Interesses paralelos






Há uns meses atrás fizemos alusão ao caso do Tiago, um jovem que deixou de estudar por dificuldades financeiras. Na altura criticámos o Ministro do ensino superior, Mariano Gago que - e é justo afirmá-lo - terá, porventura, sido o pior ministro do ensino superior de que há memoria.




Mais de meio ano volvido mudou-se o Governo mas mantiveram-se os hábitos : milhares de estudantes sem bolsas de estudo e os 3000 que abandonaram o ensino superior há muito que foram ultrapassados.


Nuno Crato não só não resolveu o problema das bolsas como explicou ao associativismo deste país que as associações académicas, na óptica do ministério, só não são extintas por falta de fins que pretendem cumprir porque ainda vivemos em democracia.


Crato iniciou o seu mandato como ministro dizendo que era necessário extinguir o ministério e entregá-lo a quem o merece. Mas quem é que o merece ? O principal problema do ministério não é o ensino secundário e a avaliação dos professores. É o ensino superior.


É que os professores têm o seu sindicato mediocre mas barulhento. Os estudantes têm o quê ? Associações académicas que estão dominadas por interesses partidários e utilizadas como rampas de lançamento para quem não consegue subir na vida por qualidades pessoais ? Ou associações lideradas por pessoas que não percebem a substancial diferença entre servir os outros e servir-se dos outros ? Escolha você caro leitor porque a mim falta-me a coragem.


Alguém se lembra a ultima vez que a maior associação academica deste país - leia-se : Associação Académica Coimbra (AAC) - tomou uma posição publica ou pressionou o ministério apercebendo-se que a situação se iria repetir outra vez este ano?


A ultima prova de que as lutas das associações ficam sempre a meio da ponte foi vangloriarem-se com a abertura de um novo período para candidaturas a bolsas de estudo quando a pedra de toque e o problema central é o critério utilizado e tempo de resposta – é aqui que a onça bebe a agua (!) , não é nas candidaturas.


Os dirigentes da académica deviam olhar para a historia da AAC e perceber que quem a escreveu não foram pessoas que se sucumbiram a interesses partidários, mas homens e mulheres que perceberam que a causa associativa é muito maior que a soma das suas ambições pessoais, lideradas por pessoas que não percebem a substancial diferença entre servir os outros e servir-se dos outros.


Mas não é só a AAC que entra para este saco de gatos. São todas as associações académicas deste país ,sem excepção. Já agora, o que é um natal negro no ensino superior ? É uma virgula no tempo em que os dirigentes associativos se lembram por altura do natal de trocar a imagem do Facebook ?Condenar o ensino superior por esta via é muito mais que lançar os dados na roleta russa da crise académica .Mais do que isso , é comprometer o ensino superior e subsequentemente comprometer o futuro do país . É dizer ao país que daqui a uma década teremos quadros ainda mais fracos do que os que temos actualmente.



O silencio dos dirigentes associativos mais não é do que uma assunção tácita de culpa ,mas aguardando estes pela absolvição perante o tribunal da ambição pessoal.

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