REAFIRMAR O PS, CRIAR UMA NOVA ESPERANÇA.

Uma perspectiva sobre as Eleições para as Comissões Políticas Concelhias


Depois das eleições para Secretário Geral, com a eleição de António José Seguro, e da realização do Congresso Nacional no período que decorreu entre Julho e Setembro do ano passado, sem responsabilidades na Governação do País mas de alguma forma vinculado ao cumprimentos dos compromisso assumidos com as entidades que financiam o chamado “resgate” financeiro de Portugal, no PS aproxima-se um importante momento para a reafirmação do Partido como força política indispensável ao bom funcionamento da Democracia a nível nacional e a nível local.


Vêm aí as eleições para as Comissões Políticas Concelhias, o momento em que o PS pode mostrar que mudou de facto, que deixou ser, como os outros partidos, um partido “domesticado” em que as estruturas locais e regionais são apenas uma forma de preparar a ocupação de lugares nas listas eleitorais para as autarquias locais e para deputados, em que a hoje necessária mediatização dos líderes não origina o seu endeusamento e não limita a possibilidade de afirmação da discordância de opinião com eles, que passa a ser uma espécie de heresia.


É tempo de o PS voltar a ser num partido em que, numa salutar convivência democrática e numa atmosfera de liberdade de pensamento e expressão do mesmo, se confrontam perspectivas e propostas de construção de plataformas de acção política que tenham em conta as realidades e problemas locais, regionais e nacionais e os novos contextos sociais. Esse salutar e enriquecedor confronto de opiniões só poderá acontecer se na generalidade das secções concelhias, nomeadamente nas de maior número de militantes, como é o caso da secção do PS de Viseu, se apresentarem várias listas concorrentes às eleições para os seus órgãos.


Só assim o PS mostrará que há uma efectiva mudança, evidenciando aos cidadãos, através de novas propostas e novos protagonistas, que há uma efectiva renovação de ideias e de práticas, que há oportunidades para não serem sempre os mesmos a ocupar os lugares nos órgãos partidários, que não há listas encomendadas para potenciar este ou aquele candidato à presidência das Câmaras Municipais, ou mesmo a um lugar elegível nas futuras listas de deputados.


Mas além disso, as eleições com mais de uma lista serão sempre mais participadas e as candidaturas vencedoras em eleições democráticas disputadas com igualdade de condições internas de informação e divulgação terão uma legitimidade reforçada para aplicar o seu programa eleitoral e para conseguir das dos candidatos derrotados a cooperação activa nas tarefas partidárias subsequentes, nomeadamente na preparação das próximas eleições autárquicas. E, para além desse momento, num Partido em que as Comissões políticas são eleitas com base no método de Hondt, haverá uma maior riqueza no debate político interno de que as Comissões Políticas Concelhias devem ser local privilegiado. Por isso aqui deixo o meu apelo à mobilização dos militantes para a apresentação e participação em listas de candidatos, dos mais novos aos mais antigos militantes, na perspectiva de participação inter-gerações e de diferentes grupos profissionais e sociais que sempre foi a tradicional do PS.


Mas não se pode substituir o papel destas eleições por qualquer tentativa de associar às mesmas quais quer nomes de candidatos às eleições autárquicas. Elas são eleições para os órgãos do «Partido e não para as autarquias, que aliás ainda não têm quadro legal definido em função das intenções de alteração da Lei da Autarquias já anunciadas e também do compromisso do Secretário Geral do PS em criar um quadro estatutário que permita a realização de primárias internas ou de processo de audição para ajudar à selecção dos candidatos do PS. E estas eleições não podem assemelhar-se às eleições dos clubes de futebol em que os candidatos se afadigam a anunciar futuras contratações de “craques” ou treinadores na esperança que isso lhe dê mais alguns votos, sem clarificarem como vão depois assegurar o que prometerem, até porque aqui as transferências repentinas não são, geralmente, de grande sucesso.


O futuro está na mão dos militantes do PS, dos mais jovens aos mais antigos como é o meu caso. Espero que apareçam várias candidaturas e vários rostos a darem-lhe corpo e que daí resulte um claro e sereno debate de ideias e propostas de acção. É altura de muitos dos militantes ainda jovens, mas qualificados e já com percursos profissionais sucedidos, e os mais antigos e experientes integrem as candidaturas, mostrando que o PS está bem vivo, que quer reafirmar os seus princípios e valores, e que quer abrir uma nova janela de esperança para Portugal, e para os Viseenses em particular, nesta difícil situação que Portugal atravessa.



Rui Santos – militante nº 1806 do PS – Secção de Viseu

2 comentários:

  1. Gostei muito do seu texto camarada Rui Santos.
    Entendo que é uma visão muito lúcida sobre o momento atual do partido e sobre os desafios que se lhe colocam no curo e médio prazos.

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  2. Parabéns pelo seu texto.

    Partilho da sua visão mas sou céptico (muito) se o caminho adoptado será diferente do anteriormente escolhido. Aguardo.

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