A CRISE DO EURO ( I )



Já não reconhecemos esta Europa, hoje comandada por um directório Merkel­_Sarkosy a que ninguém consegue bater o pé. Longe vão os tempos dos princípios solidários entre Estados norteados pelos pais fundadores da Europa.




Gostaria de propor ao leitor, uma análise mais económica sobre as razões que explicam a grave crise que o Euro, a nossa moeda única, hoje atravessa e que pode colocar em causa a sua continuidade. Comecemos por um facto mensurável, as instituições e os mecanismos de governação do Euro foram desenhados sobre teorias económicas que apenas funcionam em períodos de prosperidade e que dificilmente ultrapassam crises tão graves como aquela que hoje vivemos. O problema Europeu não é apenas de ordem financeira, mas sobretudo de ordem económica derivado de um bloqueio que impede a aplicação de instrumentos de ordem macroeconómica necessários para resolver crises desta natureza.




A experiência que a Grande Depressão dos anos 30, nos EUA, nos deixou foi a de que os governos não devem tentar equilibrar o seu saldo orçamental (corrigir o défice) quando a economia ameaça entrar em colapso. Esta experiência parece fazer pouco sentido para a actual orientação de política europeia, profundamente empenhada na correcção dos seus saldos orçamentais.




Em períodos de crise, em particular, com estas características, o Banco Central deve baixar as taxas de juro, injectar liquidez no sistema bancário, e assegurar o bom funcionamento do mercado monetário interbancário. O BCE tem-no feito de alguma forma. Mas também sabemos que a política monetária, comandada pelo Banco Central Europeu, não é suficiente para resolver o problema. Apesar das taxas de juro estarem muito baixas, o que em circunstâncias normais relançaria o investimento e o consumo, as empresas não só não investem, porque as expectativas futuras são más, como optam por fazer diminuir o seu endividamento. Assim, o Governo deveria, ao contrário das empresas, estar a “gastar dinheiro” contrariando a forte Recessão que nos espera.




É claro que o problema é não só cá como o é na grande parte dos países da Europa. A solução encontrada pela “governação europeia” tem sido a da inversão drástica da expansão orçamental no sentido de uma correcção muito agressiva e no curto prazo dos défices orçamentais, com o objectivo de restaurar a confiança dos investidores. Os resultados desta política antecipam-se desastrosos.




Na próxima semana deixo aqui algumas ideias para poderemos resolver este problema.




Alexandre Azevedo Pinto,
Economista

2 comentários:

  1. Gostei muito do artigo, vai muito de encontro à minha visão intuitiva de soluções para a saída da crise.
    Infelizmente, já não há políticos com a coragem de Franklin Roosevelt...
    Enquanto não fizermos frente à especulação dos mercados financeiros, eles farão sempre o que quiserem connosco. O problema é que esta crise é dos capitalistas, por isso mesmo não a conseguem resolver... Por isso mesmo é que é necessária uma decisão económica à esquerda, de intervenção na economia.

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  2. Obrigado Gonçalo. Estou de acordo contigo. Vou deixar passar mais uns dias e publicarei algumas notas sobre soluções, de esquerda, para uma eventual saída deste grave problema.

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