma magistral reconstrução histórica e uma duradoura obra de literatura.

Exceções para uns e adaptações para outros

Recentemente, António Guterres alertou-nos, numa entrevista a uma rádio nacional, para os perigos de uma explosão social na Europa.
Espero que não esteja certo, mas os sinais que temos tido dos governos europeus não são nada animadores em relação a esta matéria. Já algumas vezes falei nos perigos de eventuais convulsões sociais. Os ingredientes estão aí. Forte desemprego, pobreza, crise financeira, acentuados desequilíbrios nas classes sociais e sentimentos de injustiça.
Se alguns destes fatores são consequência da conjuntura muito negativa que vivemos, outros dependem unicamente das medidas e ações políticas dos nossos governantes. O povo português é por natureza pacífico e tem uma capacidade de sacrifício do tamanho do mundo. Temos sido chamados a cumprir com um plano de austeridade que em muito tem penalizado a nossa qualidade de vida e o nosso dia a dia. Apesar das adversidades é notável o espírito de sacrifício e a tolerância dos portugueses quando comparado com o que temos assistido por esse mundo fora. Fomos todos chamados para sacrifícios em nome de Portugal e, por isso, o que os portugueses esperam é que esses sacrifícios sejam transversais a todos, sem exceção. O princípio da equidade é o ponto de equilíbrio, é a fronteira entre uma austeridade para todos e uma austeridade só para alguns. Por isso é que não pode haver exceções para ninguém e quando são tomadas medidas que implicam mais sacrifícios para uns e menos sacrifícios para outros e se afirma que são adaptações é o mesmo que andar a brincar com o fogo.
O que Portugal não precisa neste momento é de notícias que alimentem sentimentos de injustiça e revolta. Por isso é fundamental evitar desequilíbrios na distribuição dos sacrifícios que se pedem.
Diariamente vemos nos media os políticos a serem fortemente contestados quando saem à rua e esse é um sinal claro de que o povo português está no limite das suas capacidades para suportar mais sacrifícios.
É necessário um governo que tome as medidas corretas e justas e acima de tudo que seja solidário com aqueles a quem pede sacrifícios. Solidariedade e justiça são fatores fundamentais para gerir um país que atravessa um momento de grande dificuldade.




Cavaco tem um sonho ...

Julgo que Cavaco tem um sonho parecido com o de Sá Carneiro : um governo, uma maioria, um Presidente. Só que no sonho de Cavaco ele desempenha todos os cargos. Há um Presidente Cavaco, um conselho de ministros formado por Cavacos e 230 Cavacos na Assembleia da República .



NÓS SOMOS ...



Como uma pequena lâmpada subsiste
e marcha no vento, nestes dias,
na vereda das noites, sob as pálpebras do tempo.

Caminhamos, um país sussurra,
dificilmente nas calçadas, nos quartos,
um país puro existe, homens escuros,
uma sede que arfa, uma cor que desponta no muro,
uma terra existe nesta terra,
nós somos, existimos

Como uma pequena gota às vezes no vazio,
como alguém só no mar, caminhando esquecidos,
na miséria dos dias, nos degraus desconjuntados,
subsiste uma palavra, uma sílaba de vento,
uma pálida lâmpada ao fundo do corredor,
uma frescura de nada, nos cabelos nos olhos,
uma voz num portal e a manhã é de sol,
nós somos, existimos.

Uma pequena ponte, uma lâmpada, um punho,
uma carta que segue, um bom dia que chega,
hoje, amanhã, ainda, a vida continua,
no silêncio, nas ruas, nos quartos, dia a dia,
nas mãos que se dão, nos punhos torturados,
nas frontes que persistem,
nós somos,
existimos.


António Ramos Rosa in Sobre o Rosto da Terra - Antologia Poética Dom Quixote
, 2001