Regressão



O definhar do projecto europeu, anunciado das mais diversas formas, sob várias correntes de opinião, ganha cada vez mais enfase e infelizmente está pendente de mais duas ou tres cimeiras e duma classe política que não vale nada...


26 anos volvidos de projecto Europeu, em que Portugal, Espanha e outros tantos que se lhes seguiram na adesão ao sonho Europeu, motivados pela Paz, pela dimensão do mercado único e dum projecto de unificação monetária e política, jazem hoje nas mãos da tecnocracia, impugnando governos, impondo austeridade e restrições ao crescimento da economia fazendo acreditar a populaça que a única forma de resolver os problemas do passado é estoirando com o Futuro.


Pois... E aparentemente funciona!
“As dividas são para pagar” e já!!! “Coisas de criança” como exasperadamente o histerismo da opinião publicada na forma como cultiva o ódio a Sócrates ou exorta ao linchamento político do Pedro Nuno Santos pela suposta irresponsabilidade quando disse internamente (e bem) quais os mecanismos de pressão que temos ao nosso dispor, levam-me a acreditar que a demência tomou conta dos mercados e das pessoas.
Se juntarmos o Medo, a ansiedade e a miopia de longo prazo com a austeridade e o confisco do Estado, custa-me perceber que futuro nos estará reservado.
Um PM que acredita na filosofia do “cada um por si”, falando em emigração para quem está a mais no país é um exemplo disso mesmo.


Ainda assim olhemos para a Europa – porque o nosso Futuro depende apenas destes – e entenda-se o tal percurso que foi feito.


Portugal entra na UE , e depois entra na Moeda Única o Euro.


Dizem-nos agora.....que os mecanismos não estavam perfeitos...., que é preciso mais integração europeia, mais políticas orçamentais comuns, mais políticas fiscais comuns e, a consequente perda de soberania.....
No meio deste processo encorajaram países como o nosso a endividarem-se em nome do progresso e melhoria das condições de vida.



Através duma estratégia ruinosa começada com Cavaco Silva e prolongada pelos governos posteriores, alicerçando a economia nacional na mão de obra barata como reforço para a competitividade, inundando com fundos e mais fundos, incentivando o desmantelamento da agricultura, da industria, preferindo uma “terceirização” da economia empurraram-nos para a lama onde hoje nos encontramos.



À custa desses dinheiros fizemos hospitais, estradas, barragens, escolas, tribunais, POLIS, EXPOS, EUROS2004 e tantas outras coisas que nos enchem de orgulho pela capacidade de organização, pelo que fazemos de bem e pelas melhorias que trouxe ao país!


Hoje exigem-nos o pagamento desses investimentos num horizonte temporal-quer queiramos quer não-impossivel de cumprir.



Com toda esta austeridade demoraremos 20 anos a cumprir as metas de Mastrich e com isso levaremos o país para o caos... ou seja, um país igual ao dos anos 70.



Só estuda quem tem dinheiro, só tem direito à saude quem tem dinheiro e coisas como a Educação e a Saúde – ESTADO SOCIAL (pilares vitais da democracia) deixam de ser importantes porque o país não os pode pagar.



Isto quer dizer que a democracia morreu, falhou... e com isso, tudo o que se criou de bom nos últimos anos.



Portugal venderá empresas públicas ao preço da “uva mijona”-algumas das quais representam sectores estratégicos para a soberania do país- uma vez que para o ano já não conta com o fundo de pensões da banca para tapar os buracos no orçamento de estado, e irá empurrar o seu povo para a pobreza.... mas será, simultaneamente, um dos melhores destinos turisticos do mundo para a prática de GOLF, a banda larga mais rápida da Europa, sistemas inovadores como a VIA Verde para andar nas auto-estradas vazias e mais caras da Europa e com os G’s todos possiveis nas telecomunicações.


Regredimos! Vivemos uma ilusão nos últimos 20 anos e agora temos que acordar em nome da DEBITOCRACIA!


Regredimos... mas com estilo!



Espero ansiosamente por uma aplicação para o Iphone para que possa perceber para que lado e como vamos tombar... de preferência 4G para estar na vanguarda!

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