O que é de Viseu* é bom!





O frio, a iluminação, as campanhas publicitárias…todos estes elementos contribuem para nos lembrar que o Natal está à porta.

Infelizmente, este Natal vai ser seguramente recordado por muitas famílias como um dos Natais mais difíceis de sempre. Não me preocupa a parte material da questão. Preocupa-me, sobretudo, que as mesas dos Portugueses possam ser afectadas por esta crise. Preocupa-me que o comércio e a indústria nacional possam ser afectados pela falta de liquidez e de poder de compra.

De acordo com um estudo publicado na última semana, 85% dos residentes na Região Centro utilizam o subsídio de Natal para comprar presentes. Não sei, mas gostaria de saber, a percentagem de inquiridos que utiliza este subsídio para igualmente adquirir os alimentos para a Ceia de Natal.

O corte no subsídio de Natal de muitos Portugueses vai seguramente transformar o Natal de 2011 e, consequentemente, afectar os rendimentos das empresas e comércio.

Sei que a Avenida da Liberdade vai continuar repleta de consumidores de produtos de luxo. Sei que Portugal será inundado por Cidadãos de Países emergentes para os quais é mais barato comprar cá do que lá. Acredito que em Janeiro e Fevereiro vamos continuar a ser brindados com notícias de que aumentou a venda de produtos, carros e residências de luxo. Sei disto tudo. Mas sei também que este é um sinal das desigualdades crescentes.

Em teoria, não sou apologista do “bairrismo proteccionista”. Porém, considero imperioso, neste momento difícil, que a consciência individual de cada um dê um empurrão ao que é nosso. Por isso, associando-me a uma onda colectiva que visa valorizar o que cá se produz, atrevo-me a deixar algumas sugestões para a quadra natalícia.

Sem me querer transformar num perito gastronómico, sugiro às refeições vitela à Lafões, rojões, rancho à moda de Viseu, cabrito da Gralheira, entrecosto com grelos e chouriço caseiro ou arroz de carqueja. Para acompanhar, um bom vinho do Dão. Para terminar, castanhas de ovos, pão-de-ló, pastéis de feijão, pastéis de Vouzela, Viriatos, maçãs de bravo de Esmolfe, queijo da Serra… Querem melhor “manjar”?

Renda de bilros, bordados de Tibaldinho, louças de Molelos, cestos, estanhos, móveis da Região, são opções de presentes de Natal que se encontram tão perto e, por vezes, tão longe da nossa imaginação.

Para quem tiver capacidade económica e uns dias de férias, por que não repousar nas Termas de Alcafache, de São Pedro do Sul ou do Carvalhal? Visitar Póvoa Dão ou a Quinta da Arroteia?

A proposta é simples: fazer de Viseu uma verdadeira Cidade Natal. Contar aos amigos e conhecidos as maravilhas turísticas, culturais e gastronómicas da Região. Promover o que é nosso e divulgá-lo aos quatro ventos.

Fazer do pequeno Comércio e da Rua Direita pólos de compras natalícios. Comprar, ajudando. Comprar o que é nosso! O que é de Viseu é bom!

Artigo publicado no Diário de Viseu

* Do Distrito de Viseu

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