'Por favor, troika, não!...', gritou Vítor. Nesse momento, acordou




"Dê aí uma moedinha, 'sôr' Vítor!" Desde que o Governo dispensara os motoristas, medida enquadrada no vasto programa de rescisões na Administração Pública, a frase repetia-se, noite após noite. O arrumador, ex-motorista adstrito à Presidência do Conselho de Ministros, tinha escolhido precisamente aquela esquina, nas Olaias, para mostrar a sua capacidade de "empreendedorismo". Os motoristas constituíam o último grupo dos 100 mil funcionários públicos dispensados nesse ano. As viaturas oficiais eram, agora, uma frota de Smarts, conduzidas pelos próprios titulares. Para além de disponibilidade para trabalhar ao fim de semana, dinamismo e espírito de iniciativa (com admissão imediata), ter carta de condução passara a ser uma exigência para alguém se tornar membro do Governo. Desde então, Vítor sempre execrou o novo-riquismo do grupo parlamentar do PS, que se pavoneava no seu reluzente Clio cinzento, extravagantemente adquirido no mercado de usados. Carlos Zorrinho chegava a ir acelerar, de propósito, para a Gomes Teixeira, só para criticar o "miserabilismo do Governo". E, fazendo guinchar os pneus, era ouvi-lo bradar para um atarantado Álvaro Santos Pereira, encolhido dentro do seu Smart amarelo, da cor do pastel de nata: "Sai da frente, ó palhaço!"
O Natal de 2012 foi duro. Subitamente, deixara de se ouvir o ressonar vindo do Palácio de Belém. O mau presságio foi confirmado pelo veto presidencial do Orçamento. Passos desistiu de se demitir, depois de perceber que não tinha emprego cá fora. Ângelo Correia andava esquivo e não lhe atendia os telefonemas. Miguel Relvas ainda se ofereceu para lhe arranjar qualquer coisinha em Angola, mas o PM recusava tornar-se retornado naquele país. Paulo Portas (que, para evitar ser remodelado, andava, agora, a tirar a carta...) prometeu que o deputado João Almeida apresentaria ao ministro das Finanças, em poucos dias, um segundo Orçamento "de chave na mão". Os acontecimentos precipitaram-se: Passos Coelho prestou contas ao Conselho Nacional do seu partido, queixando-se de que "a voz do PSD não tinha sido ouvida" e afiançando que a situação "não se repetiria da próxima". 
A Consoada de 2013 ameaçava ser ainda pior. Era difícil chegar ao bacalhau, com o modesto ordenado de ministro: 495 euros e 35 cêntimos, mais senhas de refeição. Valia aos governantes o facto de poderem receber na moeda antiga - as folhas de ordenado tinham passado a ser processadas em Berlim - e não em escudos, como as da generalidade dos portugueses. (A entrega do OE ao CDS tivera as suas consequências...) Em finais de janeiro, um tabloide insinuou que o ministro Relvas fora apanhado a vender euros no mercado negro, depois de gorado o negócio em que o sr. Efromovich prometera fornecer a despensa do ministro com as sobras do catering da TAP.
Vítor abriu o porta-moedas de carneira, comprado na loja do chinês instalada nas arcadas do piso térreo do Ministério, e tirou uma moeda de cinco cêntimos. Afinal, era Natal. Pelo câmbio atual, aquilo valia para cima de 100 mil réis e dava para um pacote de cartão de vinho, dos pequenos, para a ceia do pobre homem. Na mesa da Consoada de Vítor havia uma cebola crua, às rodelas, e um copo de água, para amenizar o sal da sarda cozida com batatas. Mas, de um canto, saltaram três figuras, vestidas de Pai Natal. Uma delas levou-lhe a cebola. A outra a água. E a outra o peixe. "Por favor, troika, não!...", gritou Vítor. Nesse momento, acordou.
Olhou em redor, a transpirar. O telemóvel marcava: Ter 25-12-2012  4:22. Não voltou a adormecer. Pesadelo por pesadelo, o melhor era entreter-se a fazer umas contas.



A leitura de Passos



No carro onde se deslocou, na sexta-feira, ao Museu Nacional Machado de Castro em Coimbra, o primeiro-ministro tinha um livro sobre Salazar. 
Público | Manuel Carvalho | 29 dezembro 2012



Num instantâneo captado pelo fotojornalista Luís Carregã, surge uma revelação: o primeiro-      ministro anda às voltas com a História e preocupa-se em particular com os anos de afirmação e consolidação do Estado Novo.

Não se sabe se foi prenda do Pai Natal, uma recomendação dos assessores ou um impulso pessoal, certo é que o estudo dessa época em que se instituiu a “ditadura das Finanças” não casa particularmente bem com os tempos actuais. Ou casa? 
O livro A Diplomacia de Salazar, de Bernando Futscher Pereira, compreende o período entre 1932, quando Salazar assume a presidência do Conselho, e 1949, quando, contra muitas expectativas da oposição democrática, o regime consegue a legitimação internacional ao ser aceite na NATO. Nesse período que começa quando as ditaduras se impuseram sobre os escombros da crise financeira de 1929, Portugal teve de se confrontar com a Guerra Civil da Espanha e com a II Guerra Mundial. Em ambos os casos foi capaz de se manter longe dos conflitos, ou, ao menos, de não se tornar actor de primeiro ou segundo plano.
Que um primeiro-ministro goste de ler é boa notícia. Que se interesse em particular pela leitura de obras da História contemporânea de Portugal é ainda melhor notícia. Na análise das estratégias diplomáticas de Salazar nos terríveis anos de 1930 e 1940 talvez Passos Coelho aprenda alguma coisa com a hábil gestão dos assuntos externos que conseguiram manter Portugal numa situação de equilíbrio precário quando a Espanha e a Europa se exauriam em conflitos. Talvez aprenda que o remédio aplicado internamente, o da pobreza honrada (tenham orgulho da austeridade, disse Passos no Facebook), só poderá gerar uma sociedade abúlica e dependente como a que saiu do salazarismo.
Quanto aos brutais métodos repressivos dos primeiros anos do ditador, estejamos descansados: se outros méritos Passos não tiver, reconheça-se ao menos que é um político tolerante, um governante que sabe conviver com a crítica e as liberdades democráticas.

Para memória futura: PSD e CDS extinguiram 1147 freguesias!


A maioria, PSD e CDS, e o governo cumpriram no dia 21 de dezembro mais um capítulo da sua saga de ataque às freguesias, ao poder local e ao interior. Não aconteceu a prevista extinção do mundo, programada para esse dia, mas aconteceu a extinção de muitos dos nossos mundos.
Em todo o país foram extintas 1147 freguesias, 1147 mundos de tantos de nós. Não estou a ser nostálgico, a ser passadista, a ser conservador. Estou tão só a deixar brotar as palavras, a deixá-las encaixar-se num texto que quero que seja para memória futura e de memória para mim. Um texto que amanhã me permita perceber o que se passou neste funesto hoje, neste ontem. Um texto que me faça ter e sentir a memória perante o esquecimento que muitas vezes assola os poderes.
E o mais grave é que esta foi uma extinção porque sim. Não houve critérios que sustentassem esta deriva de encerramento do interior para além de um critério matemático, percentual.
No caso concreto do distrito de Viseu teremos, no futuro, menos 95 freguesias. Tínhamos 372, passaremos para 277. E, quer queiramos quer não, vamos ficar muito mais pobres nas relações de proximidade que sempre têm que existir entre o estado e as populações. É que entre o estado, sempre com tendências centralistas e macrocéfalas, e as populações, sempre indefesas, há um enorme desequilíbrio. E esse desequilíbrio fica muito mais evidenciado quando os detentores do mandato que o povo lhes conferiu exorbitam dele, por matriz filosófica e ideológica ou por mera gestão de conjunturas.
Quem perde é sempre o elo mais fraco, é sempre o povo. E, porventura, pior que uma derrota é o corrompimento da necessária confiança que tem que circular pelas veias do sistema da democracia representativa.
O PS votou contra esta extinção de 1147 freguesias. Não porque não entenda que os novos tempos não trazem novos desafios para as organizações de base territorial, mas porque estas reduções sem critérios legitimados na radicalidade da essência democrática, são péssimos exemplos de exercício do poder.
Verdadeiramente o que está em jogo, nesta como noutras medidas políticas destes últimos meses, é a sobrevivência do interior, desta nossa terra, rica e farta sempre, porque por mais ataques que lhe façam em qualquer dia de solstício de inverno há uma coisa que nunca lhe farão, na linha de Aquilino, nunca lhe corromperão a dignidade e a alma.
Acácio Pinto
Diário de Viseu | Jornal do Douro

Lembram-se de Obama no discurso que fez por ocasião do recente ataque à escola em Newtown que provocou a morte de 26 pessoas, das quais 20 eram crianças? Não me refiro ao discurso emocionado, ao repetido "you're not alone", mas ao abraço que deu a quem se cruzou a caminho do púlpito. Este gesto, num momento triste, como o abraço, mais um, que deu à mulher, registado na fotografia divulgada logo após a vitória nas eleições, num momento de alegria, pretendem mostrar, com êxito, a imagem de um homem sensível, enfim, de uma pessoa como qualquer um de nós.

Pois é disto que Passos Coelho precisa, de um pouco de Obama. Neste Natal, o primeiro-ministro português ensaiou, depois de ano e meio de absoluta austeridade, o seu lado sensível. Primeiro, na mensagem oficial, transmitida na RTP no dia de Natal, falou de otimismo, de não esquecer os mais pobres, de reformados, emigrantes e desempregados. Depois, no dia seguinte, pretendeu mais ainda, ser só o Pedro, o marido de Laura, mostrar compreensão e que pensa todos os dias nos que estão a sofrer. 

Mas, mais uma vez, Passos não conseguiu tocar no coração dos portugueses - são cada vez menos os que o querem ver ou ouvir, conforme mostram as audiências. Agora já é tarde, o primeiro-ministro já não conseguirá reaproximar-se do país, dos mesmos que se inspiram com as imagens de Obama. E este pode não parecer, mas é um grande problema para Passos Coelho, para qualquer um que queira ser líder. Os portugueses há muito que deixaram de seguir o primeiro-ministro e, por isso, não há palavras, por mais genuínas, que atenuem, por pouco que seja, a austeridade de Passos e Gaspar.



Pedimos um Portugal melhor ...


Carta de Natal dirigida ao primeiro ministro em nome de todos os jovens portugueses. O que pedimos neste

 Natal é um Portugal melhor! 




Haja humildade no ministério da educação!


Foram recentemente divulgados os resultados de estudos internacionais que revelam as tendências no ensino da Matemática e das Ciências (TIMSS) e os progressos de Leitura e Literacia (PIRLS) e neles se refletem os resultados e a evolução em cerca de 50 países, entre os quais Portugal, a nível do 4º ano de escolaridade.
Portugal tinha participado no TIMSS em 1995 e década e meia depois, em 2011, fica bem patente a evolução do seu desempenho.
Quer no domínio da matemática, quer no domínio das ciências, Portugal fica em posições muito positivas (15º e 19º, respetivamente), entre os 50 países participantes, sendo mesmo o país em que a progressão positiva dos resultados, relativamente a 1995, mais se acentuou.
E se nos centrarmos só no universo de países da União Europeia, então Portugal fica em 7º e 12. Lugar.
A nível do PIRLS, que incide na competência de leitura, foi a primeira vez que Portugal participou e ficou em 19.º lugar entre 45 países participantes, e em 8.º se tomarmos em conta os países da União Europeia.
Ou seja, há duas coisas, pelo menos, que estes resultados mostram: i) que Portugal fez um trajeto verdadeiramente notável ao longo destes 15 anos, subindo da cauda das comparações internacionais para o pelotão dos países que partilham a mesma modernidade política, cultural e económica e que olham para a educação como instrumento de cidadania e prosperidade; ii) que a introdução do exame no 4º ano, levada a cabo por este governo, estava longe de ser uma necessidade pedagógica como se vê pelos resultados.
Se a estes dois estudos internacionais adicionarmos o estudo PISA verificamos que Portugal estava a fazer um caminho seguro e com políticas corretas na educação. E podemos mesmo acrescentar que países, apontados pelo atual governo como inspiradores das suas políticas, como a Alemanha e a Suécia, ficam atrás de Portugal o que não deixa de ser um indicador curioso.
O que se esperava era que no ministério da educação se soubessem ler estes resultados com orgulho para Portugal e não com uma ponta de “inveja”, como aconteceu com a nota emitida pelo gabinete de Nuno Crato, onde se desvalorizavam os resultados.
Não fica bem esta sobranceria política por parte de um ministério que, ainda por cima, tem um cientista investido nas funções de ministro.
NOTA: Aproveito esta oportunidade para desejar a todos um FELIZ NATAL.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

A EDUCAÇÃO ESTÁ NA MIRA DA PRIVATIZAÇÃO!


A escolaridade pública gratuita está ameaçada. E se os indícios eram todos de grande preocupação face às medidas que Nuno Crato tem vindo a tomar, de elitização e de seletividade, para a escola pública, agora não restam dúvidas sobre as verdadeiras intenções do atual governo.
Foi pela voz de Passos Coelho, numa sua recente entrevista a uma televisão, que ficámos a saber que temos que repensar o financiamento da educação. Disse mesmo que “temos uma Constituição que trata o esforço do lado da educação de modo diferente do da saúde. Isso dá-nos alguma margem de liberdade na área da educação para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre o que pagam os cidadãos e a parte fiscal, que é paga pelo Estado”.
Ou seja, o governo está a preparar o fim da gratuitidade da escolaridade obrigatória. Os copagamentos na educação estão a caminho.
Porém, face às onde de choque desta declaração, Nuno Crato, primeiro e Passos Coelho, depois, vieram a terreiro dizer que não havia sido dito aquilo que todos tinham percebido que foi realmente dito.
E se dúvidas existissem, bastar-nos-ia ler textos de Passos Coelho de 2010, para perceber qual o seu pensamento nesta matéria. Senão vejamos as suas ideias de há dois anos atrás: “É indispensável organizar um ambicioso programa de combate aos desperdícios nas políticas públicas mais pesadas, como são a Saúde e a Educação, fundadas na melhoria da nova gestão pública, no incentivo à livre escolha e na introdução de copagamentos pelos serviços prestados, com salvaguarda dos mais desfavorecidos”.
Portanto, a linha está traçada. O rumo está definido e o ataque à escola pública está aí, para prosseguir.
Aliás, não foi por acaso que a primeira medida deste governo nesta matéria (portaria 277/2011 com efeitos a 1 de setembro de 2011) foi a de aumentar o financiamento das turmas dos colégios com contrato de associação que passou de 80.080 euros para 85.288 euros por turma. E o mais grave de tudo isto é que nos estamos a confrontar com situações de sobreposições na rede escolar, ou seja, são as próprias comunidades a dizer que há capacidade na escola pública para receber os alunos, mas mantêm-se as mesmas turmas no privado.
Ou seja, os dados começam todos a bater certo e o puzzle começa a encaixar. E encaixa ainda mais se falarmos em cheque-ensino, em liberdade de escolha e em rankings. Tudo conceitos que têm sido trazidos para o debate político nos últimos tempos com um único objetivo: o de criar um corpus sustentador para as decisões de “privatização” da educação que está na matriz neoliberal deste governo.
Com base na carta dos direitos fundamentais, na constituição da república portuguesa e sabendo do contributo da educação para a equidade entre os cidadãos o PS opor-se-á a esta deriva irracional de copagamento da escolaridade obrigatória.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

Natal: A Troca do Bacalhau pela “Salsicha Alemã”



Como sempre, e apesar da crise instalada no país, o Natal chega a Portugal quase 2 meses antes do previsto.
            Grande alarido, grandes publicidades, como se nada estivesse a acontecer, o incentivo ao consumismo é uma arte milenar que parece ser imune à crise.
            Mas na verdade este nem é o maior mal que assola o país neste momento. O grande mal é o quebrar da tradição do Bacalhau, que parece definitivamente esquecido para ser trocado pela poderosa “Salsicha Alemã”.
            Portugal, apesar de ser um país cenário, com tradições enraizadas na sua alma, parece não conseguir resistir à poderosa máquina de marketing alemã. Se não vejamos:
            Em pouco mais de 3 anos e devido a “gestores” pouco patriotas, “gestores” que trocaram o bom bacalhau por uma ementa de origem duvidosa e que prejudica gravemente a saúde de todos os portugueses.
            A ementa é servida em pequenas doses, para manter o apetite aberto para mais mudanças no sabor.
            Neste caso e contrariamente ao que diz ditado, “o cliente tem sempre razão”, a ementa não é escolhida por nós e ainda temos de comer tudo direitinho porque, caso contrário, não comemos o restante.
            Visivelmente a máquina de propaganda está a destruir a velha tradição, felizmente ou infelizmente os portugueses parecem assistir a tudo isto serenos e pacíficos.
            Porém, existem outros países que estão na mesma situação, ou talvez pior, como é o caso da Grécia que apesar de comer a “Salsicha Alemã”, consegue não comer tudo, brincar, e deixar no canto. O engraçado é que mesmo assim recebem mais e mais variedades de ementa.
            Não sei se é uma questão de discriminação ou simplesmente a inutilidade dos seus “gestores ” ser menor que a dos nossos, mas uma coisa a certa: - ser bom “aluno” não é mais-valia.
            A indústria alimentar alemã parece ter aprendido que com a estratégia violenta de marketing 1914-1918 e 1939-1945, nada conseguem. Para quê ser violentos?… Quando se pode vencer pela gula.
            Mas como bons portugueses que somos, vamos continuar a ver o lado positivo. Pelo menos ainda temos ementa… Vamos ver até quando.
Um feliz natal para todos.

ESTE ORÇAMENTO É UM TORMENTO


1. Assim como o crescimento eterno não existe, também a austeridade perpétua está condenada ao fracasso. E se isto parece elementar para qualquer pessoa dotada de um mínimo de bom senso, tal não se passa, porém, na mente desses políticos iluminados que nos governam, nomeadamente, Passos, Portas e Gaspar, para quem o erro nunca é seu nem das suas políticas mas da realidade.
São muitos, quase todos, e vindos de todos os quadrantes, da política à economia, das empresas às universidades, aqueles que hoje se insurgem contra as medidas que têm vindo a ser seguidas por este governo e que são amplificadas e muito no orçamento para 2013, aprovado na Assembleia da República pelo PSD e pelo CDS.
O PS votou contra e podemos dizer que fez o que devia, porém, os seus votos conjuntamente com todos os outros que votaram contra não chegaram para rejeitar este documento nocivo para Portugal e para os portugueses.
Resta-nos continuar. Continuar a lutar todos os dias e a propor medidas alternativas a esta austeridade cega destes eurocratas "merkelizados". Continuar a lutar em favor de todos quantos em 2013 verão a sua vida com menos rendimentos, com menos empregos, com menos qualidade.
António José Seguro disse a este propósito durante a discussão do OE 2013: «Não existe uma segunda oportunidade para votar este orçamento, nem há margens para enganos, muito menos para voltar ao início. Não há lugar a desculpas nem álibis. Este é um dia sem regresso, onde cada um de nós parte acompanhado com a responsabilidade do nosso voto.»
2. Participei, esta semana, numa sessão do parlamento dos jovens na escola básica general Serpa Pinto, de Cinfães, em que o tema era “ultrapassar a crise”.
E não resisto em partilhar aqui muitas das ideias que surgiram dos alunos do 3º ciclo participantes neste programa que visa motivar a participação cívica e democrática dos alunos.
Do cultivo de terrenos agrícolas abandonados à limpeza das florestas, do incremento do setor turístico ao aumento das exportações de produtos com forte componente de matéria-prima portuguesa, do combate à corrupção ao apoio às pequenas e médias empresas através da redução de impostos, da criação de empregos para os jovens formados em Portugal à forte taxação dos rendimentos mais elevados, foram, entre muitas outras, medidas que os alunos apresentaram para ajudar a ultrapassar a crise.
Concordo com os alunos e direi que esta é a linha justa em termos estratégicos, restando ao governo criar as medidas que lhe possam dar corpo. Só um governo isolado e entrincheirado numa austeridade ilimitada poderá não escutar mais estas vozes, jovens mas assertivas.
Estas propostas irão estar em debate na comunidade escolar nas próximas semanas, esperemos que o governo as venha também a colocar em debate no país.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

O nº2


“Paulo Portas, como principal dirigente de um dos dois partidos da coligação, devia manifestamente ser primeiro-ministro, um cargo que não deixaria dúvidas sobre a sua importância e participação nas decisões fundamentais do Governo. A desenvoltura com que Passos Coelho e Vítor Gaspar o tratam  e tratam o CDS levará tarde ou cedo a um rompimento acrimonioso.”
Vasco Pulido Valente | Público | 


Governo está a matar o interior!


O governo terá a firme oposição do partido socialista, mas também das populações, para este feroz ataque que está a ser desferido contra todo o país, mas de uma forma especial contra o interior de Portugal e que este orçamento ainda mais vem agravar.
Centremo-nos na nossa região onde esta questão é uma evidência que atravessa todas as áreas da governação.
Então vejamos.
Nas autarquias, é incompreensível a extinção de freguesias que este governo está a levar a cabo rompendo, de uma forma unilateral e cega, a relação de proximidade que as freguesias, nomeadamente as mais rurais e de interior, estabelecem com as populações sendo mesmo o primeiro elo do estado para a resolução dos seus problemas.
Na saúde, o governo não dá resposta para a falta de médicos de família nos centros de saúde atingindo-se a situação inadmissível de termos concelhos com mais de 50% da sua população a descoberto de médicos. Igualmente não encontramos qualquer resposta para os doentes do foro oncológico uma vez que este governo, em funções há dezassete meses, ainda não avançou com a construção do centro de oncologia no hospital de Viseu cujo projeto o governo anterior deixou concluído.
Nas acessibilidades o que sabemos é que nenhuma avançará pese embora o facto de alguns dos atuais governantes naturais da região, à época deputados, terem enchido a boca com a exigência das mesmas para “ontem”.
Na dinamização da economia e nos apoios às empresas que assumem o risco e o mérito de se fixarem no interior aquilo que foi a primeira medida deste governo foi a de terminar com os incentivos fiscais de que estas dispunham em sede de IRC e a do aumento do IVA da restauração.
Nas florestas, é inadmissível esta deriva do governo de querer permitir transformar o país num eucaliptal sem controlo o que é uma séria ameaça ao equilíbrio ecológico e à agricultura.
Na educação, a seletividade que perpassa pelas medidas do governo não pode ter o nosso acolhimento. Seja no aumento do número de alunos por turma, seja no encaminhamento precoce de alunos para vias vocacionais, seja na impossibilidade prática de aceder ao ensino recorrente, seja no estreitamento do currículo.
Na segurança social não podemos compactuar com a opção assistencialista deste governo, com o ataque aos rendimentos dos pensionistas e reformados e com a falência, em curso, de todo o sistema de segurança social.
Poderíamos continuar com outras inventariações, porventura até mais enfáticas, pensamos porém que estas traduzem bem a incompetência e a mentira deste governo que se rendeu a ser o longamanus de Merkel e dos interesses dos negócios e da finança.
Não contem com o PS para este assassinato do interior que está a ser perpetrado pelo PSD, pelo CDS e pelo governo.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

O Surrealismo chegou ao Governo


Compromisso anteriormente assumido para a mesma hora fez com que não estivesse disponível para ver entrevista de ontem de Passos Coelho à TVI. Provavelmente, mesmo que estivesse completamente disponível, talvez não visse na mesma, pois não seria de esperar algo de novo ou inovador que pudesse dar alguma esperança aos portugueses.

Mas talvez a curiosidade que ver se havia algo que me conseguisse fazer entender como os falhanços em todas as metas de consolidação orçamental que o Governo tem vindo a estabelecer, os falhanços abismais nas previsões de arrecadação das receitas fiscais, o falhanço na previsão da evolução do desemprego (esse sim a subir, infelizmente, muito mais que as previsões do Governo para mal do País), etc, etc, podem ser considerados um enorme sucesso do nosso programa de ajustamento como tinha sido dito na discussão do Orçamento de Estado.

Os canais de notícias deram a possibilidade de ver e ouvir alguns extractos da entrevista e num deles o que me pareceu ouvir deixou-me incrédulo e a pensar que teria ouvido bem. As notícias on-line da manhã de hoje vieram, afinal, confirmar que tinha mesmo ouvido bem.

Passos Coelho, Primeiro Ministro, primeiro responsável pela política do Governo e pela sua coesão, alma gémea do Ministro das Finanças disse mesmo esperar que "todo o Governo acredite no orçamento", avisando: "Se assim não for, o país está mal."
Com as minhas desculpas aos artistas surrealistas esta é mesmo uma posição do inconsciente com basse na figuação do irreal.

Pasme-se. Como é possível haver um Governo em que o próprio Primeiro- Ministro, que tem o poder de escolher e demitir os ministros, não tem a certeza de que todos os mesmos ministros ( e decerto também os Secretários de Estado) acreditem no Orçamento que foi aprovado por eles. Ou será que não foi e orçamento é apenas aquilo que o Ministro das Finanças, que no dizer de um Humorista da nossa praça fala assim devagarinho porque está a fazer tradução simultânea daquilo que a Sra. Merkel lhe diz, e o Primeiro Ministro querem? Como é possível esta versão verdadeiramente surrealista de coesão do Governo e de articulação dos ministérios e das suas políticas? Que ideia se transmite ao País, aos agentes económicos e aos nossos credores, com quem Passos Coelho se mostra tão preocupado.

Como é possível tanta impreparação política e arrogância ignorante associada?

Será que alguém nos pode tirar deste filme?

Fica o link para o diário económico para os interessados

http://economico.sapo.pt/noticias/espero-que-todo-o-governo-acredite-neste-orcamento_157347.html

Carta aberta de 78 personalidades contra a política do Governo


Carta aberta a Passos Coelho, subscrita por 70 personalidades, que denuncia as consequências da política seguida pelo Governo e declara: “O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo”.



Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,


Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.
À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.
O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.
Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.
Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.
Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.
Perdeu-se toda e qualquer esperança.
No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.
O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.
A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.
Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.
É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.
PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.



Lisboa, 29 de Novembro de 2012



MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)
ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)
ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS (Jornalista)
ANDRÉ LETRIA (Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE (Sindicalista)
CESÁRIO BORGA (Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)
DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)
FERNANDO GOMES (Sindicalista)
FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES (Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO (Médico)
INES DE MEDEIROS (Deputada)
INÊS PEDROSA (Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO (Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR (Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA (Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar Reformado)
MANUELA MORGADO (Economista)
MARGARIDA LAGARTO (Pintora)
MARIA BELO (Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA (Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES (Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA (Músico)
PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO (Jornalista)
SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE (Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista) - que assina por si e em representação de todos os signatários)



Teimosia tem limites!


Não fossem os próprios e poderíamos afirmar que estamos perante uma unanimidade no país sobre os malefícios deste governo para a saúde de Portugal e dos portugueses.
Agora foi a vez de Freitas do Amaral também falar. Falou e disse de sua justiça. Disse que mais cedo do que tarde os portugueses irão ser chamados a pronunciarem-se sobre o programa de austeridade que este governo está a protagonizar e que entre o quarto e o nono mês de 2013 haverá eleições.
Ou seja, só mesmo Passos, Portas e Gaspar acreditam nesta medicação.
Para além de Freitas já outros comentadores, analistas e ex-governantes de direita haviam dito o mesmo, quiçá, de forma mais violenta ainda.
O tempo é pois de uma mudança radical de rumo. E como este governo e estes governantes estão a fazer de conta e, entretanto, estão a aproveitar o tempo para concluírem a sua listagem de negócios que, verdadeiramente, desde sempre os mobilizou, não restarão dúvidas, e eles sabem-no, que serão apeados brevemente. A sua preocupação é só uma, neste momento, fazê-lo com os menores custos políticos.
Ninguém pode mais acreditar num governo que pagou os subsídios aos membros dos seus gabinetes quando para os restantes portugueses tal não aconteceu.
Ninguém pode mais continuar a apoiar os silêncios do primeiro-ministro nas reuniões das instâncias europeias, qual aluno bem-mandado por uma professora alemã (que não confundimos com o povo alemão) teimosamente incompetente e às ordens dos interesses financeiros.
Ninguém pode mais aturar previsões que não duram mais do que, quando muito, uma semana seja no défice, seja no desemprego, seja na dívida pública, atribuindo-se a culpa para tal fracasso não à medicação mas ao doente.
Ninguém pode mais desejar ter alguém no governo do seu país cuja única solução para os 39% de desemprego jovem é “emigrem” e para as empresas é “internacionalizem-se”.
Ou seja, estamos perante um governo que nunca teve uma ideia global para o país, uma estratégia concreta para a economia e para o emprego e que se sustentou, para ganhar eleições e para derrubar o governo anterior, numa enorme mentira, numa farsa de que já não consegue descolar.
E o descalabro da sua governação, que foi só sustentada nos negócios e na venda dos bens mais preciosos do país, é tal que lançaram o número de quatro mil milhões de euros como uma necessidade de corte no futuro orçamento e vai daí só lhes ocorreu uma solução, rever a constituição e cortar no estado social e, de preferência, com o apoio do PS.
Chegam tarde ao diálogo.
Acácio Pinto
Notícias de Não fossem os próprios e poderíamos afirmar que estamos perante uma unanimidade no país sobre os malefícios deste governo para a saúde de Portugal e dos portugueses.
Agora foi a vez de Freitas do Amaral também falar. Falou e disse de sua justiça. Disse que mais cedo do que tarde os portugueses irão ser chamados a pronunciarem-se sobre o programa de austeridade que este governo está a protagonizar e que entre o quarto e o nono mês de 2013 haverá eleições.
Ou seja, só mesmo Passos, Portas e Gaspar acreditam nesta medicação.
Para além de Freitas já outros comentadores, analistas e ex-governantes de direita haviam dito o mesmo, quiçá, de forma mais violenta ainda.
O tempo é pois de uma mudança radical de rumo. E como este governo e estes governantes estão a fazer de conta e, entretanto, estão a aproveitar o tempo para concluírem a sua listagem de negócios que, verdadeiramente, desde sempre os mobilizou, não restarão dúvidas, e eles sabem-no, que serão apeados brevemente. A sua preocupação é só uma, neste momento, fazê-lo com os menores custos políticos.
Ninguém pode mais acreditar num governo que pagou os subsídios aos membros dos seus gabinetes quando para os restantes portugueses tal não aconteceu.
Ninguém pode mais continuar a apoiar os silêncios do primeiro-ministro nas reuniões das instâncias europeias, qual aluno bem-mandado por uma professora alemã (que não confundimos com o povo alemão) teimosamente incompetente e às ordens dos interesses financeiros.
Ninguém pode mais aturar previsões que não duram mais do que, quando muito, uma semana seja no défice, seja no desemprego, seja na dívida pública, atribuindo-se a culpa para tal fracasso não à medicação mas ao doente.
Ninguém pode mais desejar ter alguém no governo do seu país cuja única solução para os 39% de desemprego jovem é “emigrem” e para as empresas é “internacionalizem-se”.
Ou seja, estamos perante um governo que nunca teve uma ideia global para o país, uma estratégia concreta para a economia e para o emprego e que se sustentou, para ganhar eleições e para derrubar o governo anterior, numa enorme mentira, numa farsa de que já não consegue descolar.
E o descalabro da sua governação, que foi só sustentada nos negócios e na venda dos bens mais preciosos do país, é tal que lançaram o número de quatro mil milhões de euros como uma necessidade de corte no futuro orçamento e vai daí só lhes ocorreu uma solução, rever a constituição e cortar no estado social e, de preferência, com o apoio do PS.
Chegam tarde ao diálogo.
Acácio Pinto
Notícias de Viseu & Jornal do Douro

EDUCAÇÃO: A FILHA DE UM DEUS MENOR!


A educação não é uma prioridade para este governo e o ministro Nuno Crato aceitou a encomenda do primeiro-ministro de triturar o serviço público de educação e a escola pública; todo o serviço público de educação do pré-escolar ao superior.
Percebemos bem, hoje, a metáfora de Nuno Crato de implosão da 5 de outubro. Ela afinal era o esmagamento da escola pública para todos e a fundação de uma escola pobre para pobres.
Todas as medidas, mas mesmo todas, nestes dezassete meses de governação de direita, são uma parte deste seu guião de retrocesso nos ganhos civilizacionais que efetuámos em Portugal nas últimas décadas. E que melhor prova para sustentar isto que foi o OE para 2012 e o OE para 2013?
No superior são os reitores e presidentes dos politécnicos que dizem que a meio do próximo ano não haverá dinheiro para assegurar o seu funcionamento.
No básico e secundário são as confederações nacionais de pais que falam em impossibilidade de mais cortes na educação, em tristeza nas escolas, em fome. Que falam em desrespeito pela deficiência e em escola elitista.
Mas são também as várias entidades, as várias instituições nacionais e internacionais (CNE e OCDE) a enfatizar o quão errado está o caminho que estamos a trilhar.
Sabem que temos que recuar a 2001 para encontrar valores (a preços correntes) de despesa na educação e ciência semelhantes aos propostos para 2013, na ordem dos 6 mil milhões de euros? Mas se descontarmos o efeito dos preços então teremos que recuar a 1997.
As funções do estado para a educação e ciência neste orçamento, inexequível, pesarão 4,0% do PIB em 2013: valores só comparáveis com o final da década de 80 (1989 e 1990) que eram de 3,8% do PIB.
E que dizer da falta de investimento na requalificação das escolas? Vá lá, naquelas escolas que tinham a obras e projetos a decorrer e que foram paradas e também naquelas cujos investimentos foram reclamados, por exemplo no distrito de Viseu, por atuais governantes.
Não restam dúvidas que a tendência, com este governo, é para tornar mais negro ainda este quadro. E direi até que não há falhas neste guião, há antes uma execução rigorosa. O governo sabe muito bem para onde quer ir e está meticulosamente a cumprir esse programa.
Creio que há cada vez mais profissionais da educação e portugueses que não o acompanharão nesse caminho e mais cedo do que tarde, dar-lhe-ão a resposta concreta.
Acácio Pinto
Jornal do Douro | Notícias de Viseu

Alemanha recusa a divulgação de um vídeo sobre Portugal


Um dia depois de ter sido recusada a divulgação do vídeo na Praça Sony de Berlim, e um dia antes da visita da chanceler Angela Merkel a Portugal, já pode ser visto o vídeo promocional de Portugal que foi impulsionado por Marcelo Rebelo de Sousa.




O vídeo pretende ser um apelo à solidariedade alemã para com Portugal, exemplificando com a solidariedade que Portugal e a Europa tiveram para com a Alemanha na altura da reunificação.
São ainda apresentados vários dados quanto à austeridade sobre Portugal e ao esforço que os portugueses têm sido obrigados a fazer nos últimos tempos.


Morrer não pode ser a solução para a saúde

Os problemas na área da saúde no distrito de Viseu são imensos. Para além dos problemas relacionados com o inadmissível aumento das taxas moderadoras que afetam todos os portugueses que têm que se deslocar a unidades de saúde, os viseenses estão confrontados com graves problemas concretos.
1. A falta de médicos é um problema que atinge todo o distrito mas que atingiu as raias do inadmissível no concelho de Tondela, onde há 15.000 utentes sem médico de família. Pessoas a ir para a porta dos centros de saúde de madrugada é vulgar no concelho e um pouco em todo o distrito. Degradante e indigno. Mas a falta de enfermeiros é também uma evidência.
E não fosse o empenhamento dos profissionais de saúde a questão atingiria as raias do escândalo, uma vez que o planeamento e a coordenação, da ARS centro e do governo, é inexistente.
2. Apesar da questão colocada pelos deputados do PS ao ministro da saúde o que é facto é que ainda não foi obtida resposta sobre o centro de radioterapia a construir no hospital de Viseu, cujo projeto o governo anterior deixou concluído e pronto a avançar.
Já lá vão dezassete meses de governação e o governo através do ministério da saúde não deu qualquer explicação para um problema grave que afeta os doentes oncológicos da região que têm que andar horas e horas, semanalmente, a ser transportados de ambulância para a radioterapia em Coimbra, pese embora a sua frágil situação de saúde.
3. O novo hospital de Lamego já deveria ter entrado em funcionamento há um ano atrás. Era isso que estava previsto no respetivo concurso. Porém, hoje, ainda não se sabe quando tal equipamento será colocado ao serviço das populações e mais, não se sabe o que se passa com as especialidades que para aquele hospital estão previstas. Para além disso as cirurgias têm vindo a ser colocadas em causa e não se conhece nenhuma posição concreta sobre toda a funcionalidade do hospital.
4. Para além de tudo isto são evidentes os problemas existentes a nível da entrada em funcionamento de unidades de saúde familiar, de contratualização com unidades de cuidados continuados já concluídas, afinal de subfinanciamento do serviço nacional de saúde.
O governo deve uma explicação aos portugueses em geral e aos viseenses em particular. Morrer não pode ser a solução para os problemas que afetam a saúde.
Acácio Pinto
Notícias de Viseu | Jornal do Douro