Uma guerra estará assim tão longe ?


O referendo na Grécia trouxe à tona, além do suicídio politico de Papandreou, um problema que muitos consideram inatingível : a guerra civil.

Se olharmos para trás e analisarmos os motivos que levaram a guerras civis ao longo da Historia, facilmente percebemos que o requisito essencial para uma guerra não é a existência de revolucionários , mas - isso sim- a existência de descontentamento social generalizado. É o descontentamento que serve de alimento aos revolucionários e não o contrário.

Quem afirma que a guerra civil (ou uma mundial, por apenso) está longe de acontecer , prefere tentar acreditar no que diz do que ver o que não quer.

A nível internacional as coisas dificilmente poderiam ter tomado um rumo pior. A China há muito que remeteu a Europa para o museu das antiguidades e dali não virá um tostão. Outros países ainda não completamente afectados pela crise não querem tocar na Europa com medo de ser infectados. Para quem precisa de respostas pior que uma má decisão, só a indecisão. E de indecisão em indecisão caminhamos até aos juros finais.

É incomensurável exigir a uma economia , seja ela qual for, que pague 78% de juros (Portugal já paga 20%) como já foi exigido à Grécia. Está aos olhos de quem quiser ver que a Grécia atingir a falência não é uma questão de dinheiro, é de tempo.

Em Portugal a austeridade tem sido aceite de forma relativamente pacifica .É assim devido ao espírito do povo português dizem uns. Outros afirmam, categoricamente, que é assim porque a verdadeira austeridade ainda não chegou.

Obviamente que tais justificações não podem merecer o nosso acolhimento. A linha diferenciadora entre a solidariedade social e a guerra civil é tão ténue que o mais pequeno erro politico fará a destrinça . Portugal é , por natureza , um povo solidário, mas tal não equivale a povo parvo. A austeridade tem sido aceite porque tem havido uma certa igualdade na repartição dos sacrifícios a que subjaz uma cordialidade no parlamento.

O povo português não irá tolerar mais abusos de poder e favorecimentos pessoais. Não olhar para os erros do passado ou ignorá-los é tão português como a sardinha assada, mas se este Governo não perceber que o sol quando se põe é para todos , então caro leitor , uma guerra civil será inevitável.



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