O circo saiu à rua


Desde a noticia relativa aos nomes que irão ocupar os órgãos da EDP que escrevo estado com letra minúscula. Ele não merece mais.

Na nossa ultima crónica fizemos alusão ao quanto é necessário que este povo tenha esperança num momento como o que atravessamos. São actos desta natureza que fazem esmorecer a esperança de um povo que assiste impotente à lista de agradecimentos de Passos Coelho.

Em que é que esta gente estava a pensar quando se lembrou destes nomes ? Na competência? Mas Eduardo Catroga ou Braga de Macedo são Coca-Colas do deserto? Peço desculpa , mas eu já dei para o peditório da ingenuidade.

Não sei se me assusta mais este Governo não perceber que a nomeação de Catroga e dos seus correligionários é perigosa, se os nomeados dizerem que o governo nada teve que ver com a nomeação. O Governo não podia ter anuído. É óbvio demais para o cidadão e legitimador de menos para um Governo que quer pedir sacrifícios.
Já não há vergonha no PSD ? O tacho continua só mudaram as moscas ? Se é isto que querem levar avante digam já porque extinguimos o estado por falta de governados.

Muitos os há que exclamarão: sempre foi assim , qual é a surpresa ? Há muito que o “boyismo” entrou para o anedotário nacional mas agora o panorama é outro. Nunca como hoje se pediu tanta união a um povo e ao mesmo tempo tantos sacrifícios.

Este governo tem duas caras e duas mensagens : uma mensagem forte para os fracos e uma fraca para os fortes. Já alguém em São Bento se lembrou de relatar aquele episódio de quando uma mulher na rua aborda Benjamin Franklin e lhe pergunta "Que legado nos deixou?" ao que Benjamin responde : "Uma Republica , se a conseguirem manter."

Mas quem é que tem legitimidade para falar sobre este pagode ? É o Partido Socialista que na ultima década que esteve no Governo tornou quase esta politica do “boyismo” um direito constitucional para quem milita nas jotas ou é apoiante de candidaturas ?

Quem tem legitimidade para falar sobre isto é você caro leitor. Você que nunca foi nomeado para um cargo de confiança politica por pertencer a uma jota ; você que bem poderia ser um politico profissional mas nunca um profissional da politica ; você que se envolve para mudar o que pensa estar errado; você que acha que o mérito e a competência têm que triunfar sobre a fidelidade partidária.

Viktor Frankl dizia que "Se não estiver nas nossas mãos mudar uma situação que nos cause dor , podemos sempre escolher a atitude com que enfrentamos esse sofrimento." Frankl tinha razão, não acha ?

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