A (des)reformar Portugal com coragem


O ultima conferência organizada por este clube , que de resto foi um sucesso, não podia ter tema mais actual do que a reforma da administração local.

A palavra reforma está casada com uma outra palavra chata e da qual nenhum governo ou autarca gosta de ouvir e a muito poucos é familiar, subentenda-se: CORAGEM. A reforma da administração local que consubstancia a fusão de inúmeras freguesias por este país fora é um reflexo dessa falta de coragem.

Sou completamente contra extremismos e exageros mas este governo devia ter respeito por quem paga impostos e como tal, quando quisesse falar em reformas , então que o fizesse (ao menos uma vez) a sério e que falasse na fusão de municípios e não de freguesias.

Muita coisa se argumenta contra estas fusões. Sempre pode dizer-se que os municípios são autónomos; que se pode cortar em tantas outras coisas sem começar por aqui; que ia acabar o emprego a uns e o tacho a outros, ou até que a identidade cultural de cada concelho seria violentada. Os argumentos podem impressionar mas não podem proceder.

Por muito que custe , abram-se as portas do inferno que é o crédito : nós estamos a viver com dinheiro emprestado. Estamos num sufoco financeiro e em contra-relógio de pagamento. O sinónimo disto é que vale quase tudo para reduzir despesa. Se não se quiser pensar assim, pense-se na consequência - a bancarrota.

Ao longo de muitos anos nenhum governo soube aplicar a mais elementar máxima económica: ou se ganha mais do que se gasta, ou se gasta menos do que se ganha. Nós fizemos e coleccionámos o contrário para chegar ao estado em que nos encontramos. Batemos no fundo. Bater no fundo não significa apenas que andámos a estender o braço para além da manga. Significa que vivemos com dinheiro emprestado e temos, como qualquer devedor, de nos sujeitar às condições impostas.

Com a Troika a ditar este governo pode dar erros de populismo. Reduzir municípios não é de todo uma medida populista pelo que já foi dito supra. Mas é uma medida necessária. Já percebemos que a coragem não é o forte de Miguel Relvas, mas podia sempre tê-lo feito dando como justificação que acima de si está a Troika. Se olharmos para o número de municípios existentes e os gastos que estes têm inerentes, lê-se e não se acredita.

Fundir municípios , reduzir despesa e fazer uma reforma a sério não é uma prioridade. É uma necessidade. E o que este Governo tem rapidamente de perceber é que vale mais ter contra si os autarcas que ter os munícipes depois de lhes ir ao bolso.

Há muito tempo que esta falta de coragem é factor de subida de vários degraus na escada do descontentamento. E o descontentamento caro leitor a ter que subir uma escada, não é a do seu município. É a da Assembleia da Republica.

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