Uma Juventude, Um Sonho, Um Futuro em Viseu

Uma estrutura como a Concelhia de Viseu da JS não se pode restringir a analisar o concelho de Viseu como se este existisse isoladamente. Temos de reflectir sobre a situação actual do mundo, da Europa, do país e também do PS nesta fase de oposição.
A palavra “crise” está gasta, mas continua bem presente.
Os problemas dos jovens para além de aumentarem, tornam-se mais graves.
Está aí a geração que vai ter menos direitos e menos qualidade de vida do que a que a antecedeu, mas que ao mesmo tempo é a mais qualificada de sempre.
Está aí o mundo cada vez menos solidário, cheio de egoísmos nacionais e sem vontade de lembrar as origens da crise internacional como o desvario dos mercados financeiros em consequência da sua desregulamentação e liberalização.
Está aí a Europa apática, fraca, lenta e sem coragem e liderança políticas. As crises podem tornar-se oportunidades, mas só se demorarmos pouco tempo a sair delas. Como diz António José Seguro, a Europa tem permitido “a subjugação da política e das pessoas aos mercados” e “desistiu da cidadania europeia em favor de uma sociedade de mercado”.
Está aí o Orçamento de agenda recessiva que vai deixar os jovens apreensivos e sem perspectivas de futuro.
Está aí o Governo que não aposta no crescimento e na criação de emprego e que continua a culpar o Governo anterior para ganhar legitimidade para impor medidas bem para além das impostas pela Troika, entendendo que é só com austeridade que se sai da crise. São opções que mostram uma leitura errada do caminho para sair da mesma.
Está aí o PS na oposição e que certamente voltará a ser o referencial de esperança para os jovens, pela atitude construtiva e positiva que já evidencia. Rejeitando a crítica pela crítica, e propondo alternativas com responsabilidade. Tendo uma voz crítica sobre a Europa e identificando o que tem de ser feito em termos de políticas europeias. Esta nova forma de fazer política em Portugal já se sente e vai ganhar novamente o entusiasmo dos portugueses.
Em relação à JS, nós sempre soubemos identificar os problemas dos jovens, compreender as suas aspirações e identificar lutas comuns.
Sempre lutámos por isso pelo país inteiro. Agora, mais uma vez, sabemos analisar esta conjuntura tão difícil e tomamos uma atitude: estar ao lado dos jovens. Isso vai também sentir-se no nosso concelho.
No concelho de Viseu, a governação autárquica é assegurada há 22 anos pelo mesmo partido e pelo mesmo Presidente.
Este ciclo está a chegar ao fim. Um ciclo importante para Viseu, onde se fez muita obra, mas onde havia tempo para pôr em prática outro tipo de políticas.
Os desafios da JS nos próximos 2 anos são enormes. Os jovens desejam a sua emancipação, a sua autonomização, mas exigem oportunidades neste tempo de incertezas e anseios. E sabem que connosco dão voz à sua voz.
Temos de ser capazes de mostrar que nem tudo está mal em Viseu, mas que este concelho tem potencial que não está a ser aproveitado.
Temos de ser capazes de mostrar que, em vez de Viseu ser conhecida pelas rotundas ou pelos jardins, nós preferimos que seja conhecida pela Terra das Oportunidades, onde os jovens se querem fixar.
Ora isto só acontecerá se houver emprego (há quanto tempo não se instala ou cria em Viseu uma média ou grande empresa?).
Há quanto tempo Viseu vive numa aparente organização com dinamismo económico, mas que ao mesmo tempo vê as suas gerações mais jovens a abandoná-la?
Não somos só nós a dizer isto. Se visitarem, por exemplo, as zonas ou parques industriais e falarem com empresários, como nós fizemos, eles próprios reconhecem estas questões e sentem a urgente necessidade de uma política municipal de captação e atracção de investimento.
O mesmo acontece com a cultura, onde a Câmara Municipal se apodera de tudo o que são iniciativas culturais e de expressão artística com uma visão muito redutora. Não há espaço para qualquer tipo de empreendedorismo nesta actividade que também é económica por poder gerar riqueza e postos de trabalho, e que pode ser capaz de dar impulso a outros sectores de actividade.
O mesmo acontece com as freguesias. Se há 22 anos, a prioridade era levar o Rossio às aldeias, sente-se que houve algo nessa promessa que ficou pelo caminho. Não basta organizar viagens para os seniores. Não basta ir buscá-los para uma festa qualquer no Rossio. Não basta atribuir subsídios às Associações.
O mesmo acontece com o tipo de comportamento do executivo viseense para com outras Câmaras do nosso distrito. Se Viseu deve ser o pólo dinamizador desta região, se Viseu deve liderar pela sua identidade e importância histórica, deve também dar o exemplo com espírito de agregação. Não se pode optar por ficar neste cantinho, irritados com tudo e com todos, alegando qualquer coisa parecida como o ”orgulhosamente sós” ou “o segredo é alma do negócio”.
É portanto necessário outro tipo de apostas.
Este é o tempo de outro tipo de políticas. É o tempo de dar o passo em frente.
No entanto, só conseguiremos ser alternativa, se nos diferenciarmos. Se provarmos ao viseenses, que os ouvimos durante todos estes anos, que captámos as suas opiniões e os seus problemas, e que os conseguimos juntar num conjunto de propostas políticas deste tempo.
Este é um trabalho que tem vindo a ser feito. Ouvindo, registando, analisando e escolhendo a política certa a pôr em prática.
Os viseenses reconhecerão inevitavelmente esse trabalho, essas propostas e darão à esquerda democrática aquilo que há muito merece.
Em Viseu, há uma Juventude que, apesar da conjuntura adversa em termos nacionais e internacionais, quer cumprir um sonho e conquistar o Futuro.

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