O Valor Económico da Língua Portuguesa

O Observatório da Língua Portuguesa reuniu-se em conferência no passado dia 29 de Novembro para discutir o valor económico da nossa língua.


Raramente (ou nunca) pensamos no valor económico de uma língua. Evocam-se rankings para tudo. Raramente (ou nunca) se evocam os rankings linguísticos. A indústria das línguas passa desapercebida aos olhos do cidadão comum. Esquecemo-nos com frequência que a nossa língua é falada por nove países espalhados pelo mundo, que é utilizada como língua materna, como segunda língua ou como língua estrangeira e nos diferentes meios e redes de comunicação à escala global.



Na referida conferência do OLP, José Paulo Esperança apresentou um estudo levado a cabo pelo ISCTE que será publicado nos próximos meses com o título “O Potencial Económico da Língua Portuguesa”.



Ficam aqui alguns dados avançado por Esperança e que merecem alguma reflexão:
- uma língua é um património tanto mais valioso quanto mais parceiros, mais utilizadores, ela tiver;
- o poder económico dos falantes de português representa 4% da riqueza mundial;
- de acordo com o barómetro de Calvet, o Português ocupa:
• a 5ª posição relativamente ao número de países com essa língua como língua oficial;
• a 7ª posição relativamente ao número de traduções: língua de destino;
• a 8ª posição relativamente ao número de artigos na Wikipédia;
• a 15ª posição relativamente ao número de prémios Nobel da Literatura;
• a 15ª posição relativamente ao número de traduções: língua de origem;
• a 31ª posição relativamente ao índice de desenvolvimento humano;
• a 32ª posição relativamente à taxa de penetração da Internet;
• a 91ª posição relativamente à taxa de fecundidade.
- o Português tem crescido enquanto língua de uso na Internet;
- o estudo feito chega à conclusão que, de acordo com a metodologia utilizada, a de Martín Municio, o valor do português representa, em Portugal, 17% do PIB;


Não sendo exaustiva, esta lista levanta o véu desse estudo e gera expectativas optimistas, nomeadamente, para os profissionais das línguas.



Esta discussão em torno do valor económico da língua portuguesa é obrigatória e transversal. Remete para temas como a emigração/imigração, a intercompreensão e, obviamente, o Acordo Ortográfico na sua perspectiva mais uniformizante e simplificadora.
Fiquemos atentos.



Ana B. Cabral
Linguista

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