Manipulação Mediática


Noam Chomsky, linguista e filósofo norte-americano, escreveu em conjunto com Edward Herman o livro Manipulação do Público, em que no seu campo de interesses como linguista se dedica à análise dos “mass média”. A partir dele desenvolveu a lista das "10 estratégias de manipulação dos princípios sociais e económicos de forma a atrair o apoio inconsciente   dos meios de comunicação para a manipulação.
Os tempos que se vivem em Portugal e na Europa, mesmo tendo em conta que a Chomsky tem na sua análise como ponto de partida a análise da sociedade americana, dão uma enorme actualidade análise de Chomsky. Que ao menos sirva para estarmos mais atentos ao que se está a passar e ao que subliminarmente nos tentam vender. Por isso, mesmo que sendo a lista um pouco extensa, aí fica. Quem pensa a política como “arte do governo da cidade e dos seus cidadãos” não pode passar ao lado da análise do autor americano, um bom ponto de partida para pensar “política.
E para nós. portugueses, até parece um bom fato de pronto a vestir.
Vamos então às estratégias.
1.- A  estratégia da distração:
O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas.
A      técnica é a do dilúvio ou inundação de connuas distrações e de informações sem importância.
A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir ao público interessar- se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibertica.
Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, atraída por temas sem importância real.
Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar.
(Citação do texto Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
2.Criar problemas e depois oferecer soluções:
Este método tamm é chamado: “problema--> reação--> solução
Cria-se um problema, uma “situação prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o suplicante das medidas que se deseja fazer aceitar.,
Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o requerente de leis de segurança e políticas, em prejuízo da liberdade.  Ou tamm:
Criar uma crise económica para que o povo aceite como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.
3. A      estratégia da gradualidade:
Para fazer que se aceite uma medida inadmissível, basta a aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, num prazo alargado. Dessa forma, as novas condições impostas, as mudanças radicais são aceites sem provocar revoltas.
4. A  estratégia do adiar:
Outra maneira de provocar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro que um sacrifício imediato.
- Primeiro, porque o esforço o é imediato.
- Segundo, porque a massa, ingenuamente crê que amanhã tudo i melhor” e que o sacrifício exigido pode ser evitado.
Isto dá mais tempo ao cidadão para se acostumar à ideia da mudança e de a aceitar com resignação quando chegar o momento.
5.Dirigir-se apúblico como a criaturas de pouca idade:
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoações particularmente infantis, muitas vezes a roçar a debilidade, como se o espectador fosse uma criança ou um deficiente mental. Quanto mais se tente procurar enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantil.
Porquê?
Porque dirigir-se a uma pessoa como se tivesse 12 anos ou menos, tenderá, por sugestão, a provocar respostas ou reações mais infantis e desprovidas de sentido crítico”.

6.Utilizar o aspecto emocional muito mais que a reflexão:
 Fazer uso do aspecto é uma técnica clássica para curto-circuitar a análise racional, e neutralizar o sentido crítico dos indivíduos.
Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, oinduzir determinados comportamentos.
7. Manter o povo na ignorância e na mediocridade:
Fazer com que o público seja incapaz de compreender a tecnologia e métodos utilizados para seu controlo e escravidão.
A qualidade deducação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distancia entre    estas e  as classes altas permaneça inalterada no tempo e seja impossível alcaar uma autêntica igualdade de oportunidadepara todos.
8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade:
Fazer crer ao povo que está na moda a vulgaridade, a incultura, o ser  mal falado ou admirar personagens sem talento ou mérito algum, o desprezpelo intelectual, o exagero do  culto ao corpo e a desvalorização do espírito de sacrifício e do esforço pessoal.

9. Reforçar o sentimento de culpa pessoal:
Fazer crer ao individuo que ele é o único culpado de sua própria desgraça, por insuficiência de inteligência, de capacidade, de preparacão ou de esfoo. Assim, em lugar de se revoltar contra o sistema económico e social, o indivíduo desvaloriza-se, culpa-se, gerando em si um estado depressivo, que inibe a sua capacidade de reagir.

E sem reação, o have revolução.

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles    mesmos se conhecem.

Nos últimos 50 anos, os avanços da ciência geraram uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles utilizados pelas elites dominantes.
Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o Sistema tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma sica como psicológica.
O Sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele se conhece a si. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um maior controlo e poder sobre os indivíduos, superior ao que pensam que realmente tem.
(Lista recolhida de um trabalho de José Mauro Rodrigues)