A Era da Ciência e da Técnica









Hoje é o dia mundial da Ciência!

Definitivamente vivemos hoje a Era da Ciência e da Técnica. Nunca antes tantos esforços e tanta inteligência foram consagrados ao conhecimento, ao domínio da natureza e forcas naturais, nunca antes o homem teve em suas mãos tanto poderio e tantos instrumentos para multiplicar a sua força. O conhecimento científico, filho da curiosidade do encontro com factos inexplicáveis, possibilitou ao ser humano um profundo conhecimento da realidade, transcendendo a sua própria individualidade.

Vários domínios científicos são protagonistas de avanços inimagináveis! A genética vive um momento de descobertas incumensuráveis. A clonagem é já uma realidade e a possibilidade da sua realização com a espécie humana, uma preocupação! Entretanto, o projecto genoma codifica o mapa do código genético humano, perscrutando as supostas chaves (curativas) para problemas e doenças hereditárias. Os alimentos transgénicos representam já uma realidade polémica, na medida em que, alguns deles misturam genética vegetal e animal, hibridizações nunca antes imaginadas, antevendo a possibilidade futura de incorporar genes animais à espécie humana, apetrechando-a biologicamente na defesa de certas doenças. Órgãos humanos, como a pele, podem já ser sintetizados artificialmente em laboratório a partir de dados genéticos. Progressivamente, os cientistas vislumbram a fabricação de estruturas mais complexas como pulmões e coração, a criação de órgãos, a partir da genética do futuro, o que permitirá acabar com a rejeição de transplantes. Até a velhice já foi detectada como uma possível doença degenerativa, accionada pelo comando de alguns cromossomas, sendo possível ser contornada. O comércio de óvulos e espermatozóides humanos, tornaram-se numa realidade curiosa e lucrativa. Por outro lado, tratamentos hormonais, próteses e cirurgias já permitem a mudança quase plena do aspecto físico dos indivíduos.

A Robótica vive, igualmente, tempos de avanços significativos, a construção de membros artificiais estão cada vez mais perfeitos, reproduzindo, quase na totalidade, os movimentos e possibilidades dos membros humanos. Recentemente, através do suporte de dois computadores, uma câmara e um dispositivo de conexão neural, um homem completamente cego experienciou o acto de ver, ainda que de forma rudimentar. Outros cientistas investigam a possibilidade de construir cérebros electrónicos tão sofisticados como o dos humanos, incluindo a possibilidade de lhes tentar incorporar a personalidade e reacções espontâneas. Pesquisas avançadas já estão a ser feitas na tentativa de desenvolver cérebros artificiais, químicos e biológicos que imitam as nossas funções celulares.

Os desafios, as oportunidades e as ameaças do desenvolvimento científico são imensas e com consequências socio-psicológicas ainda imprevisíveis, mas certamente incomensuravelmente marcantes. No campo científico, vive-se então um desenvolvimento estrondoso, cuja continuidade significa que, mais cedo ou mais tarde, todos poderão dispor das suas complexidades subjectivas. Parafraseando Boaventura de Souza Santos, “vivemos uma condição de perplexidade diante inúmeros dilemas, nos múltiplos campos do saber e do viver, que além de serem fonte de angústias e descontentamentos, afiguram-se como um desafio à imaginação, à criatividade e ao pensamento”.



No dia comemorativo da Ciência presto homenagem ao Sr. Prof. Luís Archer, falecido no mês passado, antigo Presidente do Conselho de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) e referência incontornável nas áreas da Bioética e Genética em Portugal. Distinguido com o Prémio Nacional de Bioética em 2008, foi o grande impulsionador da Biogenética no nosso país. Deixa uma vasta obra de 250 trabalhos de investigação e quase uma dezena de livros publicados.

O País perdeu um grande cientista, mas eu ganhei para sempre um Grande Professor…!

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