Uma Coca-Cola para São Bento



A coca-cola colocou a circular recentemente em Portugal e em alguns países da Europa uma publicidade, que mais que uma campanha publicitaria, incita ao orgulho nacional de cada país -incita à esperança.

Hoje é difícil ter esperança. Caminhamos no sentido inverso aos ponteiros do desenvolvimento : um Governo que não dá o exemplo ; um ministro da economia que não sai à rua ; um ministro das finanças que não sabe o que tem em casa ; um primeiro-ministro amputado que tem uma muleta de marca Miguel Relvas ; desemprego a aumentar ; empresas a falir ; e a luz ao fundo do túnel já só consegue ser vista pelos mais esperançosos e utópicos.

Cada vez que me lembro das declarações relativas à emigração e aos professores tenho de respirar fundo e contar até dez. Sempre se pode defender , como de resto se defendeu, que as declarações continham mais realismo do que falta de esperança.

Mas ser realista é estar ao leme e gritar ao meu povo que se vá embora porque aqui já não esperança ? É dizer aos que lutam diariamente por um país melhor que o fim será sempre inglório e por isso o melhor é atirar já toalha ao chão e atravessar fronteira ?

Bem sabemos que esperança não é optimismo cego. Não é desprezar a enormidade do trabalho que ainda tem de ser feito. Não é assobiar para o ar e continuar com fugas crónicas a decisões difíceis. Esperança é algo que existe dentro de nós e insiste apesar de todas as adversidades em contrário. É isto que o corpo politico deste país tem de estimular porque só com esperança é que haverá mais empenho e alento deste povo para um Portugal melhor.

Por isso, caro leitor , quando voltar a ouvir declarações semelhantes convidando-o a si ou aos seus pares a emigrar, lembre-se que a história deste país não foi protagonizada por estes vampiros emocionais sem esperança nem alento. Foi escrita pelos homens e mulheres que se recusaram atirar a toalha ao chão .

Lembre-se do brilhante filme de Gabriele Muccino - “ Em Busca da Felicidade” - onde Will Smith diz ao filho : “ Sabes , as pessoas que não têm esperança não conseguem atingir os seus sonhos , e costumam dizer aos outros que também não vão conseguir”.

Lembre-se que William Faulkner, à beira da morte, dizia que devíamos ter sonhos bem grandes para nunca os perdermos de vista.

E mesmo que cheguemos ao ponto em que esperança e utopia sejam quase indistinguíveis , mesmo aí, lembremo-nos de Eduardo Galeano, que conclui um dos seus livros assim : “Caminho dois passos e o horizonte caminha mais dois. Caminho dez passos e ela afasta-se mais dez. Por mais que caminhe nunca a alcançarei. Mas afinal para que serve a utupia ? Serve para isso , para caminhar.”

Eu não sei se Passos Coelho gosta de Coca-Cola mas de cada vez que olhasse para uma garrafa devia lembrar – se que ela nos faz muito melhor do que ele. E “ela”, não é a garrafa. É a esperança.

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