AMORTALIDADE – Ser Amortal


Surge no panorama sociológico um novo termo que classifica a forma como hoje se personifica a existência. A Jornalista Catherine Mayer aborda o conceito de «Amortalidade» num artigo recente, publicado na Time Magazine e no seu livro Amortality: The Pleasures and Perils of Living Agelessly. Na sociedade contemporânea, cada vez mais o enquadramento etário mudou de praxis e de significado. Os diferentes estádios de vida (infância, a adolescência, a juventude, a idade adulta, a meia idade, a idade da reforma, a idade de ouro, a velhice, etc), à boa maneira de Erikson transformaram-se, renovaram-se, dando origem a uma nova forma de ver o mundo.

A consciência de idade, o processo de envelhecimento e as regras sobre o comportamento correcto e apropriado a cada faixa etária são, hoje, desafiados por uma postura diferente perante a realidade e que enfatiza o que C. Mayer chama de «Amortality», não com o significado convencional de sem vida, mas sim sem idade ou, na expressão em inglês -ageless”!

Nunca, como na actualidade, o homem possuiu tanto conhecimento tecnológico ou foi detentor de tantos instrumentos e ferramentas que prolongam a vida. É verdade que vivemos hoje em média, mais 30 anos do que no inicio do século XX. A esperança de vida tem vindo a aumentar gradualmente, ao que se sabe, a pessoa que mais tempo viveu chegou aos 122 anos. Dados recentes apontam que por volta de 2050 mais de 20% da humanidade terá idade superior a 60 anos, o que vulgariza o conceito de ser amortal.

Os Amortais vivem a vida não se sentindo pressionados a agir segundo um parâmetro adequado a uma determinada faixa etária. Afinal trata-se de mudar o paradigma e saber envelhecer “agelessly”! A Amortalidade classifica não só aqueles que procuram prolongar a juventude recorrendo a intervenções externas (cirurgias, medicamentos, produtos estéticos, ou outro tipo de recursos), como também o conjunto de pessoas que simplesmente fazem por manter a melhor saúde e beleza possíveis, que assim co-habitarão em harmonia com todas as rugas da pele!

A sociedade contemporânea apresenta, sintomaticamente, duas tendências paradoxais, deflagrando num hedonismo em expansão: por um lado, a constante inclinação para os prazeres imediatos em todas as modalidades da vida; por outro, privilegia-se a gestão racional do corpo, da higiene e da saúde.

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