Máscaras de Carnaval



"Que ideia a de que no Carnaval as pessoas se mascaram. No Carnaval desmascaram-se." Vergílio Ferreira

O Carnaval é normalmente um tempo de excentricidade e folia.
Um tempo para esquecer os problemas do dia-a-dia e entrar no domínio do imaginário. As pessoas mascaram-se.
Se isto se aplica à generalidade das pessoas, muitos responsáveis políticos optam por ser a excepção: desmascaram-se.
Vem isto a propósito do Presidente da República, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças, e da Imperatriz da Europa, Merkel.
Cavaco Silva desmascara-se de Presidente da República e torna-se num cidadão comum.
Cavaco Silva, depois de ter revelado as suas profundas dificuldades financeiras e de, por isso, ter recolhido a solidariedade de grande parte dos Portugueses, remete-se a um profundo silêncio e anonimato. Não sejamos injustos, este silêncio é compreensível: muitas vezes, Cavaco contribuiu mais para o colectivo estando na veste de um anónimo cidadão comum, do que na máscara de um Chefe de Estado.
Aliás, se Cavaco Silva optasse por manter este estatuto de anonimato obteria ainda outras vantagens: ninguém falaria de si, não teria que fazer piruetas automobilísticas para evitar a ferocidade dos alunos e, em vez procurar a solidariedade dos Portugueses face às suas parcas poupanças de reforma, poderia procurar essa solidariedade junto dos seus mais próximos, no conforto do seu lar.
Por sua vez, Pedro Passos Coelho desmascara-se de Primeiro-Ministro e torna-se no bom aluno da Europa.
Pedro Passos Coelho, como um aluno obediente que quer agradar aos Professores, pouco tempo antes da tolerância de ponto (no Carnaval), decide suspender a mesma.
Se a suspensão da tolerância de ponto estivesse prevista há muito, seguramente poucas vozes se levantariam contra esta medida. Porém, suspender a tolerância em cima do acontecimento soa a show-off. Retirar a máscara de Primeiro-Ministro e vestir a pele de um seguidor acrítico dos Tecnocratas é retirar a máscara sem honra, nem glória
Centremo-nos agora em Vítor Gaspar. Não sei porquê, mas sempre que vejo o Ministro das Finanças lembro-me do Gasparzinho, o desenho animado.
Nesta altura de Carnaval, Vítor Gaspar decidiu retirar a máscara de Ministro das Finanças e vestir-se de pequeno Gasparzinho, subjugado ao poderia da Alemanha de Merkel. O famoso microfone oculto revelou que o nosso Ministro das Finanças é o fantasminha obediente e agradecido aos patrões Alemães.
Finalmente, Angela Merkel, que aproveitou este período carnavalesco para retirar a máscara de Imperatriz da Europa e voltar a ser Chanceler da Alemanha.
Enquanto a Europa definha e quase se desagrega, a Alemanha da Chanceler atinge uma prosperidade nunca vista. Percebe-se cada vez mais que a pobreza de uns é cavalgada pela prosperidade de outros: na Alemanha, a taxa de desemprego é a mais baixa das duas últimas décadas, a confiança dos consumidores subiu pela quinta vez, a taxa de poupança é a mais alta da Europa e durante este ano atingiu-se o valor mais alto de sempre nas exportações alemãs: 1 bilião de euros.
Mas não falemos de coisas sérias. Afinal, é Carnaval!
Até quando?
Artigo publicado no Diário de Viseu

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